Com a sucesso de Fortnite e PUBG, que popularizaram o género Battle Royale, sugiram muitos pretendentes ao reinado desses dois jogos ao longo dos últimos meses. A mairoria, contudo, caiu pelo caminho. Agora surge uma nova proposta, da Define Human Studios, que pretende apresentar algo diferente para não seguir o mesmo destino que os demais. Islands of Nyne: Battle Royale, ou ION (como será referido no resto do texto), chegou ao acesso antecipado do Steam durante a semana passada, e deixou-nos com boas impressões.
Ao contrário de Fortnite, ION decorre sempre numa perspetiva de primeira pessoa, o que logo aí o ajuda a distinguir-se de outros jogos do género. A ação funciona em torno da jogabilidade clássica de um FPS, algo que tem sido pedido por fãs do género Battle Royale, e pelas horas que passámos com ION, a jogabilidade está sólida e polida. A ação é intensa, as armas têm impacto, o movimento é extremamente fluído, e a experiência online funcionou sempre bem.
Outro elemento que o distingue é o ambiente de ficção científica, na forma de uma doma gigante que raças alienígenas usam para entretenimento. Uma espécie de Hunger Games, onde os espetadores são extra-terrestres. Como não podia deixar de ser, a premissa passa pela sobrevivência contra um vasto número de jogadores - 50 neste caso.
Os jogadores são atirados para arena assim que uma partida começa, sem aviões ou para-quedas, já que não sofrem dano de quedas em ION. Alguns elementos lembraram-nos de Planetside 2, sobretudo ao nível da escala, enquanto que as armaduras e o ambiente nos lembraram de Crysis. Como acontece em PUBG, é essencial encontrar material no mapa para aumentarem as vossas hipóteses de sobrevivência, seja uma armadura superior, ou uma espingarda de longo alcance, por exemplo.
A seleção de armas não é muito extensa, mas chega para as exigências. Mais interessante é o sistema de modificações que permite acrescentar melhoramentos às armas, seja através de um processo automático, ou manual, caso não tenham ainda a arma correspondente a uma modificação. Tudo isto funciona através de um sistema de menus simples e intuitivos, o que nem sempre é o caso nos Battle Royale.
O mundo de ION é mais um elemento que o distingue dos outros Battle Royale. É um cenário claramente alienígena, mas pelo meio podem encontrar ruínas humanas e recriações de marcos históricos, como o Coliseu Romano, por exemplo. É uma mistura muito curiosa, de ficção científica com arquitetura antiga de várias eras, mas gostámos dessa combinação. No mapa também vão encontrar plataformas de salto que oferecem verticalidade à jogabilidade, permitindo ao jogador saltar bem alto em qualquer direção.
Na maior parte do tempo estarão sozinhos, como acontece na maioria dos Battle Royale, mas existem opções para equipas e duetos de jogadores, caso pretendam jogar com amigos. Não podem reanimar os vossos colegas quando desejam, precisam de ter convosco kits médicos que estão espalhados pelo mapa, mas ainda assim é uma vantagem clara. Gostámos de jogar em equipa, mesmo com estranhos, permitindo cobrir mais terreno com maior rapidez.
Não existem veículos em ION, ou pelo menos, não nesta altura, o que significa que o ritmo das partidas pode ser algo lento, depois de alguns minutos, quando o mapa ainda é grande, mas um bom número de jogadores já foi eliminado. Eventualmente, contudo, as áreas começam a diminuir, e os jogadores começam a ficar mais próximos, aumentando a intensidade da partida e dos combates. E vale a pena notar que a zona final muda de localização com regularidade, de forma a impedir que os jogadores 'acampem' perto do fim. Pela nossa experiência, todos estes elementos combinam em combates finais de grande intensidade.
ION está disponível com um preço de € 20.99 em acesso antecipado, mas tem ainda assim micro-transações. Basicamente podem adquirir loot boxes com dinheiro real ou com créditos de jogo, mas tudo o que vão encontrar aí dentro são itens cosméticos. Não existe nada nas micro-transações que envolva diretamente a jogabilidade, o que nos parece uma decisão acertada por parte do estúdio.
Islands of Nyne: Battle Royale está longe de ser um jogo completo e finalizado - é por isso mesmo que ainda está em acesso antecipado -, mas o que vimos até agora deixou-nos com boa impressão. Gostámos da jogabilidade na primeira pessoa, da temática que mistura ficção científica com marcos históricos, e da estrutura Battle Royale. Gostámos de tal forma que começou a tornar-se viciante, e sentimos sempre vontade de recomeçar um novo jogo depois de uma derrota. ION tem aqui fundações muito sólidas para se assumir como um Battle Royale de respeito, e vamos certamente continuar a seguir o seu progresso ao longo dos próximos meses.

