Cookie

O Gamereactor utiliza cookies para assegurar que lhe proporciona a melhor experiência possível no nosso site. Se continuar, vamos presumir que está satisfeito com a nossa política relativa a cookies.

Português
Início
antevisões
Call of Duty: Modern Warfare

Call of Duty: Modern Warfare - Impressões de Jogabilidade

Já jogámos o CoD mais cruel e realista que a Infinity Ward criou.

A assistir

Preview 10s
Next 10s
Publicidade

Paixão. Esta foi provavelmente a palavra mais usada pela Infinity Ward quando visitámos os seus estúdios em Los Angeles. O objetivo? Conhecer e experimentar o CoD de 2019, Call of Duty: Modern Warfare. Mas porquê paixão? Porque estamos a falar do estúdio que revolucionou Call of Duty, e mais importante que isso, o panorama dos shooters online, com Call of Duty 4: Modern Warfare. A série já passou por momentos brilhantes, e outros menos bons, o que criou uma polarização entre os jogadores em relação a Call of Duty, mas a sua importância e o seu impacto na indústria é inegável.

A Infinity Ward já produziu alguns capítulos de Call of Duty fora do contexto de Modern Warfare, como CoD: Ghosts e CoD: Infinite Warfare, mas nenhum deles foi particularmente bem recebido. É por isso tempo de regressar à série principal, não com uma sequela, mas com um reboot total de Modern Warfare.

Antes de avançarmos, convém esclarecer que se trata de verdadeiro reboot, não de um remaster ou de um remake. É um jogo completamente novo, cujo objetivo passa por apresentar um cenário de guerra contemporâneo, e não o cenário de guerra de 2007, quando Call of Duty 4: Modern Warfare foi lançado. O mundo mudou muito nestes 12 anos que separam os dois jogos, e para acompanhar as mudanças, a Infinity Ward criou um novo guião, uma nova história, e uma nova abordagem à jogabilidade.

Os Call of Duty têm sido construídos com duas (os mais nos casos recentes) componentes muito distintas - a campanha e o multiplayer. Em Black Ops 4, a Activision dispensou a introdução de uma campanha de história, mas em Modern Warfare essa campanha será uma componente vital, que estará ligada ao multiplayer. A Infinity Ward informou-nos que tem planos para criar uma ligação forte entre as duas componentes, embora tenha preferido não revelar de que forma por enquanto.

Call of Duty: Modern Warfare

Em relação à campanha, que foi o foco desta apresentação, esperem uma história bem mais crua e incómoda do que é habitual. O estúdio pretende mostrar o horror da guerra, e o que isso pode causar às pessoas comuns, não tanto a nível de violência, mas a nível psicológico e emocional. A Infinity Ward até fez uma comparação curiosa com dois filmes, apontado os jogos anteriores a algo brutal como Saw - Enigma Mortal, enquanto que o novo jogo será algo mais baseado em medo, drama, e tensão, como Jaws (Tubarão).

Para conseguir extrair essas sensações do jogador, a Infinity Ward tentou criar personagens diferentes do habitual, com um nível de honestidade mais elevado do que é típico em Call of Duty. Por outras palavras, não esperem um herói perfeito numa luta contra um vilão maléfico, mas antes oponentes que têm motivações compreensíveis, contra protagonistas que não são exatamente um prisma de moralidade.

Dito isto, o foco vai continuar nas duas fações mais comuns do género: EUA e Rússia. Nesta guerra, contudo, não vão apenas jogar e interagir com operadores altamente treinados. Sim, existem momentos em que estarão a acompanhar agentes com equipamento avançado e treino especializado, mas também irão participar em confrontos de milícias, rebeldes que terão de usar táticas mais rudes e inventivas para levarem a melhor perante o adversário. Isto significa que a campanha irá oferecer dois focos de jogabilidade distintos, dependendo de quem estão a controlar.

Melhor do que ouvir e ver as explicações da Infinity Ward, foi a oportunidade para experimentarmos nós próprios parte da campanha, através de duas missões distintas. A primeira missão colocou-nos nas ruas de Londres, ao comando de uma força especial. Esta missão sucede um ataque terrorista na capital inglesa, e o nosso objetivo passou por invadir a casa onde se encontrava célula terrorista responsável. O início da missão colocou os agentes, incluindo a nossa personagem, a postos em vários pontos de entrada para a casa, o que nos lembrou mais de Rainbow Six do que de Call of Duty.

Assim que invadimos a casa, as luzes apagaram-se e os agentes equiparam os seus óculos de visão noturna, iniciando rapidamente uma troca de tiros com os terroristas. Nesta secção presenciámos algumas situações de grande intensidade, como um terrorista que usou a sua esposa como refém, que de seguida se virou contra nós depois de termos eliminado o seu marido. Também vimos outra mulher a correr para um berço, o que nos fez pensar: está a correr para um bebé, ou para uma arma? Deixamos a mulher em paz, ou eliminamos-la? Estas não foram as únicas situações intensas ou arrepiantes, já que nem todos os terroristas morreram durante o tiroteio. Vimos um a sangrar e a gemer com um buraco na garganta, enquanto que outro, à beira da morte e mergulhado no seu próprio sangue, tentava chegar a uma arma. Foi interessante ver como Call of Duty: Modern Warfare não teve qualquer receio de nos colocar nestas situações desconfortáveis.

Call of Duty: Modern WarfareCall of Duty: Modern Warfare

A segunda missão, situada na Ásia Islâmica, colocou-nos na pele de uma pequena rapariga, salva depois de ter sobrevivido a um bombardeamento. A sua mãe morreu ao seu lado, mas a união da população resultou no seu salvamento dos destroços. Esse é, infelizmente, apenas o início do drama, já que o bombardeamento é apenas o prelúdio de uma invasão russa, seguida de granadas de gás. Procurámos refúgio na nossa casa, junto do nosso pai e do nosso irmão de sete ou oito anos. Depois de uma confrontação violenta com um agente inimigo, abandonámos a casa para nos depararmos com uma situação arrepiante: pessoas deitadas nas ruas com graves convulsões, induzidas pelo gás russo, enquanto os soldados disparavam às cabeças de quem ainda não tinha sufocado.

Depois destas sequências (e de um café para desanuviar), a Infinity Ward mostrou-nos a tecnologia que está a alimentar Call of Duty: Modern Warfare. Além de uma demonstração do sistema volumétrico de iluminação, capaz de capturar até o pó que se seguiu ao bombardeamento, ficámos impressionados com o design de áudio do jogo. Cada arma produz um som diferente dependendo da localização, como o efeito abafado de uma granada lançado no metro de Londres, ou o eco de uma bala disparada através de prédios. Até as animações das armas são impressionantes, desenhadas para simularem o comportamento real de forma individual, desde a sensação de peso ao impacto causado na movimentação da cabeça.

O estúdio recorreu também, com frequência, à utilização de fotogrametria, para capturar objetos com o maior realismo possível. Desde as portas de carros enferrujados, a lixo amontoado (que a equipa realmente apanhou e capturou nas ruas de Los Angeles), o nível de detalhe em Call of Duty: Modern Warfare é impressionante. Os modelos das personagens, idênticos aos atores que as interpretam, apresentaram também uma qualidade elevadíssima, ao ponto do jogo mudar em tempo real a espessura das veias faciais de acordo com o que está a sentir. É realmente um nível de detalhe incrível.

A Infinity Ward defendeu, de princípio ao fim, que o seu objetivo é criar o CoD mais realista e autêntico de sempre. Confessamos que, devido a falsas promessas de outros anos, temos sempre algumas reservas em relação a Call of Duty, mas não podemos negar que ficámos muito surpreendidos com este Modern Warfare. Parece-nos ser o jogo mais interessante da série em muitos anos, e isto apenas ao nível do que vimos da campanha. Ainda é preciso perceber como será em relação ao multijogador e a outros modos, mas para já, parece-nos que pode ser um verdadeiro ponto de viragem para Call of Duty.

Call of Duty: Modern Warfare
Call of Duty: Modern WarfareCall of Duty: Modern Warfare