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Antevisões

Middle-Earth: Shadow of Mordor

As primeiras impressões do Gamereactor sobre o novo jogo inspirado na saga de O Senhor dos Anéis.
Arttu Rajala 24 Janeiro 2014

A Monotlith, produtora de Gotham City Impostors, Guardians of Middle-Earth e F.E.A.R., anunciou Middle-Earth: Shadow of Mordor em novembro (só está a produzir as versões PS4, Xbox One e PC - as versões de PS3 e Xbox 360 estão a cargo de outra produtora), mas a reação dos jogadores foi dividida. Muitos questionaram se este será finalmente o jogo que a obra de Tolkien merece, ou um aproveitamento descarado da licença. As primeiras imagens não ajudaram. Quem ou o que é este protagonista sinistro e como encaixa no mundo da Terra Média?

Este mês o Gamereactor teve a oportunidade de obter algumas respostas quando a editora Warner Bros Interactive nos convidou para uma viagem de ida e volta a Mordor (em Londres). Embora ainda não nos tenham deixado jogar, pudemos assistir a quase uma hora e meia de jogabilidade ao vivo, bem como uma detalhada apresentação de Michael de Plater, Diretor de Design do jogo. Neste tipo de primeiros eventos, as produtoras são normalmente muito reservadas e mostram pouco do jogo, por isso foi uma agradável surpresa encontrar tamanha disponibilidade da produtora.

Shadow of Mordor decorre depois dos eventos de O Hobbit, quando Sauron regressa para reunir as suas forças e preparar-se para a Guerra do Anel. Embora Gondor esteja atento ao vale por esse mesmo motivo, a longa espera tornou-os displicentes, pelo que foram apanhados de surpresa. Todos os presentes na pequena guarnição junto ao Portão Negro foram massacrados ou levados de volta para se tornarem escravos. Entre as baixas estava o jovem Talion, junto com toda a sua família. Mas nem a morte é desculpa para descansar numa altura destas e Talion ressuscita com a ajuda de um misterioso espírito de vingança, que se parece imenso com um Espetro (tipo Nazgûl). De Plater não quis confirmar a identidade deste espírito, mas sabemos que este desbloqueia poderes sombrios em Talion, com os quais pode exercer vingança sobre os servos de Sauron. Na pele de Talion, os jogadores vão encontrar algumas personagens conhecidas da obra, incluindo Gollum. Segundo De Plater, cada personagem terá as suas próprias missões secundárias, que no fim vão ligar à campanha principal.

De Plater também confirmou que o jogo decorre por inteiro em Mordor, por isso não esperem visitar outros locais da Terra Média. Durante a demonstração exploraram uma boa parte do norte de Mordor, uma área chamada Udûn, que alberga o Portão Negro e os restos da guarnição de Talion.

Udûn parecia um local muito sombrio e desolado, com uma paleta de cores castanhas e cinzentas. Quando questionámos De Plater sobre uma possível saturação, Plater prometeu variedade, já que, como o jogo decorre muito no início do regresso de Sauron, o vale ainda não foi totalmente transformado uma zona morta. Infelizmente, a Monolith não nos mostrou o mapa de jogo e Plater confirmou que será consideravelmente mais pequeno do que algo como Skyrim, por exemplo. Ainda assim, deve incluir localizações, áreas e segredos suficientes para entreter o jogador durante horas. Quanto à variedade, temos de acreditar na palavra de De Plater, porque Udûn era de facto um local muito desolador e deprimente.

Shadow of Mordor tem sido apelidado como um RPG de ação, mas não esperem grandes opções de personalização. Não podem mudar a sua raça ou até o seu aspeto, nem tão pouco o género sexual. Apenas podem modificar alguns atributos nucleares e habilidades. Existem dois conjuntos de talentos, um para Talion e outro para a criatura que parece um Espetro. Essas habilidades resumem-se a novas formas de matar Orcs e a um aproveitamento superior de como vão andar pelo mundo aberto de Mordor. Todos os melhoramentos estão ligados a runas, que recebem ao matarem inimigos especiais, e que podem combinar com várias armas.

Mostraram-nos várias formas de despachar Orcs, mas as habilidades do Espetro impressionaram mais. A mais interessante foi a visão de Espetro, que conhecemos através dos filmes de Peter Jackson, a partir da qual podem detetar e marcar inimigos importantes, um pouco como a Eagle Vision de Assassin's Creed. Em combinação com o arco, podem abrandar o tempo, facilitando tiros certeiros. Outra habilidade permite a Talion teletransportar-se pelas sombras para trás de um inimigo e executar um golpe certeiro. Também existe um medidor de combos que, quando está cheio, permite executar alguns golpes poderosos (mais alguém se lembra do Rogue de World of Warcraft?).

Na nossa opinião, se calhar até houve ação de mais. Existiram alguns momentos furtivos e até de exploração, mas a grande maioria da demo foi formada por confrontos com os Orcs. O combate pareceu-nos extremamente familiar e um dos jornalistas alemães presentes no evento até fez questão de se mostrar indignado pela forma como parece copiar os jogos de Batman: Arkham e de Assassin's Creed. De Plater não negou a observação e pelo contrário, fez questão de frisar que esses dois jogos foram influências diretas para Shadow of Mordor. O produtor acrescentou, contudo, que estão a tentar construir em cima dessa influência, de forma a criar um sistema de combate mais profundo do que limitar-se a carregar nos botões de contra-ataque no momento certo. A julgar pela demo, existe alguma verdade nas suas palavras, embora também nos tenha parecido que existem muitos QTE, que vos vão obrigar a carregar nos botões em sequência.

O mais interessante da jogabilidade de Shadow of Mordor é o sistema Nemesis, que gera processualmente inimigos únicos, que se desenvolvem ao longo do jogo. São-lhes atribuídos atributos aleatórios, como forças, fraquezas e nível inicial. Os inimigos também se vão lembrar do jogador se o encontraram antes. Na demo observámos um Orc que tinha escapado de um confronto anterior, mas as queimaduras que recebeu durante o combate aumentaram o seu medo de fogo, o que pode ser aproveitado pelo jogador. Até foi bastante interessante verificar que os inimigos tentam escapar do combate se estiverem próximos de perder.

Entre as tropas de Sauron existem várias categorias de soldados, mas não podem ir diretamente atrás dos altos comandantes. Primeiro têm de reunir informações sobre as suas fraquezas e o seu paradeiro, como parte das missões secundárias. Podem dominar o espírito dos Orcs mais fracos, utilizando os poderes do Nazgûl, pedindo-lhes para que espiem em favor do jogador ou até que assassinem um alvo.

Nemesis é claramente uma das propostas mais inovadoras de Shadow of Mordor. No papel, parece fantástico e na demo até pareceu funcionar bem. E considerando que The Witcher 3: Wild Hunt, Dark Souls II e Dragon Age: Inquisition também serão lançados em 2014, Shadow of Mordor precisa de algo que o distinga.

O jogo ainda precisa de ser trabalhado, até porque o combate pareceu algo monótono. A quantidade de sangue e de cabeças a voar pelo ecrã também nos pareceu excessiva. De Plater especificou que tudo isso ainda vai ser equilibrado antes do fim da produção. A Monolith não especificou uma data de lançamento, mas não nos admirávamos se fosse lançado perto da estreia do terceiro filme de O Hobbit. Achamos que a obra de Tolkien já merece um jogo à altura e esperamos sinceramente que a Monolith consiga atingir os seus objetivos.

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