Le Pen nega uso indevido de fundos da UE em julgamento de recurso
A líder francesa da extrema-direita busca derrubar a condenação que a impede de ocupar cargos públicos.
Marine Le Pen retornou ao tribunal em Paris esta semana para recorrer de sua condenação por uso indevido de fundos da União Europeia, negando firmemente qualquer irregularidade enquanto juízes avaliam uma decisão que pode determinar seu futuro político. O resultado do caso decidirá se o líder de longa data do Reagrupamento Nacional (RN) poderá concorrer na eleição presidencial francesa de 2027.
No ano passado, Le Pen recebeu uma proibição de cinco anos de ocupar cargos públicos após ser considerada culpada de desviar mais de €4 milhões em fundos da UE. Juízes decidiram que o dinheiro destinado a pagar funcionários do Parlamento Europeu foi, na verdade, usado para financiar militantes do partido entre 2004 e 2016. Le Pen e vários co-réus contestaram essa decisão.
Durante as audiências de apelação, Le Pen adotou um tom jurídico mais contido do que em audiências anteriores, mas manteve sua defesa central. "Eu contesto formalmente a ideia de que existia uma espécie de sistema", ela disse ao tribunal, rejeitando as alegações de que o partido deliberadamente organizou o uso indevido dos fundos da UE.
Ela também apontou seu falecido pai, Jean-Marie Le Pen, fundador do partido, dizendo que manteve o controle efetivo da organização até 2014. Embora reconhecesse que os arranjos internos eram falhos, ela insistiu que funcionários pagos com dinheiro da UE estavam realmente trabalhando. "O funcionamento das coisas não era o ideal", ela disse, "mas todas aquelas pessoas estavam trabalhando."
O julgamento deve durar até meados de fevereiro, com decisão prevista para o verão. Se a proibição de Le Pen for suspensa ou reduzida, ela pode continuar sendo uma candidata à presidência; se não, o presidente do RN, Jordan Bardella, é amplamente visto como o provável candidato substituto do partido.
