Espanha retoma a pressão por um exército europeu enquanto a disputa da Groenlândia testa a unidade da UE
Madri afirma que uma força conjunta da UE seria mais eficiente e enviaria a mensagem de que a Europa não pode ser coagida.
A Espanha renovou os apelos para que a União Europeia crie uma força militar conjunta, argumentando que as crescentes tensões geopolíticas, incluindo a recente disputa sobre a Groenlândia, mostram que o bloco precisa agir mais rápido na integração da defesa. Falando à Reuters antes das reuniões em Davos, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse que a Europa precisa demonstrar que pode se defender coletivamente, tanto militar quanto economicamente.
Albares disse que a UE deveria começar integrando plenamente sua indústria de defesa e então montar uma "coalizão dos dispostos" entre os Estados-membros. Uma força conjunta, argumentava, seria muito mais eficiente do que manter 27 exércitos nacionais separados. Embora tenha reconhecido preocupações sobre se cidadãos europeus apoiariam uma integração militar mais profunda, disse que as chances de mobilizar uma dissuasão significativa são maiores em nível da UE do que país por país.
Albares enfatizou que um exército europeu não substituiria a OTAN, ressaltando o compromisso da Espanha com a aliança transatlântica. Mas ele disse que a Europa deve mostrar que não permitirá ser pressionada. "Precisamos demonstrar que a Europa não é um lugar que pode ser coagido", disse ele, acrescentando que os eventos recentes só fortaleceram o argumento por maior autonomia europeia na defesa.
A ideia de um exército europeu conjunto não é nova. Proposta pela primeira vez em 1951 para combater a União Soviética, ela entrou em colapso três anos depois quando o parlamento francês a rejeitou. Mais de sete décadas depois, disse Albares, o projeto inacabado voltou à vanguarda. "A defesa europeia foi parte da origem da UE", disse ele. "Cabe à minha geração terminar essa tarefa."
