Em Davos, Zelensky lembra a Europa da Rússia: "Saia do modo Groenlândia" e assuma o comando
O presidente ucraniano ataca os líderes da UE por esperarem Trump em meio à guerra em andamento com a Rússia.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky fez um discurso contundente no Fórum Econômico Mundial em Davos na quinta-feira, acusando os líderes europeus de permanecerem em "modo Groenlândia", aguardando orientações do presidente dos EUA, Donald Trump, em vez de tomar uma ação decisiva sobre a Ucrânia e outras crises geopolíticas. Suas declarações ocorreram enquanto o continente lidava com as consequências das ambições de Trump na Groenlândia e de seu recente acordo-quadro que concedeu aos EUA acesso ampliado à ilha ártica.
"No ano passado, aqui em Davos, terminei meu discurso com as palavras 'A Europa precisa saber se defender'", disse Zelensky. "Um ano se passou, e nada mudou. A Europa permanece no modo Groenlândia: talvez alguém, em algum lugar, faça algo." As palavras incisivas do presidente destacaram sua frustração com o que ele vê como a complacência da Europa, mesmo enquanto a Ucrânia continua suportando ataques russos que cortaram energia e aquecimento nas grandes cidades durante um inverno rigoroso.
Zelensky pediu à Europa que adotasse uma postura mais firme contra a Rússia, instando os membros da OTAN a fortalecerem suas defesas e mirarem as frotas sombras de petroleiros que ajudam a financiar a máquina de guerra de Moscou. Ele também criticou gestos simbólicos como o envio de tropas para a Groenlândia, questionando o valor estratégico e as mensagens que isso envia à Rússia, China e Dinamarca. "Se Putin decidir tomar a Lituânia ou atacar a Polônia, quem responderá?" ele perguntou. "Atualmente, a OTAN existe graças à crença de que os Estados Unidos agirão... Mas e se não funcionar?"
Apesar de suas críticas à Europa, Zelensky cuidadosamente evitou atacar diretamente Trump, mesmo quando o presidente dos EUA enviou o enviado Steve Witkoff a Moscou para avançar com as negociações de paz estagnadas com Vladimir Putin. Zelensky reconheceu o valor do diálogo, mas enfatizou que qualquer participação em iniciativas como a recém-formada Junta de Paz de Trump só seria possível quando a guerra terminasse, destacando a impossibilidade de sentar ao lado da Rússia ou de seu aliado Bielorrússia nesses fóruns.
Olhando para o futuro, Zelensky confirmou que Ucrânia, Rússia e Estados Unidos realizarão negociações trilaterais em Abu Dhabi neste fim de semana, as primeiras desde a invasão russa em 2022. Embora tenha moderado as expectativas, pedindo que a Rússia estivesse pronta para o compromisso, ele expressou esperança cautelosa. "Veremos qual será o resultado. É melhor do que não ter nenhum tipo de diálogo", disse ele, ressaltando os altos riscos tanto para a Europa quanto para a Ucrânia em um momento volátil para a diplomacia transatlântica.