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É preciso sangue novo na indústria?

Pode ter chegado a hora de dar o lugar a uma nova vaga de produtores de videojogos.
Ricardo C. Esteves Editor-in-Chief Portugal 6 Setembro 2013

Metal Gear Solid V: The Phantom Pain

Durante as últimas décadas alguns produtores conseguiram notoriedade pelos jogos que criaram. Hideo Kojima é conhecido mundialmente como o pai de Metal Gear Solid. Peter Molyneux é creditado por títulos como Dungeon Keeper, Populous e Fable. David Jaffe ganhou nome depois de criar God of War (e também pela frequência com que dispara palavrões). Da mente de Suda51, apelidado de "O Tarantino dos videojogos", saíram projetos como Killer 7 e No More Heroes. A lista continua.

Durante vários anos, estes e outros produtores ajudaram a indústria a crescer, com ideias inovadoras e conceitos que empurraram os videojogos de um mero passatempo divertido para aquele que é na minha opinião o meio de entretenimento mais completo e imersivo da atualidade. O potencial dos videojogos é tremendo e acredito, como outros, que a indústria ainda se encontra numa "fase de adolescência", com muito espaço para crescer e evoluir.

Mas, se enquanto a qualidade dos videojogos nos últimos anos tem encontrado um padrão altíssimo, também é verdade que tem existido alguma falta de originalidade e coragem, pelo menos quando falamos das grandes produções. Obviamente que não posso ser ingénuo ao ponto de considerar que projetos deste calibre não devem também olhar para meios lucrativos e promocionais, mas uma atitude recente de Hideo Kojima pareceu-me ir demasiado longe.

O lendário produtor nipónico afirmou no Twitter que o desenho de Quiet, uma das personagens de MGS V, é especificamente erótica para atrair praticantes de Cosplay e para aumentar as vendas de figuras. Ora, quando chegamos ao ponto de deixar a personagem de soutien só para estes efeitos comerciais, bom, parece-me francamente exagerado.

Isto não significa que pense que Metal Gear Solid V: The Phantom Pain será um mau jogo, pelo contrário, é um dos meus títulos mais esperados para 2014. Mas é duro ver que um dos produtores mais conceituados da indústria deixou que efeitos comerciais afetassem o design das personagens desta forma. Deve funcionar ao contrário, não assim.

Mas Hideo Kojima não é o único. Os nomes que citei em cima têm todos, de uma forma ou de outra, enfrentado grandes dificuldades e não são os únicos. Alguns exibem falta de originalidade e outros recorrem a truques fáceis para chamar atenções, nomeadamente à venda gratuita de violência ou sexo, como aconteceu recentemente com Killer is Dead. Felizmente, existe um outro lado da moeda.

Journey

Nos últimos três ou quatro anos assistimos a um verdadeiro boom dos jogos produzidos por produtoras independentes ou de equipas que têm orçamentos relativamente reduzidos. Foi de caves, garagens e quartos pessoais que saltaram algumas das propostas mais originais, divertidas e interessantes que a indústria conheceu no passado recente.

Fomos presenteados com Journey e Flower, de Jenova Chen. Jogos que exibiram uma beleza única e que na sua simplicidade conseguíram criar sentimentos genuínos entre os jogadores. Para muitos, Journey é o melhor jogo de 2012 para a PlayStation 3. Jonathan Blow trouxe-nos o inesquecível Braid, um jogo de plataformas e puzzles super-inteligente que carrega uma carga psicológica capaz de suscitar várias interpretações. Neste momento encontra-se a produzir The Witness, para a PlayStation 4.

Fez destacou-se com uma mecânica genial e um mundo que implora a sua exploração. O seu criador Phil Fish tem tanto de temperamental, como de genial, mas feitios à parte, a indústria precisa de mais produtores como ele. Dan Pinchbeck foi a mente for trás do brilhante Dear Esther, mas parece não ter parado por aí. Além do arrepiante Amnesia: A Machine for Pigs, está também a produzir Everybody's Gone to the Rapture para a PlayStation 4.

Braid

E existem muitos outros como os exemplos que aqui deixou em cima, produtores que pensaram e executaram ideias e conceitos originais, ou que têm histórias relevantes para contar e que só resultam através de um meio interativo como os videojogos. É preciso que estes produtores tenham mais oportunidades e que as editoras olhem para eles como a nova vaga de produtores. E felizmente, isso parece estar a acontecer. Aliás, atualmente estamos a assistir a uma guerra entre Sony e Microsoft, onde os produtores independentes são cada vez mais o alvo da cobiça. As voltas que o mundo dá...

É preciso respeitar o trabalho de produtores lendários como Kojima e Molyneux e a importância que tiveram na produção de videojogos, mas talvez esteja na hora de darem o lugar a outros. E felizmente parece existir uma enorme vaga de novos produtores talentosos ansiosos por a acatarem com essa responsabilidade.

Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
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