Bolsonaro recorre aos livros para cortar o tempo de prisão
O ex-presidente do Brasil pode reduzir sua sentença de 27 anos lendo na prisão.
Os advogados de Jair Bolsonaro encontraram uma forma incomum do ex-presidente brasileiro de reduzir a pena de 27 anos de prisão que recebeu por planejar um golpe. Segundo a lei brasileira, os detentos podem reduzir suas sentenças em quatro dias para cada livro que leem, um esquema que um juiz da Suprema Corte agora aprovou para Bolsonaro.
A decisão é irônica, dado o antigo desprezo declarado de Bolsonaro pela leitura. Ele já disse anteriormente que não tinha tempo para livros e certa vez afirmou ter passado anos sem terminar um. Para se qualificar para a redução, entretanto, os presos devem apresentar relatórios escritos comprovando que realmente leram cada título.
A lista de leituras aprovadas pode ser especialmente desafiadora. Inclui livros sobre direitos indígenas, racismo, proteção ambiental e a brutalidade da ditadura militar brasileira de 1964 a 1985, um regime que Bolsonaro elogiou abertamente. Entre eles estão clássicos extensos como Guerra e Paz e Dom Quixote, além de um livro infantil intitulado Democracia!.
Bolsonaro, que foi recentemente transferido para uma prisão de segurança máxima em Brasília, já citou como seu livro favorito um livro de memórias de um notório oficial militar acusado de tortura durante a ditadura. Esse título não aparece na lista oficial, que inclui obras que confrontam os próprios abusos que Bolsonaro frequentemente defendeu...
