Este pode ser um dos marcos mais inesperados da ciência moderna, mas os pesquisadores testaram com sucesso a ventilação enteral (um processo que fornece oxigênio através do reto) em humanos pela primeira vez. Os resultados? Totalmente seguro.
O estudo, publicado na Med, confirma que essa técnica chamada de "respiração bumbum" não causou nenhum efeito colateral grave entre os 27 voluntários saudáveis do sexo masculino que participaram. Em vez de ar, a equipe usou um líquido chamado perfluorodecalina.
Os participantes não receberam oxigênio desta vez (este foi apenas um teste de segurança), mas o resultado abre caminho para futuros testes usando perfluorodecalina oxigenada, que poderia ajudar pacientes com insuficiência respiratória ou recém-nascidos com dificuldade para respirar após o nascimento.
"A ventilação enteral não se destina a substituir os ventiladores mecânicos", explicou o pesquisador Takanori Takebe, do Hospital Infantil de Cincinnati e da Universidade de Osaka, "mas a servir como uma via complementar de oxigenação".
A ideia foi inspirada em certos peixes e anfíbios que podem absorver oxigênio através de seus intestinos quando debaixo d'água. E sim, antes que você pergunte, esta não é a primeira vez que vemos líquidos oxigenados em ação. Lembre-se The Abyss (1989). Ou confira o vídeo acima.
O conceito rendeu à equipe de Takebe um Prêmio Ig Nobel em 2024, um prêmio irônico concedido a conquistas científicas que "fazem as pessoas rirem, depois pensam". E agora, parece que a risada pode se transformar em uma inovação que salva vidas.
O próximo? Testando a técnica em pacientes com dificuldade respiratória real.