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Análises Wonder Boy: The Dragon's Trap

Wonder Boy: The Dragon's Trap

Um tributo fantástico a um clássico de plataformas.
Mathias Holmberg 3 Maio 2017

Pobre Wonder Boy. Finalmente conseguiu derrotar o seu arqui-rival, o Mecha Dragon, mas não sem antes ser amaldiçoado para se transformar num lagarto. Não foi o melhor momento do herói, mas Wonder Boy III: The Dragon's Trap, lançado pela Sega em 1989, foi o destaque desta série de plataformas. Muitos anos depois, Wonder Boy está de volta com uma nova abordagem moderna, mas foi com alívio que reparámos que Wonder Boy: The Dragon's Trap ainda é uma boa aventura de plataformas, mesmo depois de todo este tempo.

Isto é possível porque o jogo original tinha já uma excelente fundação de jogabilidade. Os controlos eram precisos, os conceitos originais, e as mecânicas principais muito sólidas. Nunca ouviram falar de Wonder Boy? É natural. A série tem estado ausente desde a década de 90, mas embora este jogo seja baseado noutro já muito antigo, podem desfrutar das qualidades desta revisão moderna sem um pingo de nostalgia. Aliás, The Dragon's Trap é um excelente ponto de entrada se nunca jogaram um Wonder Boy no passado. Uma opção interessante para os fãs mais antigos, ou até para os mais curiosos, é a função para alternar entre o original de 8 bits para a Master System e a nova versão modernizada com um simples botão. O estúdio implementou um novo estilo desenhado à mão delicioso, que o transforma num jogo perfeitamente atual.

O mesmo método foi aplicado ao sistema sonoro, incluindo a música e os efeitos. Podem alternar entre a versão moderna e a original, que certamente ainda estará enterrada algures na memória dos jogadores mais antigos. A produtora elaborou um remake de boa qualidade, mas ao mesmo tempo nota-se que manteve grande respeito pelo original. Até o antigo sistema de saves, à base de palavras-passe, continua presente no jogo. Se por acaso ainda tiverem uma das palavras-passe antigas à mão, ainda a podem usar no novo jogo. Mas apesar de ser um jogo de 30 anos com nova pintura, existem momentos em que nos esquecemos disso, e é nesses momentos que o jogo está no seu melhor.

Como Wonder Boy, ou na pele da nova Wonder Girl, vão ter a oportunidade de percorrer uma terra perigosa cheia de monstros, com o objetivo de se livrarem da maldição. Durante a introdução, o rapaz ou a rapariga é transformado num lagarto que cospe fogo. Depois, ao longo da aventura, também vão assumir o formato de um rato que pode trepar, uma piranha, um leão, e um falcão. Para avançarem têm de ir alternado entre estas formas animais, cada uma com as suas características peculiares. O jogo foi bem executado nos anos 80, e continua a funcionar nos dias de hoje.

O elemento que sofre mais com a idade, e que infelizmente se mantém, é o design dos níveis, nem sempre lógico. O mundo de jogo, apesar de ser 2D, é amplo e aberto, e está cheio de segredos - estilo Metroidvania -, mas a ausência de um mapa acaba por complicar imenso a vida do jogador. Terão de confiar no vosso próprio sentido de navegação e memória enquanto percorrem cavernas, florestas densas, e pântanos. Vão encontrar muitos caminhos bloqueados, que podem abrir depois de encontrarem a chave respetiva. O problema? Lembrarem-se do caminho exato e lidar com todos os inimigos que reapareceram. Esta estrutura era inovadora na era da Master System, mas hoje em dia é muito datada, e pode ser ainda mais problemática para quem tiver de parar de jogar durante alguns dias.

Adorámos o facto da Lizardcube ter decidido construir o novo jogo em cima do antigo, permitindo apreciar a versão original em simultâneo com a nova, mas isso trouxe problemas. Para se manterem fiéis ao original tiveram de abdicar da modernização de alguns elementos, como o design dos níveis. É um elemento negativo, que devem considerar, mas que não mancha o que é de resto um excelente trabalho por parte do estúdio.

Se foram fãs de Dragon's Trap durante a década de 80, vão sentir-se em casa com a nova versão. Por outro lado, mesmo que nunca tenham ouvido falar de Wonder Boy, podem desfrutar de uma boa aventura de plataformas com alguns elementos originais. O preço, de € 19.99, também nos parece perfeitamente razoável para o que foi feito. Depois disto, e do excelente trabalho da Lizardcube, adorávamos que a produtora francesa tivesse a oportunidade de criar uma aventura completamente nova de Wonder Boy. Até lá, apreciem este excelente tributo.

8
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Arte linda. Mantém-se fiel ao original. Boas mecânicas de jogabilidade. Wonder Girl é uma boa adição.
Contras Alguns aspetos do jogo não envelheceram bem.
Nota da rede Média de 6 edições da Gamereactor
8,0
Gamereactor 8
Gamereactor España 8
Gamereactor France 8
Gamereactor Italia 8
Gamereactor Nederland 8
Gamereactor Portugal 8
Perfil completo 10 artigos publicados
8
Bom Nota da rede em 6 edições
Dados do jogo
Produtora Lizardcube
Editora Dotemu
Data de lançamento 17 Abril 2017
Género Platform, RPG
Plataformas
PC PS4 Xbox One Nintendo Switch iOS Android
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.