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Análises Undertale

Undertale

Quem sabe o que vamos encontrar no submundo deste estupendo jogo Indie...
GR Staff 28 Outubro 2015

Undertale é a criação ambiciosa de um único homem, Toby Fox, que criou e moldou todos os elementos deste curioso RPG. Nada mau, considerando que Undertale consegue abalar as fundações do chamado "RPG japonês", um sub-género que para muitos tem estado estagnado há vários anos. As ideias originais que implementou funcionam muito bem, o design geral é inteligente, o argumento tem alguns diálogos brilhantes e a história manteve-nos sempre interessados.

Depois de uma longa guerra entre humanos e monstros, a humanidade acabou por levar a melhor, selando o seu grande inimigo debaixo da superfície do planeta. A partir deste momento, os monstros já não conseguem subir para a superfície, mas os humanos podem cair para onde estão os monstros. E foi isso que aconteceu ao nosso aventureiro, que acorda no reino dos monstros logo a abrir a ação.

É assim que começa esta aventura de três horas, onde é difícil distinguir quem é amigo ou inimigo. Talvez por isso, ninguém tenha necessariamente de ser magoado durante a vossa aventura, a não ser que o queiram. Undertale tem um soberbo sentimento de liberdade, permitindo que os jogadores interpretem os seus encontros com os monstros como quiserem. Mesmo durante uma batalha cuja vitória está garantida, podem mostrar misericordiosa pelo inimigo, ou em sentido inverso, podem suplicar pela vossa vida. Estas opções variam de encontro para encontro, o que mantém a experiência sempre interessante.

Undertale também tem um sistema de combate pouco convencional. Quando chega a vez do inimigo atacar, ganham controlo de um pequeno símbolo na forma de um coração que podem usar para evitar ataques, tudo a partir de um pequeno ecrã. Funciona como um jogo arcade antigo, onde o timing e a precisão de movimento são essenciais. Esta característica ajuda a separar Undertale de outros título do género RPG, e significa que também podem fazer algo mesmo quando é a vez do inimigo atuar. Quem jogou Child of Light pode encontrar ligeiros paralelismos. É um sistema que também evolui ao longo da campanha, mantendo-se sempre interessante.

Toby Fox aplicou uma estrutura semelhante ao resto do jogo. Tudo começa de forma simples, mas vai tornando-se mais complexo e desafiante com o tempo. Esta não é uma aventura do bem contra o mal, onde tudo é preto ou branco. Até personagens que podem parecer maléficas podem mais tarde revelar bom senso. O conceito é que as personagens não são necessariamente boas ou más, mas antes moldadas em torno de emoções humanas, como inveja, vergonha e medo, por exemplo. Apesar do aspeto rudimentar, Undertale é um jogo com muita profundidade.

O único elemento que permanece básico ao longo da aventura são os puzzles, que deviam ser mais desafiantes. As mecânicas que os suportam são positivas, mas são obstáculos que rapidamente vão aprender a ultrapassar com facilidade. Não prejudicam a experiência de jogo, mas também não acrescentam nada de valor.

Mesmo assim, é uma experiência memorável. O protagonista evidencia emoções genuínas, enquanto atravessa este reino de monstros e conhece várias personagens. Quando o jogo terminou, sentimos uma sensação de bem estar, quase como se tivéssemos acabado de aprender uma valiosa lição de vida. Não perguntem exatamente que tipo de lição é, mas Undertale fez-nos sentir algo real, e isso é mais do que a maioria dos jogos AAA pode reclamar.

Undertale é um jogo limitado, mas dentro das suas limitações consegue alcançar feitos tremendos. É um RPG clássico de fantasia, que ainda assim consegue tecer comentários sobre a sociedade moderna e as redes sociais. Tudo é feito com um grafismo de 16 bits, mas isso não lhe retira um pingo de autenticidade e profundidade. Mais importante ainda, Undertale é uma história com humor, emoção e uma banda sonora adorável, que só pode ser altamente recomendado.

9
Excecional em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Design inteligente. Argumento original e interessante. Muito valor de repetição. Por vezes é genuinamente perturbador e sombrio.
Contras Os puzzles podiam ser um pouco mais desafiantes. Nem todas as piadas funcionam.
Nota da rede Média de 6 edições da Gamereactor
9,0
Gamereactor 9
Gamereactor Norge 9
Gamereactor Deutschland 9
Gamereactor España 9
Gamereactor Italia 9
Gamereactor Portugal 9
Editorial Team Articles published under the Gamereactor byline are the work of the site's editorial team, covering news, releases and the wider industry across Gamereactor's European editions.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 1998 · 695 artigos publicados
9
Excecional Nota da rede em 6 edições
Dados do jogo
Produtora Toby Fox
Género RPG
Plataformas
PC PS4 PS Vita Nintendo Switch Xbox One Xbox Series X
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.