Se ainda não ouviram falar dos Prémios PlayStation, trata-se de uma iniciativa da Sony que pretende premiar um estúdio português de videojogos. Vários produtoras (a maioria amadoras) participaram na tentativa de conquistarem o primeiro prémio, que garante acesso a um Kit de desenvolvimento PS4, 10,000 euros em dinheiro, 50,000 euros em marketing nas plataformas PlayStation, e 10 meses num escritório em Lisboa.
A Sony reduziu entretanto o número de participações para 20, e deu a apresentou-os a jornalistas portugueses. O Gamereactor teve a oportunidade de observar os projetos e conversar com alguns produtores. Existem mais jogos portugueses promissores que estiveram nos Prémios PlayStation, e outros que não participaram no evento, mas escolhemos destacar três jogos que queremos definitivamente jogar em 2016, ganhem ou não a iniciativa da Sony.
Strikers Edge
Produtora: Fun Punch
Site oficial: strikersedgegame.com
Segundo a opinião generalizada no evento, Strikers Edge será o grande favorito a ganhar os Prémios PlayStation. O projeto está a ser construído por Tiago Franco e Filipe Caseirito, da Fun Punch, e beneficia do facto de estar em produção há mais de dois anos, enquanto muitos dos outros concorrentes ainda estão numa fase embrionária. Strikers Edge está já bastante polido, e mais importante que isso, é divertido e viciante.
Trata-se de um jogo focado no multijogador, que coloca dois ou quatro jogadores (duas equipas) em confronto. A ação decorre com uma perspetiva lateral ao alto e utiliza um engraçado grafismo 2D, que lembra títulos como Towerfall Ascension, embora mais detalhado e colorido. O espaço das arenas é muito limitado e cabe todo no ecrã, separando as equipas com um rio, o que promove combates à distância.
A ação em Strikers Edge é frenética, e segundo a produtora, pretende oferecer uma jogabilidade acessível que qualquer jogador conseguia compreender facilmente, embora com profundidade suficiente para que seja difícil de dominar. Outro elemento que distingue Strikers Edge são os pormenores engraçados que a Fun Punch está a incluir no jogo. As arenas têm bancadas, com fãs de cada lutador, mas o número de adeptos presentes depende do sucesso do lutador. Ou seja, se tiverem 5 vitórias seguidas terão casa cheia, enquanto que se o adversário vier de várias derrotas, terá a bancada vazia.
Strikers Edge é divertido, está cheio de pormenores deliciosos, e tem tudo para ser um sucesso além fronteiras. Esperemos que a Fun Punch possa cumprir o potencial do seu projeto.
Outro jogo que despertou a nossa curiosidade durante os Prémios PlayStation foi Cosmonaut, uma experiência na primeira pessoa que se passa no espaço. Os jogadores vão controlar um astronauta, numa estação espacial sem gravidade, que se move graças ao ligeiro jet pack do seu fato, que lhe permite navegar com total liberdade num espaço 3D.
Cosmonaut é sobretudo um jogo de exploração e sobrevivência, que irá pedir ao jogador que tenha atenção a vários elementos pouco habituais nos videojogos. Vão precisar de combustível para alimentar o jetpack do fato, oxigénio para se manterem vivos e energia para os sistemas de suporte (como luz). A vossa tarefa será a de explorar o cenário à procura de itens que vos possam ajudar a sobreviver tempo suficiente para descobrirem pistas sobre a história.
A produtora Ground Control Studios está a tentar uma abordagem muito realista, não só visualmente (um dos elementos mais impressionantes do jogo), mas também mecanicamente. Por exemplo, um choque forte no visor pode parti-lo e isso seria - obviamente - um grave risco para a sobrevivência do jogador. O jogo chegou mesmo a ser descritor como um simulador espacial, e é isso mesmo que parecer ser.
Outro ponto curioso de Cosmonaut, é que está a ser desenhado também para a realidade virtual. O jogo já é compatível com o Oculus Rift e até com o Kinect v2, mas isso irá obviamente mudar caso o projeto seja aprovado pela Sony, passando a ser um exclusivo PlayStation 4. De qualquer forma, pelo que experimentámos, Cosmonaut não teria problemas para se adaptar ao PlayStation VR.
Cosmonaut é um jogo ambicioso e original, que pode oferecer uma experiência particularmente imersiva na realidade virtual. O Prémios PlayStation mostrou-nos vários projetos ambiciosos e originais, mas nenhuma pareceu tão perto de concretizar o seu potencial como Cosmonaut.

Enter Kowloon
Produtora: Game Studio 78
Site oficial: www.facebook.com/EnterKowloon
Já podem conhecer a Game Studio 78 de Hush, um jogo que infelizmente acabou por defraudar as expetativas, mas a produtora parece querer corrigir os erros do passado, e o projeto que apresentaram durante os Prémios PlayStation foi muito interessante. Um dos pontos fortes de Hush é a sua arte, e um dos pontos fracos foi a forma como utilizaram o 3D. Com Enter Kowloon, a Game Studio 78 parece ter percebido quais são as suas forças e as suas fraquezas.
Enter Kowloon será um jogo de ação em 2D com perspetiva lateral. Pensem em algo como Streets of Rage ou Final Fight, e terão uma ideia do que a Game Studio 78 tem planeado para este jogo. Além da arte, um dos pontos que distingue claramente este projeto é a sua localização, Kowloon. Esta área urbana de Hong Kong chegou a ser uma das mais densas do mundo inteiro, combinado comércio, crime e miséria numa grande concentração de pessoas num espaço pequeno.
O jogo vai passar-se em Kowloon, e o herói terá de lidar com vários adversários para chegar ao seu objetivo, mas não através de um trajeto linear. Os jogadores terão inúmeros caminhos a seguir através desta cidade massiva, e podem tomar rotas completamente diferente. Podem visitar prédios e apartamentos numa segunda ou terceira sessão que nunca viram nas sessões anteriores, e percorrer uma rota inteiramente nova.
O sistema de combate, segundo a Game Studio 78, será um misto de Street of Rage com Batman: Arkham Knight, aplicando um sistema de ataques e contra-ataques, mas sem combinações de golpes. Parece sim, segundo indicou o vídeo exibido, existir uma particular atenção à violência. Durante um dos ataques o protagonista partiu o braço de um dos atacantes, e o ecrã focou o osso a partir com grande impacto (imaginem os ataques Raios X de Mortal Kombat X).
A Game Studio 78 desiludiu-nos pela forma como abordaram Hush, mas parecem ter aprendido com os erros. Esperemos que seja o caso, porque Enter Kowloon parece ser o tipo de jogo que nos iria prender durante horas de boa pancadaria.
