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Análises Toukiden: The Age of Demons

Toukiden: The Age of Demons

Dynasty Warriors misturado com Monster Hunter, num jogo de combate exclusivo da PS Vita.
Mathias Holmberg Testado em PS Vita 21 Fevereiro 2014

Num movimento determinado, carregamos no botão e enfiamos os nossos punhais afiados no crânio da enorme aranha. A criatura geme, enquanto se esvai em sangue, e nós deixamos escapar um grito de vitória, para horror da mulher ao nosso lado do autocarro. É uma sensação invulgar, a de derrotar um monstro horrível passados quinze minutos intensos de combate, sentados num autocarro. A senhora levanta-se, provavelmente para procurar outro assento sem caçadores de demónios loucos. A nossa paragem? Já a passámos há largos minutos.

Tudo isso é irrelevante, considerando que acabámos de salvar uma aldeia inteira de uma horda de monstros. Melhor ainda, recolhemos os materiais necessários para criar uma lâmina gigante, que em breve nos ajudará a lidar com escorpiões gigantes. Há oito anos que estes seres não rumavam pelo mundo. O Japão Feudal tornou-se num inferno flamejante, desde que os Oni decidiram reaparecer, não nos dando outra alternativa senão procurá-los e abatê-los.

Vão iniciar o jogo como um novato, de uma ordem nobre e orgulhosa, aprendendo a enfrentar as ameaças que pairam sobre a aldeia. Este mundo de fantasia, criado pela Omega Force (famosa por Dynasty Warriors) é inspirado pela mitologia japonesa. Samurais equipados com armas abençoadas, espíritos capazes de grandes magias, e tudo o que é maléfico tem cornos, asas, ou ambos. Não é muito original, mas o design é competente e bem executado.

Os cenários também são interessantes, pelos menos vistos ao longe. Florestas vastas, montanhas enormes e quedas-de-água elegantes encantam o pequeno ecrã da portátil. Mas as aparências iludem um pouco, já que na realidade tudo é muito linear e confinado a paredes invisíveis. Cada cenário é formado por uma seleção de arenas fechadas, sem terreno intermédio, e a única coisa que povoa esta zonas são inimigos. Assim que lidarem com todos, podem seguir para a arena seguinte, e quando todas estiverem limpas, regressam automaticamente para a vila. Não existe qualquer tipo de exploração, o que dificulta a uma imersão eficaz do mundo de jogo ou da história.

Percebemos o design minimalista, mas a reciclagem abusiva dos cenários é difícil de desculpar. A campanha está dividida em vários capítulos, cada com uma dúzia de desafios para cada área. Isto significa que vão começar a missão, matar alguns monstros, regressar à vila para começar o próximo desafio e depois regressar à mesma zona. Isto simplesmente não é suficiente em termos de variação, além de também não ser particularmente excitante.

O foco está praticamente todo no combate. O que estão a matar ou porquê é secundário. Felizmente, nesse aspeto Toukiden resulta bem. Como novatos, poderão escolher entre seis tipos de armas. Existem espadas enormes, lâminas duplas, punhos fortalecidos, lanças, arco e flecha e matracas afiadas. Ao contrário do resto do jogo, as armas têm todas um aspeto e uma sensação peculiar.

Todos os inimigos têm forças e fraquezas, que devem ser exploradas para que possam sair vitoriosos - devem perceber que tipo de ferramenta devem usar para cada situação. Esmagar um grupo de gnomos com os punhos nunca se torna aborrecido, mas se encontrarem uma cobra venenosa, é melhor tentar ganhar distância e utilizar as matracas ou o arco. As armas têm um peso credível e o combate tem um aspeto fantástico, graças às animações suaves e os efeitos bombásticos - tudo a correr no ecrã soberbo da Vita. E isto considerando que podem juntar quatro jogadores em simultâneo.

O combate é reforçado com vários elementos RPG. Podem criar novas armas a partir de ossos, carapaças e cornos retirados dos inimigos derrotados. Eventualmente serão apresentados ao vosso primeiro Mitama. Um Mitama é uma alma que estava presa dentro de um Oni, até o libertarem. Estas Mitamas podem ser encaixadas em certas armas, garantindo alguns poderes sobrenaturais. Por exemplo, uma Mitama garante poderes vampíricos à arma, roubando saúde ao inimigo, oferecendo-a ao jogador.

É quando Toukiden: The Age of Demons introduz os bosses massivos que o combate realmente revela todo o seu potencial. Estas bestas colossais gozam de um bom design e são extremamente mortíferas. Terão de utilizar todo o vosso conhecimento sobre o sistema de combate para prevalecer. Estas batalhas épicas duram, normalmente, mais de 10 minutos, com múltiplas fases, alternando os pontos fracos do boss e os seus padrões de ataque.

Provavelmente vão precisar de várias tentativas para encontrarem a tática vencedora. Infelizmente, a inteligência artificial não é muito competente, por isso é altamente recomendado que tentem enfrentar estes inimigos mais poderosos com outros jogadores. Se forem amigos e coordenarem os vossos ataques e táticas, Toukiden torna-se numa experiência excecional. Melhor ainda se depois de o derrotarem conseguirem criar uma arma mais poderosa com os espólios.

Este ciclo constante, entre matar seres maléficos e depois utilizar os restos para criar armas melhores de forma a derrotar monstros ainda maores, é algo que já vimos em Monster Hunter e God Eater, por exemplo. Estes jogos sempre oferecem mais em termos de opções, cenários e objetivos, mas Toukiden é mesmo assim excelente na hora do combate. Se isso é suficiente para vocês, e sobretudo se pretendem desfrutar do jogo com amigos, Age of Demons é uma proposta a considerar.

7
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Sistema de combate ambicioso. Batalhas de Bosses intensas. Bom design. Jogo fluido. Música agradável.
Contras Mundo de jogo implora por mais conteúdo. História não consegue prender a imaginação. Grafismo simples.
Nota da rede Média de 3 edições da Gamereactor
7,0
Gamereactor 7
Gamereactor España 7
Gamereactor Portugal 7
Perfil completo 10 artigos publicados
7
Bom Nota da rede em 3 edições
Dados do jogo
Produtora Omega Force
Editora Tecmo Koei
Data de lançamento 13 Fevereiro 2014
Testado em PS Vita
Género Action
Plataformas
PS Vita
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.