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Gamereactor Análises The Town of Light
Análises The Town of Light

The Town of Light

Uma história que mistura ficção e realidade, através de uma viagem agonizante a um asilo italiano.
Fabrizia Malgieri 25 Fevereiro 2016

Uma das páginas mais tristes e vergonhosas da história italiana prende-se com a regulação legal dos hospitais psiquiátricos que entrou em vigor em 1904, quando muitos hospitais começaram a proliferar com alarmante velocidade no país. Estas instituições pareciam mais prisões e locais de tortura do que hospitais, onde os "malucos" eram escondidos dos olhos da população. "Malucos" como homossexuais, rebeldes, ou oponentes político do governo. Estes hospitais psiquiátricos, ou asilos, foram locais que ficaram conhecidos anos mais tarde pela inexplicável violência que por lá se praticava, onde a humanidade parece ter ficado à porta para dar lugar a uma brutalidade sem nexo.

The Town of Light é o primeiro jogo produzido por este estúdio independente italiano, LKA.it, e segue a história fictícia de uma rapariga de 16 anos chamada Renee. A curiosidade é que, embora a personagem seja fictícia, o local onde a ação decorre - o asilo de Volterra - existiu mesmo. O que The Town of Light faz é abrir esse mundo perverso ao jogador, onde os pacientes eram tratados com diferentes tipos de crueldades. Se estão à espera de grandes sustos, não vão encontrar isso em The Town of Light. É antes uma experiência mais perturbadora do que assustadora. O maior mérito da LKA.it acaba por ser a forma como aplica a extensa pesquisa histórica que realizou, através da consulta a vários ficheiros médicos de Volterra, recheados de histórias arrepiantes.

Em termos mais técnicos, The Town of Light assume-se como uma aventura psicológica na primeira pessoa (foi assim definido pelos próprios produtores), onde vão explorar o arrepiante hotel. A título de curiosidade, o asilo de Volterra foi encerrado em 1978, como resultado da aprovação da lei de Basaglia, que obrigou a uma extensão revisão dos hospitais psiquiátricos de Itália. Ainda assim, a recriação do asilo parece extremamente fiel, a julgar pelos ficheiros e imagens que existem do local. O jogador também vai acompanhar as memórias de Renee, descobrindo os motivos que a levaram até ao asilo.

A jogabilidade de Town of Light concentra-se sobretudo em duas mecânicas: a exploração do ambiente (onde podem encontrar ficheiros médicos) e a resolução de alguns puzzles simples. A certo ponto também podem começar a tomar decisões na história, que acaba por influenciar o desenrolar da mesma. Essa divisão da narrativa permite ao jogador explorar os elementos da história de Renee que achar mais interessante. Gostámos que o jogo não imponha um percurso narrativo linear ao jogador, mas antes o exponha a um período da história italiana que ficou marcado por grande pobreza, ignorância e a presença opressiva do fascismo. Já o referimos, mas nunca é demais enaltecer a qualidade do trabalho de pesquisa da produtora, representado no jogo na forma de posteres, propaganda e artigos de jornais.

Além da reconstrução meticulosa do asilo de Volterra, também apreciámos o estilo gráfico das sequências de vídeo, que nos lembraram de algumas bandas desenhadas clássicas de Itália. Esse fator, aliado a uma contribuição positiva por parte dos atores, oferece grande sentimento e elegância às memória de Renee. O que é real e o que faz parte da imaginação da jovem, fica para o jogador descobrir.

The Town of Light merece vários elogios, mas também algumas queixas. A qualidade da recriação histórica e a força do enredo acabam por ser agastados com uma qualidade técnica inferior do jogo. Encontrámos quebras regulares de fluidez, sem justificação aparente, e vários "bugs" que nos prejudicaram seriamente a experiência. Isto num jogo que, graficamente, está muito longe de ser impressionante.

Apesar destes problemas que devem ser considerandos, o trabalho da LKA.IT como um todo deve ser reconhecido, sobretudo quando se trata do seu primeiro projeto. É uma experiência muito peculiar entre os videojogos, que explora uma das páginas mais tristes da história italiana. Se conseguirem suportar os problemas técnicos e vos interessar uma história manifestamente adulta, é um jogo que devem considerar.

7
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Enredo interessante, reforçado com importante contexto histórico. Bom exemplo do que os jogos podem conseguir num contexto cultural.
Contras Graficamente é fraco e inclui vários erros técnicos.
Nota da rede Média de 5 edições da Gamereactor
7,4 amplitude 7–8
Gamereactor 8
Gamereactor Deutschland 7
Gamereactor España 7
Gamereactor Italia 8
Gamereactor Portugal 7
Perfil completo 1.004 artigos publicados
7
Bom Nota da rede em 5 edições
Dados do jogo
Produtora LKA.it
Editora Wired Productions
Data de lançamento 25 Fevereiro 2016
Género Horror, Adventure
Plataformas
PC Mac Linux Xbox One
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.