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The Legend of Zelda: Breath of the Wild

The Legend of Zelda: Breath of the Wild

Já não se fazem aventuras destas.

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Foi uma longa e angustiante espera para os fãs de The Legend of Zelda, mas valeu a pena. Breath of the Wild é um jogo fantástico, repleto de possibilidades e pormenores geniais. São largas dezenas de horas de jogo aqui guardadas, com o potencial de vos proporcionarem a aventura mais épica de Link até à data. Não é perfeito, longe disso até, mas podem ficar descansados - Breath of the Wild é especial.

Dificilmente poderia ter sido de outra forma, já que carrega o fardo de cumprir um duplo propósito quando chegar a 3 de março. Além de ser a despedida merecida da Wii U, é também a bandeira maior da Nintendo Switch, e potencialmente o grande impulsionador da nova consola - mais talvez que qualquer Mario se calhar seria. Este é também um jogo muito importante para a saga - o mais importante desde Ocarina of Time. É um Zelda arrojado, que tenta finalmente cumprir em definitivo com a visão de uma Hyrule que os jogadores podem explorar sem limites.

Este é o primeiro jogo 3D de The Legend of Zelda que funciona em completo mundo aberto, sem limites de exploração, e sem ecrãs de loading (excepto viagens rápidas e entre santuários), e que mundo fantástico é este. Fantástico, e massivo. O mapa de Breath of the Wild é incrivelmente vasto, e não apenas o horizonte. Graças a inúmeras montanhas, torres, e até uma cidade voadora, The Legend of Zelda: Breath of the Wild tem também uma verticalidade impressionante. A isso podem juntar uma sensação de liberdade estupenda. Não existem barreiras invisíveis de qualquer espécie, e podem trepar tudo (pelo menos não encontrámos nada que nos impedisse) no jogo, de casas e ruínas, a árvores e montanhas.

O mundo em si está recheado de conteúdo. É um jogo que convida à exploração, sobretudo porque não existem 200+ pontinhos no mapa a lutar pela atenção do jogador. Isto permite ao jogador explorar verdadeiramente o mundo sem estar a olhar para o mini-mapa, e incentiva a espreitar as ruínas, a subir uma montanha para ver o que está do outro lado, ou a visitar os muitos pontos de interesse e curiosidades que existem no mundo. Pode ser uma enorme árvore gigante caída, um acampamento inimigo, um lago com um tesouro, ou uma bola de metal acorrentada a um tronco. Há sempre algo pronto a despertar a curiosidade do jogador, e adorámos essa sensação de exploração.

Também existem várias povoações, desde vilas com moinhos, a aldeias pesqueiras junto ao mar, passando por vários estábulos espalhados pelo mundo. Nestas localizações podem conversar com todas as personagens, e cada uma segue o seu ritmo. Como o jogo inclui um ciclo noite/dia e um sistema climatérico, as personagens vão agir de acordo com o contexto em que se encontram, seja hora de ir trabalhar ou dormir, por exemplo. Todos estes locais têm curiosidades e missões secundárias que podem aceitar, embora nem todas sejam interessantes.

The Legend of Zelda: Breath of the Wild é um jogo muito focado na jogabilidade e no mundo, não tanto na estória ou nos contextos das missões. Aqui não vão encontrar uma experiência cinemática, um guião inteligente, ou personagens profundas, ou pelo menos, não ao nível de um Witcher, Mass Effect, ou Fallout. É tudo muito simples e até algo infantil, quase como se tivesse saído de uma animação japonesa para crianças. Existem claro algumas personagens memoráveis, e alguns diálogos divertidos, e a estória tem os seus momentos impactantes, mas esse não é o foco de Legend of Zelda.

O que realmente importa é a aventura, e as inúmeras oportunidades de jogabilidade que vão encontrar pelo caminho. Como Link podem usar armas de ataque físico, arco e flecha, e algumas habilidades desbloqueadas com o Sheikah Slate. Este dispositivo assemelha-se um tablet de alta tecnologia que Link pode usar, e que lhe permite tirar fotografias, visionar e marcar pontos no mapa, e usar uma série de habilidades especiais. Entre esses poderes inclui-se a capacidade para criar blocos de gelo na água, mover objetos de metal com um íman, parar o tempo para certos itens, e criar bombas de energia (e ainda podem usar Amiibos para invocar ajudas, como o Wolf Link, uma vez por dia).

O sistema de combate é uma evolução do que conhecemos de Zelda, permitindo prender a câmara e o movimento de Link a um inimigo. Podem saltar e desviar para trás e para os lados, e se o fizerem no momento certo, podem atingir o oponente com uma série de golpes. Depois é o tipo de arma que carregam que vai determinar como lutam. As lanças são longas e velozes, enquanto que as espadas de uma mão podem ser equipadas em conjunto com um escudo. Machados, martelos gigantes, e espadas grandes têm de ser brandidas com as duas mãos, aumentando a capacidade de dano, mas reduzido a defesa porque não podem levantar o escudo. Existem vários estilos disponíveis - incluindo um simples, mas eficaz sistema de ação furtiva -, mas o que vão usar nem sempre depende da vossa vontade.

Durante a aventura vão apanhar uma série de armas e escudos com diferentes estados de durabilidade. Zelda não é o primeiro jogo onde as armas se partem com o uso, mas não nos lembramos de outro jogo em que as armas se partam com tamanha facilidade. Inicialmente é bastante frustrante, sobretudo porque podem querer adotar um estilo específico de combate, mas o jogo não foi desenhado assim. Aqui terão de se ajustar à arma que têm, e não o contrário. Seja como for, com o avançar das horas vão começar a recolher armas superiores que duram mais tempo. Nota ainda para o equipamento. Podem vestir peças para a cabeça, as pernas, e o tronco, com vários formatos visuais e utilidades. Algumas peças melhoram a capacidade furtiva de Link, outras aumentam a velocidade com que trepa estruturas, e assim por diante. Ficámos surpreendidos por ver um elemento tão "RPG" num The Legend of Zelda, mas é bastante suave.

Outro elemento importante da jogabilidade é a resistência, que se esgota quando atacam, correm, nadam, ou trepam algo. Quando começam o jogo terão pouca energia, mas ao recolherem esferas dos santuários, podem aumentar a energia ou a saúde de Link. Uma escolha difícil, e uma vez tomada, não há volta a dar, mas é um tremendo incentivo para procurar e visitar estes santuários, até porque Breath of the Wild não é nenhum passeio em termos de dificuldade. O jogo pode ser bastante duro, e podem encontrar inimigos capazes de vos matar com um único golpe. Felizmente o jogo salva com bastante frequência (e podem guardar a qualquer momento), por isso nunca devem perder muito tempo.

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Nos últimos anos Far Cry 3 tornou-se uma inspiração para muitos jogos em mundo aberto, e nem Zelda se livrou de escolhas de design que ultimamente associamos aos jogos da Ubisoft. O mundo está dividido em várias áreas enormes, mas para desbloquearem o mapa de cada região têm de trepar uma torre. Algumas destas torres são mais fáceis de trepar que outras, mas a mecânica é quase sempre a mesma. A torre não serve apenas para desbloquear o mapa, tem também um propósito mais prático. A altura da torre permite ter uma visão alargada da área, perfeita para marcar pontos de interesse no mapa como os santuários.

Outro ponto que ultimamente associamos a Far Cry é a caça e a recolha de recursos, algo que também está presente em The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Existem vários animais que podem caçar, como sapos, peixes, javalis, ursos, alces, esquilos... e alguns só são encontrados em contextos especiais, como os pirilampos, que só aparecem à noite. Também podem apanhar inúmeros ingredientes espalhados pelo mundo, como cogumelos, maçãs, colmeias, e plantas.

Breath of the Wild não tem um sistema de criação de itens ou equipamento, mas permite cozinhar refeições e criar poções. Isto é feito junto a caldeirões espalhados pelo mundo, e é tudo através de senso comum e experimentação do jogador. A maioria das refeições restaura a saúde de Link, mas também podem criar refeições e poções com efeitos extra. Um prato com malaguetas vai aumentar temporariamente a resistência de Link ao frio, por exemplo, e uma poção com pirilampos vai aumentar a sua capacidade furtiva. Existem inúmeras possibilidades que podem criar, e salvo o inventário algo atabalhoado, é uma mecânica divertida e útil.

Mas o melhor de The Legend of Zelda: Breath of the Wild são os pormenores e possibilidades que a Nintendo colocou no jogo. Por exemplo, durante uma tempestade podem ser atingidos por relâmpagos se tiverem metal equipado, ou se estiver a chover, será muito mais difícil trepar algo. Para navegarem os rios com as jangadas podem usar folhas gigantes para criar vento, e se atingirem uma colmeia próxima de inimigos, as abelhas vão atacá-los. Podem cortar árvores para fazer de ponte provisória, e se destruírem a árvore podem recolher lenha, que depois pode ser usada para criar uma fogueira. Até podem colocar o escudo debaixo dos pés de Link para servir como uma espécie de prancha enquanto deslizam pelas encostas. Se aproximarem uma flecha do fogo vai ficar em chamas, e se atingirem poças perto de inimigos com flechas de electricidade, vão electrocutá-los. A certo ponto podem usar o Sheikah Slate para tirar fotos, e ao apanharem um inimigo na câmara, vão receber informações e dicas de táticas que podem usar. Isto são apenas exemplos das muitas possibilidades, e da atenção ao detalhe de The Legend of Zelda: Breath of the Wild, e é algo que incentiva à experimentação com tudo o que têm ao vosso dispor.

É um jogo verdadeiramente especial, mas como referimos no início, não é perfeito. Se são novatos na saga, devem ficar já avisados de que apesar de todas as suas novidades e mudanças, Breath of the Wild ainda é em muitos aspetos um jogo clássico - ou como dirão alguns, antiquado e datado. O facto da maioria dos diálogos acontecerem sem voz, apenas através de balões de texto, é algo típico para a série que não irá incomodar os fãs da saga, mas parece-nos datado para o panorama atual dos videojogos. Pior contudo é o estado tecnológico do jogo.

Comparando com o que temos visto nas outras consolas, The Legend of Zelda: Breath of the Wild é uma desilusão em termos gráficos, mas nem sequer é preciso ir para outras plataformas. Se olharmos para as primeiras imagens que a Nintendo revelou do jogo, e o seu estado final, é possível verificar uma diferença abismal na qualidade gráfica, com claro prejuízo para a versão final. Embora o estilo de arte seja fantástico, tecnicamente, Breath of the Wild tem momentos em que é francamente 'feio'. Texturas horríveis, largas porções do mapa vaziais, e pior ainda, quebras de fluidez assinaláveis. A jogar em modo TV na Switch, encontrámos várias situações em que o jogo não conseguiu manter os 30 frames por segundo de base, o que é uma tremenda desilusão, sobretudo considerando que a Nintendo costuma optimizar os seus jogos com grande cuidado. Em termos sonoros, Zelda cumpre, mas também aqui não deslumbra. Como já referimos, a esmagadora maioria dos diálogos não são falados (apenas nas sequências de vídeo), e os efeitos sonoros são bons, mas simples. Depois de jogar algo como Horizon: Zero Dawn, que tem uma ambiência sonora impressionante, torna-se mais difícil apreciar a simplicidade de Zelda nesse aspeto. E é preciso referir que Breath of the Wild não está localizado para português, o que é também uma desilusão.

Costuma dizer-se que o importante é a jogabilidade, não o grafismo, e concordamos. Num jogo, o mais importante é de facto a jogabilidade, mas isso não significa que o grafismo e os avanços tecnológicos não contem. É perfeitamente possível ter gráficos impressionantes aliados a uma jogabilidade ou uma experiência de jogo fantástica, como tantos outros jogos nos mostraram ao longo dos anos. O lado técnico também conta, e é por falhar nesse campo que Legend of Zelda: Breath of the Wild não atinge um estatuto ainda maior, mas isso não vos deve dissuadir de experienciarem este jogo fantástico, seja na Wii U ou na Nintendo Switch.

Breath of the Wild é perfeitamente abordável por completos novatos à saga, mas se são fãs, vão amar este jogo. A quantidade de referências que vos esperam é impressionante e são deliciosas, mas é a experiência de jogo que realmente eleva esta aventura de Link. Não é necessariamente uma revolução para os videojogos no geral, mas é uma autêntica revolução para a saga, e isso por si só é digno de mérito e reconhecimento.

Se estão a pensar dedicar as vossas próximas horas de jogo a The Legend of Zelda: Breath of the Wild, não vão ficar desiludidos. É de facto um jogo especial.

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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Mundo massivo com incentivo à exploração. Jogabilidade repleta de possibilidades. Excelente variação de ritmo, Vai ser muito especial para fãs da saga. É enorme e está cheio de conteúdo.
-
Graficamente está aquém dos videojogos modernos. Problemas de optimização evidentes. Alguns elementos de jogo datados. Partes vazias no mundo.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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