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The Last of Us: Parte II

The Last of Us: Parte II - Incompreendido e injustiçado, mas triunfante

A minha opinião, com Spoilers, de toda a situação que se passa em torno de The Last of Us: Parte II.

The Last of Us: Parte II

"Alguns fãs de The Last of Us não vão gostar deste jogo, não vão gostar da sua direção, e não gostar do destino das personagens que adoram. Mas eu prefiro que odeiem apaixonadamente The Last of Us: Parte II do que lhe sejam indiferentes."

Esta afirmação é do diretor de The Last of Us: Parte II, Neil Druckmann, e o seu desejo concretizou-se, já que ódio apaixonante pela sequela é o que se tem visto mais pela internet nestes últimos dias. Claro que também existem muitos que adoram The Last of Us: Parte II, mas como é habitual nestas situações, os que odeiam acabam por fazer muito mais barulho do que todos os outros.

Twitter, Facebook, Youtube, Reddit, Twitch... tudo serve como palco de guerra para discussões acesas acerca de The Last of Us: Parte II. Eu pessoalmente caio no lado da barricada dos que adoraram esta sequela, como foi óbvio pela análise que escrevi, um sentimento partilhado por vários outros colegas de profissão. Aliás, The Last of Us: Parte II está entre o Top 50 dos jogos mais bem cotados de todos os tempos no Metacritic, o que mostra bem o que foi a receção esmagadoramente positiva dos jornalistas em relação a The Last of Us: Parte II.

Mas também nós acabámos por ser vítimas nesta guerra.

Para vários fãs, alimentados por alguns "influenciadores" que têm as suas próprias contas a ajustar com a Naughty Dog e com a Sony, a ideia de dar uma nota muito positiva a The Last of Us: Parte II é inconcebível, o que significa que os jornalistas ou foram comprados, ou são defensores de propaganda liberal. Honestamente existem piores causas para defender, mas nem é o caso. As notas esmagadoramente positivas devem-se apenas a uma coisa: o raio do jogo é mesmo fantástico e poderoso.

Significa isto que uma pessoa não tem o direito de não gostar de The Last of Us: Parte II? Claro que não, até é uma reação natural. É um jogo com muita carga emocional negativa, que fará o jogador sentir-se miserável, traído, dividido, e emocionalmente esgotado. The Last of Us: Parte II não foi feito para agradar aos fãs de Joel e Ellie, e não foi feito para deixar o jogador feliz ou realizado. Foi antes desenhado para retirar várias emoções do jogador, e isso consegue-o com mestria. A maior prova disso mesmo é que não basta não gostar de The Last of Us: Parte II. Para muitos é mesmo preciso odiá-lo ao ponto de o massacrar com notas extremamente negativas, e de o deitar abaixo repetidamente em vários fóruns públicos. Isso por si só mostra que o jogo é triunfante, que conseguiu aquilo a que se propôs, porque são poucos os que lhe são indiferentes.

AVISO: A partir deste ponto, o artigo inclui spoilers para The Last of Us: Parte II, Infamous, e Spider-Man!

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Mas porque é The Last of Us: Parte II um jogo tão divisivo? Bem, existem vários fatores, mas dois são bastante óbvios: Joel é assassinado de forma cruel e brutal, e o jogador ainda é obrigado a jogar com a sua assassina durante praticamente metade do jogo.

"Como é possível a Naughty Dog obrigar-me a jogar com a vilã durante tanto tempo?"

Esta foi uma das principais reações, primeiro quando se souberam os leaks, e depois quando o jogo saiu, mas será que é mesmo assim? Será que o jogo nos obriga mesmo a jogar com a vilã? Sim, obriga, mas não estamos a falar apenas de Abby. O que The Last of Us: Parte II nos mostra é que todos podemos ser vilões na história de outras pessoas, e já o primeiro jogo o fazia. Para alguns, Joel pode parecer o herói que salvou Ellie, mas para os Fireflies, ele é certamente o vilão da história. Estamos a falar de alguém que massacrou médicos, cujas intenções passavam apenas por salvar a humanidade.

Lembra-se do primeiro Infamous? A certo ponto da história havia uma decisão que determinava o protagonista Cole McGrath como herói ou vilão, e essa escolha envolvia optar por salvar a namorada e deixar morrer uma série de médicos, ou vice-versa. Se salvasse a namorada, Cole tornava-se o vilão, mas se a sacrificasse, tornava-se um herói. Outro exemplo? Peter Parker, no mais recente Spider-Man, também tem de fazer uma escolha terrível, entre usar uma cura para salvar a Tia May, ou a população de Nova Iorque. Peter, como o herói que é, fez um sacrifício que provavelmente o atormentará para sempre, mas fez o que era certo.

Ou seja, Joel nunca foi um herói. Foi meramente humano perante uma situação impossível, e ao sê-lo, tornou-se também num vilão legítimo para os Fireflies, e em particular para Abby.

É que é preciso perceber, é que os jogadores, ao exigirem a cabeça de Abby, ao exigirem que Ellie a massacre violentamente, deviam compreender Abby por ter feito exatamente aquilo que eles agora desejam que Ellie faça. É que na perspetiva de Ellie e Joel, Abby e companhia são de facto os vilões, mas o que The Last of Us: Parte II nos mostra ao colocar-nos na pele de Abby, é que Joel e Ellie são tão - ou mais - vilões na sua própria história.

The Last of Us: Parte II é um jogo que pode ter muitas interpretações, como o paralelismo das sagas de Joel e Abby. Quando Ellie caiu no colo de Joel, este era um homem fechado e insensível, culpa de ter perdido a filha e de ter feito tudo para sobreviver até ali. O mesmo é verdade para Abby, sendo que apenas é preciso trocar a filha pelo pai. Mas, tal como Ellie conseguiu resgatar a humanidade de Joel, também Lev fez o mesmo por Abby. A certo ponto, vingança deixa de ser uma prioridade para Abby, e cuidar de Lev passa a ser o seu principal objetivo, tal como aconteceu com Joel - defender Ellie era agora a sua prioridade, e a qualquer custo, como bem sabemos.

Ellie, infelizmente, só aprendeu isso mais tarde, já bem perto do final do jogo. Quando devia ter dado prioridade a Dina e ao seu filho, Ellie optou por voltar a procurar vingança, e essa inversão de prioridades custou-lhe tudo - a nova família e até os dedos necessários para tocar a guitarra de Joel. Mas o mais importante é que aprendeu, que conseguiu perdoar Abby, tal como tinha prometido a Joel que iria tentar perdoá-lo pelo que fez aos Fireflies. Ellie cresceu ao longo de The Last of Us: Parte II, mesmo que a muito custo, mas por isso ainda existe esperança, tanto para ela, como para Abby, e só esperamos ter a oportunidade de um dia vermos os frutos disso num eventual The Last of Us: Parte III.

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