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The Church in the Darkness

The Church in the Darkness

Um jogo inspirado pela tragédia de O Templo do Povo em Jonestown.

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The Church in the Darkness não é uma recriação da tragédia O Templo do Povo em Jonestown, mas é altamente inspirado por esse evento. O jogo decorre na década de 1970 e coloca o jogador na pele de Vic, que viajou até à África do Sul para ver se está tudo bem com o seu sobrinho Alex. O rapaz tem estado a acompanhar a Missão Colectiva de Justiça, um culto religioso que tem como propósito construir uma comunidade independente na selva.

O objetivo de Vic, e consequentemente do jogador, passa por infiltrar o culto para encontrar o seu sobrinho. O que acontece a seguir depende das decisões e ações do jogador, numa narrativa aberta e dinâmica que define motivações diferentes para as personagens com cada passagem pelo jogo.

A nível de jogabilidade estamos a falar de um jogo de ação e infiltração com perspetiva isométrica, existindo alguma liberdade para serem discretos ou diretos, embora com maior tendência para a primeira abordagem. A visão dos inimigos é definida por um cone de visão ao estilo de Metal Gear Solid, e desde que estejam fora desse cone e não façam barulho, permanecerão escondidos. Esta comunidade não confia em estranhos, e sempre que forem vistos onde não devem, serão abatidos ou aprisionados.

Como referimos, o jogo oferece alguma liberdade, mas existem momentos em que terão obrigatoriamente de agir de forma sorrateira. Existem armas que podem recolher durante a aventura, mas as munições são limitadas, o que significa que eventualmente ficarão sem balas e em sarilhos. Outro factor que é preciso considerar é que a mira do jogo nem sempre é precisa, o que pode causar dificuldades em momentos de maior intensidade. Também vale a pena deixar bem claro que The Church in the Darkness não é exatamente realista. Como já referimos, o cone de visão dos inimigos é limitado, e desde que não façam barulho, podem matar um inimigo ao lado de um dos seus colegas que ele não irá dar por isso. A melhor forma de abordar a jogabilidade é pensar num sistema de regras e possibilidades, e não numa abordagem realista.

The Church in the Darkness

Este estilo de jogabilidade tem os seus momentos interessantes, sobretudo durante as primeiras horas, mas eventualmente começa a tornar-se evidente a falta de profundidade do jogo. Vão começar a repetir as mesmas táticas em contextos semelhantes, sem grandes oportunidades para experimentarem ou tentarem novas abordagens. Gostaríamos de ter visto algo mais opções, como armadilhas, "acidentes", e outras táticas semelhantes.

Além da jogabilidade, The Church in the Darkness vive também da história, algo que começam a definir logo no início da aventura, respondendo a algumas questões colocadas pelo jogo. Podem escolher uma personalidade aleatória para Vic, ou defini-la como preferirem, mas não serão aos únicos a determinar o rumo da história. As personalidades de Isaac e Rebeca Walker, os dois líderes da comunidade, também mudam sempre que começam uma nova passagem pelo jogo, e isso também tem impacto nos eventos da história.

Em The Church in the Darkness não existem barras de saúde ou vidas. Em vez disso, depois de serem abatidos vão acordar numa cela, onde terão uma conversa com Isaac ou Rebecca. O seguimento dessa conversa depende dos eventos do jogo, da vossa personalidade, e das personalidades do casal. Por exemplo, quando agimos de forma mais pacífica, com poucas mortes, tivemos a oportunidade de realizar algumas ações na cela, incluindo cozinha, mas depois de termos morto 207 inimigos (!), Isaac limitou-se a meter uma bala na nossa cabeça.

Isaac e Rebecca também podem ter motivações contraditórias um para o outro, e isso pode provocar algumas reviravoltas inesperadas na história. Tudo isto acaba por resultar num dos 19 finais possíveis. Quando dizemos finais, estamos a falar sobretudo de algumas diferenças no texto que serve de epílogo, o que não é assim tão recompensador quanto isso. Ainda assim, é esta abordagem dinâmica à narrativa que eleva The Church in the Darkness de um jogo razoável a um jogo interessante. Talvez até pudesse ter sido algo especial, se as personagens nos tivessem agarrado mais, mas não foi o caso.

The Church in the DarknessThe Church in the DarknessThe Church in the Darkness

A história ganha vida através da qualidade do argumento e das prestações dos atores que dão voz a Rebecca e Isaac, mas existem outras formas de enriquecer o conhecimento do mundo de jogo, através da propaganda que sai dos speakers, ou dos vários documentos que podem encontrar. Gostaríamos, contudo, que esses documentos fossem mais dinâmicos e interessante, mas a verdade é que a maioria é um pouco aborrecida de ler até ao fim.

A nível gráfico não devem esperar nada por aí além. Tecnicamente é muito simples, como tantos outros jogos indie, mas mesmo artisticamente não é muito inspirado. A atmosfera é boa e adequada ao tipo de ambiente que o jogo pretende criar, mas de resto não existe nada de muito memorável a nível visual. Gostámos, contudo, da banda sonora, que enriquece imenso o ambiente de jogo.

The Church in the Darkness é um jogo com alguns elementos medíocres, mas isso não nos impediu de continuarmos interessados até final, e ainda tivemos vontade de recomeçar para ver diferenças. Podia ter abordado alguns temas da era com maior profundidade, como as ceitas religiosas e o fanatismo, mas retrata bem o tema de propaganda e lavagem cerebral. Em resumo, The Church in the Darkness podia ter sido um jogo mais profundo, ao nível da forma como aborda certo temas e também em termos de jogabilidade, mas mesmo como está, podemos recomendá-lo a todos os que considerem o conceito interessante.

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07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
Jogabilidade tem momentos entusiasmantes. Boas oportunidades de Role-Play. Valor de repetição. Banda sonora distinta. Narrativa dinâmica.
-
A história pode tornar-se cansativa. Recorre demasiado à leitura de documentos. Jogabilidade começa a ficar previsível.
overall score
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