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Gamereactor Análises Tales of Berseria
Análises Tales of Berseria

Tales of Berseria

Longe da melhor forma, mas ainda digno de atenção.
Matti Isotalo 30 Janeiro 2017

Existem jogos que começam de forma lenta e aborrecida, que eventualmente sobem de ritmo e de qualidade. Depois existem jogos que começam de forma promissora, mas que não conseguem manter essa qualidade ao longo de toda a aventura. Tales of Berseria, infelizmente, encaixa na segunda categoria. O início do jogo, na perspetiva de um "vilão", é uma alteração interessante ao género RPG, mas o jogo não consegue dar continuidade a esse arranque.

Velvet é a protagonista de Tales of Berseria, agastada com uma estória trágica e pessoal. Durante as primeiras horas de jogo vão ver como esta rapariga normal de uma aldeia se transforma num híbrido de demónio e vampiro com armadura de combate pouco prática. É uma anti-heroína, com foco acentuado em "anti", que provavelmente seria a vilã em muitos outros jogos, sobretudo em clássicos RPG japoneses. Esta aventura de vingança vai levar Velvet através de várias áreas da região, expandindo o seu grupo de combate com personagens de variadas aspirações e habilidades.

Gostámos do arranque do jogo e da estória, mas a aventura acaba por perder gás com um ritmo lento, diálogos excessivos, e uma exposição desnecessária da estória. Os eventos principais são representados através de sequências de animação japonesa, mas a esmagadora maioria da estória é apresentada através de sequências interpretadas no motor de jogo - já muito datado para as aspirações de uma PS4 ou do PC. Também existem vários diálogos com balões de texto, sem voz, algo que é comum nos RPG japoneses, mas que começa a ser cada vez mais difícil de aceitar, sobretudo quando são usados tão frequentemente.

O enredo principal gira em torno de decepção, a criação de novos deuses, e uma região gerida à força por um estado religioso. É uma premissa interessante, que consegue manter o interesse do jogador mesmo quando o jogo começa a falhar noutros departamentos. Quanto às personagens em si, são interessantes, mesmo considerando que obedecem a arquétipos típicos dos RPG japoneses: o sério perito em combate, o rapaz ingénuo e inocente, o anti-herói cínico, e assim por diante. O jogo também não teme acrescentar algum humor e boa disposição à aventura, normalmente através de Magilou, uma bruxa que tem algumas interações hilariantes com outros membros (mais sérios) do grupo.

O jogo alterna sem pudor entre tragédia e comédia, o que não será totalmente estranho para quem está familiarizado com RPG japoneses, ou simplesmente com animação japonesa, mas jogadores menos acostumados podem estranhar esta abordagem. O facto do jogo permitir mudanças cosméticas nas personagens também pode interferir com a imersão na estória - é difícil levar uma cena emocional a sério se uma das personagens estiver vestida como peluche.

Tales of Berseria utiliza um sistema de combate em tempo real com recurso a combinações de ataques. Algumas batalhas tendem a durar segundos, enquanto que inimigos mais fortes (e sobretudo Bosses) podem estender a duração dos confrontos para vários minutos. Cada botão frontal do comando pode ser mapeado com uma série de ataques com características diferentes, embora o jogo também possa ser jogado com rato e teclado no PC. Contudo, fica a indicação de que o jogo funciona melhor e mais intuitivo com um comando.

O combate inclui várias camadas de complexidade, mas tudo é muito dependente de estatísticas, e em termos mecânicos não é entusiasmante. Berseria optou por ser um pouco mais intenso e dinâmico que outros RPG, mas falta-lhe a fluidez e a elegância que outros jogos de ação mais competentes já mostraram. Em comparação, o sistema de combate de Final Fantasy XV - mesmo sem ser perfeito -, consegue proporcionar batalhas em tempo real de melhor qualidade que as de Berseria.

A comparação entre os dois jogos é ainda mais esmagadora se considerarmos o elemento gráfico. Tales of Berseria é um jogo datado, que podia ter sido facilmente adaptado à geração anterior. As arquitecturas são simples, o mundo carece de detalhe, e a iluminação é muito básica. Os menus são também algo incompetentes e pouco claros, atrapalhando a exploração das habilidades ou a comparação de armas. No lado positivo, as personagens demonstram grande personalidade e os tempos de loading são bastante rápidos.

Em termos de estrutura, Tales of Berseria tem um início algo linear, mas eventualmente abre o seu para a exploração do jogo. Infelizmente porém, é um mundo vazio e com pouca vida. Existem várias masmorras para explorarem, mas não são emocionantes ou inspiradas, enquanto que as áreas abertas parecem existir somente para matar inimigos repetidamente enquanto sobem de nível e recolhem recursos. Se quiserem apanhar os tesouros e colecionáveis terão de caminhar de um lado do mapa ao outro, quase sempre em silêncio, o que pode ser muito aborrecido.

O início de Tales of Berseria é promissor, mas o jogo rapidamente assume a sua condição mediana. A estória principal é interessante, sobretudo por causa da protagonista brilhante e inesperada que é Velvet, mas a exploração de um mapa sem inspiração, um sistema de combate repetitivo, e o grafismo datado, acabam por prejudicar um RPG japonês que facilmente ter sido melhor. Não é um mau jogo, e se são grandes fãs do género, vale bem a pena a consideração, mas quando podia ser um jogo obrigatório, Tales of Berseria limita-se a ser uma alternativa razoável.

7
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Estória principal é boa, tal como Velvet e a sua perspetiva. Loadings velozes. Boas opções de personalização. Vozes em inglês e japonês.
Contras Grafismo datado. Combate repetitivo. Design sem inspiração.
Nota da rede Média de 8 edições da Gamereactor
7,1 amplitude 7–8
Gamereactor 7
Gamereactor Norge 8
Gamereactor Deutschland 7
Gamereactor España 7
Gamereactor France 7
Gamereactor Italia 7
Gamereactor Nederland 7
Gamereactor Portugal 7
Perfil completo 24 artigos publicados
7
Bom Nota da rede em 8 edições
Dados do jogo
Produtora Bandai Namco
Editora Bandai Namco
Data de lançamento 26 Janeiro 2017
Género RPG
Plataformas
PC PS4
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