Romance of the Three Kingdoms XIII funciona um pouco como um simulador militar num período histórico, combinando elementos RPG, com gestão e estratégia em tempo real. O jogo é todo baseado na era dos Três Reinos, na China, e pede ao jogador que governe exércitos de valentes guerreiros, e ajude a erguer comunidades saudáveis. Com uma fórmula já bem estudada, Romance of the Three Kingdoms XIII caminhou agora para a PlayStation 4, preenchendo um vazio do género na consola da Sony.
Um dos destaques do jogo é o modo Hero, que embora seja opcional, é altamente recomendado para novatos. Funciona com um tutorial disfarçado com uma campanha de estória, apresentando todas as bases e mecânicas que guiam a experiência. Vão começar com o jovem e corajoso guerreiro Liu Bei, enquanto o acompanham através de vários eventos chave durante a revolta dos Turbantes Amarelos. É uma mistura agradável de ação com momentos de narrativa, que evita que o modo se torne num aborrecido tutorial.
Depois de aprenderem a dominar os princípios básicos, estarão preparados para o modo principal de jogo. Vão começar por escolher um oficial de várias hipóteses possíveis, e depois eleger um de seis períodos desta era em que gostariam de deixar a vossa marca. É um modo muito flexível, com opções que permitem moldar a experiência de jogo ao gosto e ao nível de habilidade do jogador. Isto inclui definições como a esperança de vida da vossa personagem, se podem ou não morrer em batalha, e se o seu comportamento deve ou não manter-se fiel ao contexto histórico. Existem tantas opções, que na prática como criar duas experiências de jogo completamente diferente. Também podem criar uma personagem de raiz, com várias alternativas de personalização.
O grande objetivo a longo prazo desta campanha é unir toda a China, mas não será uma meta fácil de alcançar. Para terem sucesso não podem apenas ganhar no campo de batalha, também têm de o fazer fora dele. Isso implica o treino de tropas para que se tornem mais eficazes, formar alianças com aldeias vizinhas, e tomar várias decisões de gestão. É uma tarefa que inicialmente pode parecer assustadora devido à escala, mas isso só ajuda a tornar ainda mais satisfatórios os momentos de vitória.
Antes de começarem uma batalha podem escolher as personagens que vão liderar, e que tipo de tropas vão usar. Quando estão no terreno têm de seguir um caminho linear, e se ficarem sem recursos têm de regressar à base. Isto rouba o jogo de alguma profundidade tática e planeamento, além da possibilidade de escolher um ponto de encontro para as tropas.
Existem duas formas de conseguir a vitória numa batalhar: exterminando todas as forças inimigas, ou conquistando a base oposta. Também podem destruir campos inimigos para diminuir a moral das suas tropas, e construir armas que possam ajudar a defender os vossos perímetros. Nas sequências de batalhas mais intensas reparámos em quebras de frames por segundo, o que revela alguns problemas de optimização. Além desse problema técnico, também gostávamos que cada classe de tropas fosse mais distinguível e oferecessem maior variedade tática. Dito isto, existem confrontos muito intensos, sobretudo nos momentos em que cada lado da batalha tem apenas algumas centenas de unidades. Romance of the Three Kingdoms XIII funciona melhor com rato e teclado, mas a adaptação ao comando é muito eficaz. Podem pausar a ação, percorrer cada grupo de unidades, e definir as suas ordens.
Alguns duelos e debates funcionam quase como um jogo de pedra, papel, tesoura, e são apresentados num estilo cinemático. Estes duelos são batalhas por turnos com personagens a cavalo, enquanto que os debates exigem que o jogador consiga argumentar o seu ponto de uma forma lógica e autoritária. É uma pena que os duelos apenas aconteçam aleatoriamente, e sempre no mesmo pedaço desolado de deserto. Já os debates são mais divertidos, sobretudo porque é engraçado ver a energia do inimigo a desaparecer conforme gritámos e argumentamos com ele. Embora estas secções acrescentem alguma vida no plano geral de jogo, eventualmente tornam-se aborrecidas devido a uma falta de variedade e desafio.
A ausência de um modo multijogador parece-nos uma oportunidade desperadoes, já que a capacidade para desafiar oponentes online teria sido mais interessante que o modo a solo. Pior ainda, o seu antecessor com quatro anos tinha online, pelo que é mais difícil de compreender esta ausência. Ainda assim, é uma boa adição à série, e um dos melhores jogos de estratégia que podem comprar para PlayStation 4. Mais variedade e um modo online teriam ajudado, mas existe aqui potencial suficiente para entusiasmar os fãs do género.
