Skip to main content
Gamereactor Análises Rain
Análises Rain

Rain

Será que vale a pena jogar o último jogo oriundo do Japan Studio, nem que seja apenas por uma tarde chuvosa? Nem por isso...
David Caballero Testado em PS3/PSN 1 Outubro 2013

Adorámos Puppeteer e apoiamos esta aposta renovada da Sony em projetos mais inovadores e nos estúdios independentes. Rain era um título esperado, que pertence a esse grupo, e depois de Puppeteer as nossas expetativas eram razoavelmente altas. Mas infelizmente é mesmo que comparar cão e gato. Branco e preto. Ou melhor ainda, se um é como uma manhã de primavera colorida e radiante, o outro é um fim de tarde cinzento e chuvoso de inverno.

O jogo conta-nos a história de uma criança invisível que persegue uma menina também invisível, que tem a chuva como único aliado e que lhe permite ser visto, quando é necessário. A premissa e a jogabilidade parecem interessantes. O jogo narra a história como se fosse um conto, através de palavras que aparecem no cenário. Um design interessante que funciona bem. E o cenário a lembrar uma cidade no norte da Europa, onde nunca parece parar de chover, foi uma decisão acertada. Isto é o que jogo tem de mais positivo, porque as respostas às questões mais importantes, como "o que é preciso fazer, como se faz e é divertido fazê-lo?", não são as que esperávamos.

Durante todo o jogo devem seguir enquanto tentam permanecer invisíveis a outras criaturas com características semelhantes ao jogador, que apenas ficam visíveis quando debaixo de chuva. Por vezes terão de despistá-las e alguns momentos de maior tensão, tudo o que podem fazer é correr em frente. Quando as criaturas alcançam o jogador, não há nada a fazer: vão morrer com um só golpe. Surpreendentemente, a maioria das mortes do menino são bastante desagradáveis e inquietantes.

O que parece ser o tutorial para explicar as poucas ações do jogo estende-se exageradamente, interrompendo o jogador com pistas intrusivas. Não se justifica, até porque o jogo é simples e não tem mistério. Os únicos problemas, aliás, surgem quando a câmara atrapalha e impede o progresso normal.

Porque há sempre um caminho a seguir, que é quase sempre evidente, excepto em algumas ocasiões onde se torna confuso (confuso mesmo, não engenhoso). Continuem em frente e não percam tempo a explorar caminhos alternativos. Não só são inúteis (sem segredos ou extras para encontrar), como muitas vezes levam a barreiras invisíveis, um tipo de design que começa a ser inaceitável nos dias de hoje.

Os poucos puzzles do jogo são também desinspirados. Os que estão diretamente ligados à física ou ao cenário, parecem algo saído de principiantes (sobretudo em comparação com o crescente número de jogos que têm utilizado este tipo de mecânicas). Já os que requerem o uso de objetos são demasiado inocentes ou toscos.

Mas o maior problema reside na incapacidade de Rain crescer, de explorar a sua fórmula inicial. Eventualmente introduz novas criaturas e mecânicas, como água suja ou barulho que permite aos inimigos detetarem o jogador mesmo que não esteja na chuva. E é fácil imaginar como tudo isso podia combinar e oferecer novos desafios ao jogador. Mas nunca acontece. Rain permanece simples, sem engenho e por vezes, nem sequer tem bom aspeto.

É curioso, que Rain chegue numa altura em que Portugal começa a sentir o resultado das primeiras grandes chuvadas de outono. O jogo não podia ter escolhido melhor altura para o lançamento, mas Rain nunca chega a lembrar os encantos que um dia chuvoso pode ter, permanecendo sempre cinzento, frio e deprimente. Podia ser o jogo perfeito para entreter os jogadores, aconchegados com pantufas e roupão enquanto chove lá fora, mas falha redondamente. Uma pena e uma grande deceção.

5
Médio em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Excelente elementos sonoros. Gostámos do estilo narrativo.
Contras Falta inspiração no design dos níveis e dos puzzles. Controlos confusos. É curto e não tem ritmo.
Nota da rede Média de 6 edições da Gamereactor
5,0
Gamereactor 5
Gamereactor Norge 5
Gamereactor Deutschland 5
Gamereactor España 5
Gamereactor Italia 5
Gamereactor Portugal 5
Editor-in-Chief Spain David Caballero was editor-in-chief of Gamereactor Spain, writing for the site from 2011. He covered video games alongside film, tech and wider culture, and interviewed developers at events across Europe.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 2011 · 1.402 artigos publicados
5
Médio Nota da rede em 6 edições
Dados do jogo
Produtora Japan Studio
Editora Sony
Data de lançamento 1 Outubro 2013
Testado em PS3/PSN
Género Adventure
Plataformas
PS3 PSN
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.