A China, apesar de ser uma república popular e oficialmente um estado comunista de partido único (pelo menos em termos políticos), não está imune à sua própria 'luta interna' pelo poder entre diferentes facções dentro do próprio Partido Comunista. Oficialmente, discussões sobre o próprio Partido e sua liderança (e, consequentemente, a liderança de todo o país) ocorrem em congressos partidários. Extraoficialmente, porém, essas manobras internas começam durante o retiro de verão das principais figuras do partido, tanto do passado quanto do presente, para a cidade costeira de Beidaihe, a uma hora e meia de trem de Pequim.
Embora não haja anúncio oficial de que esse congresso 'secreto' tem sido realizado ano após ano desde que as sessões coletivas de trabalho de verão foram suspensas em 2003, esse retiro geralmente serve para alinhar as várias vozes em torno das posições que serão apresentadas ao congresso de outubro. No clima atual, com o poder central ainda mais concentrado nas mãos de Xi Jinping e seu círculo íntimo, há menos espaço para diálogo genuíno e negociação eficaz, situação que também tem levantado rotineiramente suspeitas de tentativas de golpe.
"A retirada [para os resorts estatais em Beidaihe] é frequentemente a 'temporada louca' da China", disse Ruby Osman, conselheira sênior de políticas do Tony Blair Institute for Global Change, à Reuters. "O silêncio absoluto dos líderes alimenta rumores de lutas políticas internas ou golpes de estado pela elite."
O presidente Xi também sinalizou sua intenção de impor uma disciplina ainda mais rigorosa dentro da liderança do Partido — já enfraquecida por uma campanha anticorrupção que vem em andamento há vários anos — numa tentativa de manter a ampla autoridade concedida aos seus quadros dentro de parâmetros estritamente limitados. O 21º Congresso do Partido está previsto para 2027, e espera-se que, até lá, a reorganização e as mudanças no topo sejam ainda mais profundas.