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No Man's Sky

No Man's Sky

Uma viagem como nenhuma outra, apesar de incluir alguns defeitos gritantes.

No Man's Sky não é um mundo, mas uma vasta galáxia aberta para os jogadores explorarem, composta por 18 446 744 073 709 551 616 planetas (!) que podem visitar. É um número absurdo de mundos, que nem sequer são assim tão pequenos como isso. No Man's Sky pode gabar-se da imensidão do seu universo, e segundo nos diz a matemática, seria necessário 500 mil milhões de anos para visitarmos cada planeta do jogo durante um segundo. Números esmagadores, que são ainda mais impressionantes quando consideramos outro número muito menor - No Man's Sky foi produzido por uma equipa de 20 tipos na Hello Games, e o seu projeto anterior foi Joe Danger.

O entusiasmo em torno de No Man's Sky era tremendo, mas foi com alguma cautela que demos os nosso primeiros passos no jogo. Cada jogador vai atravessar esta aventura sozinho, e ao contrário do que foi indicado no passado, não existe qualquer tipo de multijogador disponível - nunca vão ver outro jogador em No Man's Sky, pelo menos no seu estado atual. Cada jogador vai começar num planeta escolhido aleatoriamente, todos com o mesmo objetivo primário - chegar ao centro da galáxia. A vossa primeira tarefa será concertar a nave, para quem possam abandonar este planeta inicial e começarem a vossa viagem. Antes de o fazermos, demos o nome ao planeta - algo que podem fazer com cada planeta que descobrem antes de qualquer outro jogador. Os recursos são muito importantes em No Man's Sky, e podem recolhê-los utilizando uma multi-ferramenta que carregam. Infelizmente, o espaço do inventário é muito reduzido, e em pouco tempo recebemos uma mensagem a indicar que já estava cheio.

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Os menus e o sistema de inventário de No Man's Sky pode ser um pouco confuso ao início, mas eventualmente vão apanhar-lhe o jeito. Depois de nos organizarmos, recolhemos os materiais necessários para concertar a nave e abandonarmos o planeta, mas decidimos explorar os nossos arredores mais um pouco. No Man's Sky tem uma excelente atmosfera, que é enriquecida pela banda sonora criada pela banda 65daysofstatic. Em pouco tempo fomos invadidos por um sentimento de exploração e recolha de recursos que nos lembrou de Minecraft, embora existam claras diferenças entre os dois títulos.

Só depois de repararmos a nave, e de voltarmos a encher o inventário, decidimos olhar para o céu e partir para o enorme universo lá fora. O nosso próximo objetivo passava por vender a 'tralha' que recolhemos pelo caminho, e ao vislumbramos três planetas no horizonte, decidimos investigar se algum teria um mercador onde pudéssemos esvaziar os bolsos. Saltar para a nave, levantar voo, e partir para o espaço sem qualquer ecrã de loading, é uma sensação fantástica. Alguns jogadores podem fartar-se dessa ação, a de levantar voo para partir para o desconhecido, mas isso nunca nos aconteceu. O sentimento de exploração de No Man's Sky é fantástico, e mais genuíno do que em qualquer outro jogo. Fomos os primeiros jogadores a visitar planetas inteiros, que nenhum outro jogador viu antes de nós. Em quantos outros jogos podem dizer que isso aconteceu?

Se o espírito de No Man's Sky é um de descobrimento e exploração, a base da experiência de jogabilidade remete-se à recolha e à gestão de recursos. Quase tudo o que usam no jogo precisa de algum tipo de minério, desde a ferramenta multi-usos, a sistemas de proteção de toxicidade e temperaturas, passando naturalmente pela nave. É uma exigência constante de recursos que em pouco tempo pode tornar-se algo sufocante para o jogador.

Quando conseguirem os recursos mais raros, podem começar a trabalhar em versões melhoradas do equipamento, e essa missão para melhorar os acessórios vão tornar-se na maior exigência de tempo no jogo. Como não existem objetivos definidos em No Man's Sky, excepto o de tentar chegar ao centro do universo, é provável que acabem por usar a próxima meta na lista de itens a produzir como combustível para continuarem. No Man's Sky não tem qualquer narrativa aparentemente, embora possam aprender mais sobre as raças alienígenas que vão conhecendo ao longo do caminho. Os mais curiosos também podem tentar descobrir mais sobre as ruínas e a tecnologia misteriosa que se esconde em alguns locais da galáxia, mas isso é algo completamente secundário que terão de abordar por vossa iniciativa, e não do jogo.

Ao contrário de outros jogos de ficção científica, como Mass Effect, não vão encontrar personalidades interessantes para conhecer, ou grandes atividades diplomáticas. Nem sequer existe uma narrativa interessante para seguirem. No Man's Sky é um jogo que não oferece muito de incentivo para o jogador, e terá de ser o próprio a encontrar os seus próprios motivos para continuar a aventura. Serão vocês, a vossa nave, e um mar quase infinito de planetas para descobrirem. É um jogo que não será certamente para todos, e apenas alguns jogadores terão a o incentivo necessário para viajarem até ao fim.

Embora o elemento técnico de No Man's Sky seja impressionante, capaz de gerar uma galáxia inteira de planetas, fauna, e flora, a verdade é que o jogo não é assim tão variado quanto esperávamos. As diferenças entre espécies e locais podem variar em termos de tamanhos, ou até aspetos, mas nota-se que vem tudo da mesma forma. Embora a variedade não seja impressionante considerando o número de planetas, se pensarmos no contexto de que o jogo foi produzido por uma equipa muito pequena, a situação torna-se naturalmente mais impressionante.

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No Man's Sky foi produzido por uma equipa ao nível de um jogo independente, e isso nota-se na jogabilidade. Mover, saltar, disparar... tudo é um pouco rígido, sem a fluidez que caracteriza jogos com outros orçamentos e níveis de produção. A própria condução das naves é algo limitada, e as batalhas espaciais deixam um pouco a desejar. Nada disto é grave num jogo independente, mas No Man's Sky não pede um preço de um jogo independente. Por € 59.99, tem de se exigir um pouco mais ao nível de mecânicas e níveis de produção. Continuando com pontos negativos, é preciso deixar bem claro que o jogo tem momentos de fraca qualidade. Podem descobrir sistema estelares com planetas mortos ou sem interesse, mas mesmo quando descobrem planetas cheios de vida, é fácil cair numa rotina aborrecida de recolha de materiais.

Também é lamentável que o jogo tenha acabado por não incluir qualquer forma de multijogador ou mesmo de universos partilhados. Bom, os universos são partilhados, mas nunca podem estar dois jogadores juntos, o que é uma falha grave na nossa opinião. No Man's Sky é suposto ser uma experiência solitária, mas poderia ser algo como Journey, onde encontrar um desconhecido de forma inesperada poderia dar outra vida e cor à experiência.

No Man's Sky é um jogo que pode beneficiar imenso de novo conteúdo, e parte do nosso pensamento enquanto jogamos é gasto em características que gostaríamos de ver no futuro. Ainda assim, fizemos um esforço por apreciar o que o jogo é neste momento, e não o que podem eventualmente ser (se a Hello Games realmente expandir mecânicas e atividades). Como está, muitos momentos de No Man's Sky podem ser aborrecidos e vazios, mas com o espírito certo e a combinação certa de elementos de jogo, No Man's Sky é capaz de oferecer alguns rasgos de magia.

Não é um clássico instantâneo como muitos gostaríamos que fosse, e as suas raízes num estúdio pequeno notam-se em várias componentes do jogo, mas é difícil não admirar o esforço e a inteligência necessárias para criar algo tão ambicioso como o universo de No Man's Sky. Não é um jogo fácil de recomendar a todos os jogadores, mas se o conceito vos parece interessante apesar das falhas que referimos, podem ter a sorte de embarcar numa viagem sem igual nos videojogos.

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No Man's SkyNo Man's SkyNo Man's Sky
07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
A tecnologia que alimenta o jogo é impressionante. Design simples, mas eficaz. Escala e liberdade sem paralelo. Banda sonora.
-
Falta modos multijogador. Tem momentos aborrecidos. É caro para o nível de produção que apresenta. Faltam mecânicas de jogo mais variadas.
overall score
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