Skip to main content
Gamereactor Especiais Greedy Guns
Especiais

Miguel Rafael: "Falta de comunicação é grande falha das produtoras portuguesas."

O produtor de Greedy Guns falou com o Gamereactor sobre o estado da produção de videojogos em Portugal.
Ricardo C. Esteves Editor-in-Chief Portugal Atualizado 20 Janeiro 2016

Fala-se cada vez da produção de videojogos e dos produtores portugueses, algo que, segundo Miguel Rafael, começa também a atrair o interesse de empresas estrangeiras.

Greedy Guns é um dos jogos mais promissores produzidos em Portugal, não por ser particularmente inovador ou original, mas simplesmente porque parece estar já num estado muito sólido e francamente divertido. Trata-se de um jogo de ação e plataformas em 2D, próximo de algo como Metal Slug ou Contra, por exemplo. O Gamereactor teve a oportunidade de conversar com Miguel Rafael, da Tio Atum, não só sobre o seu projeto ambicioso, mas também sobre o estado da indústria em Portugal.

Antes disso, contudo, uma pequena apresentação da Tio Atum e de Greedy Guns.

"A Tio Atum nasceu há três anos, criada por três pessoas - eu, o Afonso Cordeiro e o Miguel Cintra -, e começamos a trabalhar com jogos Mobile. O nosso projeto mais popular foi o Super Bit Dash, com mais de um milhão de downloads. Agora estamos a trabalhar neste projeto para PC e consolas que é o {Greedy Guns}, e que começamos a desenvolver há dois anos. É um jogo inspirado em Metal Slug, Gunstar Heroes, e outros clássicos arcade frenéticos, mas também vai ter um pouco de exploração, ao estilo Metroidvania. As reações do público [durante a Lisboa Games Week] têm sido boas, e todos nos dizem que estão à espera que seja lançado. E é isso que temos trabalhado incansavelmente para conseguir fazer."

"Ainda em 2014 fomos aprovados para o Steam Greenlight, sobretudo graças aos fãs portugueses que foram espetaculares, e agora já fomos aprovados como produtores para várias plataformas. O nosso objetivo é ter o Greedy Guns disponível para PC, Mac, Linus, Xbox One e PlayStation 4. Sabemos que as consolas não costumam ter muitos jogos portugueses, mas esperamos que comecem a aparecer cada vez mais. Há malta cá em Portugal com uma qualidade impressionante."</i>

"Começam a aparecer cada vez mais empresas a fazer videojogos em Portugal, e o nosso país tem uma vantagem muito grande, porque é um sítio relativamente barato para se viver e desenvolver jogos. Depois também temos muito talento, com malta que sabe programar e também grandes artistas. Começam a criar-se condições para se fazerem cá bons jogos."

"Um dos maiores problemas até agora é que não existiam muitas empresas, e quando um aluno está pronto para começar a trabalhar ou a estagiar, não tem muitas alternativas nesta área. Falta mudar um pouco esse panorama em Portugal, o aparecimento de empresas grandes capazes de ajudar os mais novos a formarem-se. Felizmente, já se notam algumas mudanças, porque há mais empresas e também há mais contactos entre as produtoras. Até existem cá cursos de videojogos com professores que trabalharam na área. Outro problema é o investimento, que por cá é escasso, e isso é resultado de uma mentalidade portuguesa geral que ainda não percebeu que o mercado dos videojogos é muito forte."

"Já me começam a perguntar lá fora como é a situação em Portugal, e grandes produtoras já me questionaram quanto ganha um produtor em Portugal. Não acreditaram na minha resposta. Isto faz com que os melhores que cá temos estejam a partir para o estrangeiro, mas penso que é algo que pode mudar rapidamente. O nosso muito talento é barato para o que se pratica lá fora, e ainda temos a vantagem do excelente clima. Parece mentira, mas também faz a diferença."

Apesar de todo o talento, os produtores nacionais têm ainda muito que aprender sobre a indústria, e uma dessas lições passa por uma mensagem mais frequente e clara.

"A falta de comunicação é outra falha das produtoras portuguesas, incluindo da própria Tio Atum. Já recebemos dicas de vários jornalistas, e até de outras produtoras mais experientes nessa área, de coisas que devíamos fazer para comunicar os nossos jogos. É preciso enviar comunicados de imprensa, participar em eventos, mostrar o jogo. Cá as equipas distraem-se tanto a fazer os seus jogos, que se esquecem um bocado destes detalhes, que são muito importantes."

Miguel Rafael revelou ainda o seu apreço pelo investimento das grandes editoras de videojogos, nomeadamente Sony, Microsoft e Nintendo, nas produtoras nacionais.

"É preciso crescermos todos juntos, e o facto de Microsoft e Sony estarem a investir mais em Portugal, com eventos como o GameDevCamp e os Prémios PlayStation, é muito importante, porque chama a atenção. Outros meios olham para o facto destas grandes empresas estarem a investir cá e também ficam curiosos com o que se faz por cá. As fabricantes de consolas também já perceberam como é importante ter um catálogo com vários jogos mais pequenos, porque os grandes títulos como Call of Duty e Assassin's Creed não chegam. É preciso ter outras alternativas no catálogo."

Quanto a Greedy Guns, se tudo correr como previsto, será lançado em julho com um preço de € 14.99.

A Tio Atum na Lisboa Games Week.

Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 2013 · 7.617 artigos publicados
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.