Skip to main content
Análises GRIS

GRIS

Ficámos apaixonados por este espetacular mundo feito de aguarelas.
Sam Bishop 13 Dezembro 2018

Se o que procuram são direções artísticas diferentes do habitual, e jogos que arrisquem novas ideias, normalmente é necessário procurar entre os jogos Indie. Ao longo dos últimos anos tivemos exemplos de vários projetos com abordagens arrojadas, e com identidades muito próprias, e GRIS é mais um que podem acrescentar a essa lista.

Um dos produtores, do Nomada Studio, já explicou que existem vários significados para GRIS, mas um desses significados é cinzento, em catalão - o estúdio está localizado em Barcelona. Isso faz sentido com a premissa do jogo, já que, no início, o mundo é mergulhado num misto de preto, branco, e cinzento, e é apenas avançando ao longo desta aventura de três a quatro horas que vão restaurar a sua cor.

É aqui que entra em cena o lado artístico de GRIS, já que a passagem de um mundo monocromático - ainda que belo à sua maneira - para a sua versão mais viva e colorida, é impressionante. Estas cores preenchem o cenário como se fossem pinturas de aguarelas, e se inicialmente é o vermelho que domina as atenções, mais tarde juntam-se-lhe outras cores de forma sucessiva. O resultado é uma imagem espetacular no ecrã, que é genuinamente uma obra de arte.

Mas não pensem que a sua espetacular direção artística é a única coisa que distingue GRIS, ou que apenas serve para embelezar o cenário. Esta arte nunca é ao custo do design dos níveis, ou da sua funcionalidade. Tudo é muito limpo, muito claro, e com ângulos bem definidos, permitindo uma navegação clara pelo cenário. Também bastante importante para o impacto causado por GRIS é a sua escala. Sem entrarmos em pormenores da história, é suposto que o jogador se sinta minúsculo neste mundo, e o jogo consegue esse efeito com grande eficácia. Podem estar a passar por uma ponte, ou a subir pelos céus, quando a câmara lentamente se afasta e mostra a personagem quase como um pequeno ponto num enorme cenário. Em momentos em que é necessário, a câmara também se aproxima, permitindo ter uma visão mais clara do que se passa ao redor do jogador.

Embora o elemento artístico de GRIS seja impressionante, é apenas parte da equação, já que existe também todo o lado da jogabilidade. GRIS é um jogo de plataformas em 2D, mas não se limita a pedir que o jogador avance na horizontal. A verticalidade é uma peça muito importante da experiência, mas independentemente da direção, o jogo tem a excelente capacidade de indicar o caminho ao jogador sem ser demasiado óbvio.

O grosso da vossa experiência com GRIS vai envolver correr e saltar, mas existem outras habilidades. A personagem tem um vestido, que a certo ponto, pode assumir uma forma sólida. Isto permite partir certos blocos no chão, abrindo caminho para novas áreas. Eventualmente também vão ganhar a capacidade para nadar, duplo salto, e uma outra que não podemos revelar, porque é uma surpresa. Tudo isto é executado de forma muito simples a nível de controlos.

Também vão interagir com o mundo à vossa volta. O exemplo mais claro são as borboletas que povoam o cenário, e que permitem à personagem usar um super salto, mas existem outros elementos que vão encontrar ao longo da aventura. O mundo de GRIS está em constante mutação, e se forem como nós, vão ficar impressionados com alguns truques que o jogo tem guardados na manga.

Não é só o estilo visual que merece ser louvado, já que a banda sonora é também ela memorável, fundindo-se com a história e o grafismo para intensificar as emoções do jogador. Não temos qualquer problema em afirmar que, antes de GRIS terminar, ficámos com os olhos molhados (malditos ninjas com cebolas). É um jogo com grande impacto, visual e emocional, e embora a parte final se arraste um pouco, conseguiu terminar tudo de forma muito eficaz.

Se gostam de jogos com um forte sentido artístico, histórias emocionais, e boas sequências de plataformas em 2D, então, GRIS é absolutamente obrigatório. É curto, mas vai certamente causar mais impacto que muitos jogos de 40 ou mais horas que estão no mercado. Um casamento impressionante de arte, música, jogabilidade, e design, e um triunfo para este promissor estúdio de Barcelona.

9
Excecional em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Excelente direção artística, com utilização fantástica das cores. Design soberbo. Banda sonora espantosa. História emocional. Mecânicas divertidas.
Contras O final estende-se em demasia.
Nota da rede Média de 14 edições da Gamereactor
9,0 amplitude 8–10
Gamereactor 9
Gamereactor Danmark 8
Gamereactor Sverige 9
Gamereactor Norge 10
Gamereactor Suomi 8
Gamereactor Deutschland 9
Gamereactor España 9
Gamereactor France 9
Gamereactor Italia 9
Gamereactor Nederland 9
Gamereactor Portugal 9
Gamereactor Polska 10
Gamereactor 中国 9
Gamereactor Asia 9
Perfil completo 6.330 artigos publicados
9
Excecional Nota da rede em 14 edições
Dados do jogo
Produtora Nomada Studio
Editora Devolver Digital
Data de lançamento 13 Maio 2019
Género Platform, Adventure
Plataformas
Nintendo Switch PC Mac PS5 iOS PS4 Xbox Series X
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.