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Game of Thrones - A Telltale Games Series

Game of Thrones - A Telltale Games Series

Tivemos de tomar algumas decisões difíceis no mundo de Westeros.

Aviso: A análise pode incluir Spoilers para quem não viu a série televisiva de A Guerra dos Tronos.

O exército de Robb Stark está a celebrar. Os soldados reúnem-se ao próximo de tendas para festejam com muita cantoria e ainda mais álcool. Um conjunto particular de soldados ouve enquanto um homem de barba negra se gaba de ter capturado o famoso Jamie Lannister. Um jovem escudeiro ouve atentamente a conversa, enquanto limpa a espada ensanguentada do seu mestre. Rapidamente lhe pedem para ir buscar mais vinho, quando a câmara mostra as torres de Walder Frey. O nosso coração gela, porque sabemos o que se vai passar a seguir.

O primeiro episódio deste Game of Thrones arranca durante o infame "Red Wedding", mas numa perspetiva diferente da que vimos na série. Aqui assistimos aos eventos através dos olhos da Casa Forrester, aliados de longa data da Casa Stark. Foi uma noite terrível, que afetou muitas famílias, incluindo os Forresters. O que se segue a estes eventos resulta numa importância acrescida para o jovem Ethan Forrester, forçado a assumir a liderança da sua família em Ironrath. É aqui que terá de lidar com a pressão exercida por Roose Bolton e o seu abominável filho Ramsay.

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A Telltale Games conta-nos esta história original através de várias perspetivas, todas relacionadas com a família Forrester, incluindo a criada de Margaery Tyrell, Mira Forrester, o escudeiro Gared Tuttle, e o jovem Lorde Ethan. Enquanto avançávamos pela história do jogo, percebemos que a Telltale baseou a família Forrester nos Stark. Mira é o equivalente a Sansa Stark, embrulhada nos jogos de política que engasgam King's Landing. Gared Tuttle sente-se dividido entre o seu dever como cavaleiro da Nights Watch e a sua família, um pouco como um tal de Jon Snow. São apenas dois exemplos, de uma estratégia da Telltale que pode ser acusada de falta de originalidade, mas é difícil argumentar contra a qualidade da escrita e dos diálogos.

Se tudo o que referimos nos parágrafos em cima faz pouco sentido, então não têm grandes motivos para jogar este Game of Thrones - A Telltale Games Series. É um produto tão ligado à licença, que só fará sentido para quem está familiarizado com o universo criado por George RR Martin. Disto isto, se são fãs da série, dos livros, ou ambos, existe muito para apreciar neste jogo.

Um dos segredos para o sucesso da Telltale Games está na forma como conseguem compreender e recriar a essência das licenças em que se baseiam, e isso é verdade para Game of Thrones. Ao controlarem as personagens da família Forrester, terão de tomar várias decisões difíceis, do tipo de escolhas que se enquadram bem no mundo duro e injusto de Westeros. Embora apresente o estilo cartoonesco que caracteriza os jogos da Telltale, Game of Thrones tem muitos palavrões e violência, como seria de esperar desta licença.

Lorde Whitehill é o principal antagonista do jogo, e um verdadeiro bastardo. Parece estar quase numa competição com Ramsey para perceber quem é a maior besta do reino. As famílias Whitehill e Forrester têm sido rivais de longa data, por um motivo que nem é exatemente muito claro, mas isso também não é o mais relevante. O que importa é que as duas famílias odeiam-se, e os Whitehills querem tirar a floresta de Ironwood aos Forrester.

Sem nos alongarmos mais na história, convém referir que Game of Thrones é um bom jogo, mas tem muitos defeitos. O grafismo é obviamente datado (sobretudo para PC, PS4 e Xbox One) e a jogabilidade funciona muito como as aventuras de apontar e clicar dos anos 90. Mas tudo isto é verdade para todos os jogos da Telltale Games, e embora a fórmula e a tecnologia comecem a dar sinais de fadiga, a história, as personagens, e o argumento, são sempre de qualidade elevada.

As personagens podem não ser particularmente originais, mas foram bem pensadas, planeadas e estruturadas. E não estamos a falar apenas das personagens centrais, mas de todos que vão conhecendo ao longo da aventura. Tudo isto é reforçado devido ao excelente trabalho de voz dos atores, incluindo Peter Dinklage. Enquanto a sua prestação em Destiny deixou muito a desejar, o ator voltou a mostrar toda a sua qualidade neste papel que tão bem conhece.

Quanto à história em si, tem muita qualidade, mas ainda assim deixou-nos divididos. É como uma tremenda montanha-russa de emoções que nunca acaba, alternando entre alguns pontos altos muito elevados, e vários momentos verdadeiramente baixos. Isso não significa que não existam tempos mortos em Game of Thrones, porque existem. É um enredo de onde se destacam muitos momentos memoráveis, mas não é uma experiência tão equilibrada como outros jogos da Telltale.

A qualidade das animações faciais também nos desiludiu. Num jogo que vive tanto dos diálogos e da capacidade das personagens para transmitirem emoção, esperávamos um trabalho mais competente da Telltale neste departamento. Este é o tipo de falha grave que um jogo destes pode cometer, porque a pobre sincronização entre diálogos e animações foi algo que nos tirou por completo da experiência em vários momentos. Uma falha que esperamos ver bastante melhorada na segunda temporada de Game of Thrones.

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Ao longo dos episódios existem vários momentos mortos, que estão presentes praticamente para encher e aumentar a longevidade. Sequências em que dão apenas alguns passos antes do jogo passar para novo momento de história, ou salas que podem explorar, mas que nada têm para oferecer à experiência. Não existem puzzles ou enigmas para resolver, e tudo o que têm de fazer é escolher o caminho a seguir, mas se existem momentos de jogabilidade que nada acrescentam, não devem ser incluídos.

A verdade é que a fórmula da Telltale começa a dar sinais de grande cansaço, sobretudo nos momentos de maior ação, que falham em transmitir qualquer tipo de entusiasmo. E para terminarmos as nossas queixas, também é necessário referir a desilusão que foi o final desta primeira temporada. Percebemos que é preciso deixar no ar a necessidade de continuação, mas a forma como esta história acaba é demasiado abrupta, com muitas pontas soltas e alguns resoluções estranhas. Quase parece que faltou um episódio algures.

Apesar de todos os defeitos, queremos continuar a nossa aventura em Westeros. Mesmo que a fórmula comece a dar sinais de cansaço, o motor gráfico seja arcaico, e existam momentos de pouca emoção, existem eventos no jogo que vos irão chocar. Não é o melhor jogo da Telltale, mas tem vários momentos memoráveis para qualquer fã de Game of Thrones.

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07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
Alguns momentos de tensão. Mantém-se fiel ao mundo de Game of Thrones. Personagens interessantes.
-
Opções limitadas. Animações faciais desapontantes. Grafismo geral de fraca qualidade. O final deixa a desejar.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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