FIFA 14 é um bom jogo de futebol, mas na realidade fez pouco para corrigir as falhas mais evidentes da série. A versão de nova geração até tinha menos opções que a versão para as restantes plataformas, já que nem sequer incluía o modo Torneio. E os jogadores de PS4 e Xbox One assim continuarão, sem Torneio, pelo menos até FIFA 15, já que este jogo baseado no Campeonato do Mundo não foi lançado para as novas consolas.
A EA optou por apenas libertar o FIFA World Cup Brasil 2014 para as plataformas onde estão as maiores bases de jogadores, nomeadamente, a PS3 e a Xbox 360. Compreendemos que muitos jogadores ainda não adquiriram as novas consolas, mas para os que já o fizeram, esta acabou por ser uma decisão desapontante por parte da EA.
Sem outro remédio, limpámos o pó à Xbox 360 e preparamo-nos para jogar um jogo que tem, inevitavelmente, uma resolução mais baixa, menos animações e uma fluidez oscilante, quando comparando com o FIFA 14 a que nos habituámos nas novas consolas. Mais estranho que isso, também parece pior que as versões PS3 e Xbox 360 de FIFA 14.
De forma geral, FIFA World Cup Brasil 2014 é basicamente o FIFA 14 de PS3/X360 pintado com as cores do Mundial. Toda a apresentação geral do jogo parece apressada, mais próxima da pobre qualidade do DLC do Euro 2012 do que o bastante razoável jogo do Mundial 2010. A estrutura é basicamente a mesma de FIFA 14, apresentando modos semelhantes, mas com algumas variações.
O Be a Pro é substituído pelo Captain Your Country, onde vão assumir a pele de um único futebolista, enquanto tentam mostrar ao selecionador que têm o que é preciso para capitanear a seleção. O modo Carreira é agora preenchido pela fase de qualificação que antecede o Mundial, permitindo reescrever a história. Até podem tentar levar uma seleção que não se tenha qualificado à fase final.
Obviamente que também existe o Mundial em si, onde podem jogar com as seleções e os grupos oficiais, ou reordenar tudo de novo, escolhendo entre as 203 seleções presentes. Também podem realizar algumas partidas amigáveis, contra a IA ou amigos. Todos os modos de jogo têm à sua disposição 21 estádios, incluindo os 12 oficiais da prova, no Brasil.
A opção mais original será o Road to Rio, onde os jogadores vão tentar atravessar 12 divisões de um campeonato (estilo Ultimate Team), visitando cidades enquanto tentam chegar ao Campeonato do Mundo e ao Rio de Janeiro. Por último existe o Story of Qualifying, onde são presentados com cenários baseados em jogos importantes. Aqui devem superar os desafios apresentados, como dar a volta a um resultado negativo com poucos minutos para o fim, por exemplo. Também existe uma contraparte online que será baseada nos jogos do Mundial.

Quanto à jogabilidade, 2014 FIFA World Cup Brazil é quase igual a FIFA 14, embora ligeiramente pior. Além dos gráficos fracos e de alguns estranhos problemas com a física dos jogadores e da bola, a maior diferença está no ritmo, que aumentou. Isto deve-se a uma tentativa de tentar recapturar a intensidade e o entusiasmo dos jogos do Mundial, mas em vez disso, FIFA tornou-se ligeiramente mais difícil de jogar, obrigando a reações ainda mais rápidas dos jogadores. Na nossa opinião o jogo não precisava disso.
Outra falha é o que jogo continua a ser governado por uma IA batoteira, com eventos que parecem predeterminados. É uma tendência que se tem tornado mais evidente com o passar dos anos, quando jogadores medianos controlam melhor a bola que Ronaldo ou Messi, ou quando o guarda-redes faz defesas impossíveis ou o avançado falha golos improváveis.
Tudo isto pode, de facto, acontecer durante uma partida de futebol, mas a frequência e a forma com que acontecem em FIFA, ou neste caso, World Cup, parece-nos pouco inocente. Se o jogo decide que não é a vossa vez de marcar, vão-se suceder vários eventos estranhos que vos vão impedir disso, ou pelo menos, dificultar muito a vossa vida. O mesmo se aplica quando a IA decide que é a sua vez de marcar um golo, motivando uma série de ressaltos e cortes falhados e grandes dribles até que a bola inevitavelmente acaba no fundo da vossa baliza. Sinceramente, por vezes parece que as ações dos jogadores simplesmente não são determinantes para o que vai acontecer no relvado.

Essa influência divina da inteligência artificial não acontece sempre, e quando o jogo decorre sem perturbações estranhas - para um lado ou para o outro - FIFA World Cup Brasil 2014 pode ser um jogo divertido. Nestes momentos está muito perto de ser o grande jogo de futebol que tem potencial para ser.
Uma das novidades do jogo é a introdução de eventos durantes os festejos. Poucos segundos depois de marcarem um golo, a câmara vira-se para alguns elementos do público ou para um bar, de forma a acrescentar a atmosfera. Parece-nos uma adição desnecessária, que parece tirar foco à produção e que nos impede de festejarmos o golo devidamente. Felizmente, em termos sonoros FIFA World Cup está à altura das melhores produções da série.
Em muitos aspetos, FIFA World Cup 2014 é um produto pior que FIFA 14, mesmo comparado com as versões de PS3 e Xbox 360. A diferença é ainda mais evidente lado-a-lado com as versões de PS4 e Xbox One. A EA criou um jogo de futebol fantástico em FIFA, mas teima em corrigir o que está mal, como a IA excessivamente controladora dos eventos do jogo. Por tudo isto, e sobretudo pelo preço a que está nas lojas, € 69.99, é muito difícil recomendar FIFA World Cup 2014.