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FIFA 20

FIFA 20

Volta é o destaque de um FIFA que deu mais passos atrás que à frente.

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"O FIFA é igual todos os anos" é uma afirmação que ouvimos frequentemente por parte de quem não joga FIFA com regularidade. Este ano não será exceção, e muitos que olharem e até jogarem FIFA 20 vão dizer que é praticamente igual ao FIFA 19. Na nossa cabeça, contudo, o pensamento que corre é: "mas porque é que a EA mudou tanto o FIFA?".

FIFA 19 não era um jogo perfeito a nível de jogabilidade - cruzamentos para dentro da área eram praticamente inúteis e os defesas eram demasiado rápidos -, mas de forma geral, gostámos muito do seu ritmo, dos controlos, e da sensação geral de jogo. Foi um processo que começou com FIFA 17, que melhorou com o soberbo FIFA 18, e que estabilizou com FIFA 19. Faltavam afinar pormenores, mas de forma geral gostámos do equilíbrio entre diversão, entusiasmo, e realismo que os últimos FIFA apresentaram.

Este ano a EA decidiu mudar uma série de elementos, com o objetivo de tornar o jogo ainda mais realista, mas o efeito, na nossa opinião, é um jogo que acabou por ficar mais próximo de FIFA 15 e FIFA 16 do que dos FIFA mais recentes.

A grande diferença está na aceleração dos jogadores e na forma como a inteligência artificial cobre espaços no meio-campo. Segundo a EA, isto teve dois objetivos: dar mais tempo ao jogador para pensar o jogo, e destacar os confrontos de um contra um. E sim, é precisamente isso que acontece, mas o resultado é um jogo com um ritmo muito mais lento que FIFA 19, e também mais frustrante, sobretudo a defender.

Na nossa análise a FIFA 19 escrevemos o seguinte: "A nível global a inteligência artificial foi melhorada. Tanto a equipa adversária, como a equipa do jogador, são muito mais eficazes a defender". FIFA 20 veio basicamente anular isto.

Os jogadores demoram muito mais tempo a acelerarem sem bola, o que significa que demoram mais tempo a chegarem ao portador da bola. Isto não seria necessariamente um problema se a inteligência artificial ocupasse bem os espaços, mas não é bem isso que acontece, sobretudo do lado do jogador. Os jogadores ficam muito mais estáticos a defender a meio-campo, e é bem mais difícil tirar a bola mesmo nos duelos de um contra um. A situação melhora um pouco mais próximo da área, mas o resultado destas alterações é um estilo de jogo defensivo em que o jogador passa a maior parte do tempo a correr para a bola, não a defender. Por outras palavras, é muito mais difícil exercer pressão, e é também bem mais difícil tirar a bola.

Esse ritmo mais baixo de jogo permanece quando o jogador tem a bola nos pés, já que a inteligência artificial demora mais tempo a subir para o campo adversário, e não ocupa tão bem os espaços. Isto obriga a maior jogo de paciência por parte do jogador, com mais passes para o lado e para trás. Se é mais realista? Talvez, ligeiramente, mas como referimos no início, se os últimos três FIFA tinham um bom equilíbrio entre realismo e diversão, a balança pende muito mais para o realismo do que para a diversão em FIFA 20, já que sejamos honestos, realisticamente existem muitos momentos mortos num jogo de futebol, onde não se passa nada de interessante, até que quase do nada aparece um golo. FIFA 20 é precisamente isso.

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O que referimos até agora são alterações resultantes de uma nova abordagem ao design do ritmo do jogo e do comportamento da inteligência artificial, mas FIFA 20 tem também problemas que nascem de deficiências técnicas. FIFA é um jogo extremamente complexo em termos de contacto dos jogadores com a bola. Se consideramos a altura dos jogadores, a velocidade, a posição, a altura e velocidade da bola, e outros jogadores, podemos dizer que o número de contextos que o jogo e as animações têm de considerar é tremendo. Por vezes, esse contexto não consegue ser acompanhado devidamente, e o resultado são animações um pouco trapalhonas, como pés que atravessam a bola, viragens bruscas dos jogadores, e outros pormenores semelhantes. Sempre foi assim em FIFA, mas FIFA 20 parece-nos um pouco pior nesse sentido.

Em parte isso deve-se a um novo sistema de física para a bola, que salta mais, foge mais do controlo dos jogadores, e é mais imprevisível. Isto é outro factor que contribuiu para o aumento da frustração, já que é particularmente irritante gastar tempo e esforço para recuperar a bola, para depois a perder num ápice porque o nosso jogador a dominou mal e a entregou de imediato ao adversário, ou porque o passe saiu mal. Estes são dois fatores que a EA introduziu para tentar equilibrar a maior lentidão dos defensores em relação aos ataques - os passes falham com mais frequência e os jogadores tendem a dominar a bola com menor capacidade.

Outro factor que nos causou alguma irritação envolve os comandos, que voltaram a ser alterados. Lembra-se do passe forte de FIFA 18 que desapareceu em FIFA 19, executado com R1 + X no caso da PS4?. Esse passe está de volta em FIFA 20, mas por outro lado foram retiradas as simulações de corpo que podiam ser feitas com o R1. Não percebemos estas alterações constantes de ano para ano, de ações que trocam de botões e funções que desaparecem para reaparecerem no ano seguinte. Apenas serve para atrapalhar o processo de adaptação.

Nem todas as alterações foram negativas na nossa opinião. O desfasamento de aceleração significa que os jogadores velozes são novamente mais determinates, como o devem ser, mas melhor ainda, os cruzamentos e o posicionamento dos atacantes na área melhorou substancialmente. Em FIFA 19 era bastante difícil marcar golos de cabeça ou com passes dentro da área, mas FIFA 20 corrigiu essa situação. Um bom avançado, que tenha boa capacidade de posicionamento e cabeceamento dentro da área, é agora um verdadeiro perigo para as defesas adversárias.

Muito mudou ao nível da jogabilidade, e sobretudo ao nível do ritmo de jogo, mas fora de campo também existem várias novidades.

No modo carreira pode agora encontrar novas interações entre o jogador (treinador) e outros elementos, como os jogadores do clube e a imprensa. Por exemplo, se colocar um jogador à venda, ele irá pedir-lhe uma justificação, que pode levar a um decréscimo significativo de moral. Essa moral vai depois ter impacto no rendimento do jogador em campo, e no caso de uma moral muito baixa, esse impacto pode ser realmente significativo. Outra alteração diz respeito ao potencial dos jogadores jovens, que agora é muito influenciado pelo número de jogos que tem ao longo da época. Se um jogador com potencial alto passar a maior parte do ano sentado no campo, ou sem ser convocado, o seu potencial no ano seguinte será mais baixo.

De forma geral, o modo carreira é muito parecido com o de FIFA 19, mas estas pequenas alterações ajudam a tornar a experiência de jogo mais variada ao longo da temporada, e também tornam o modo mais imersivo.

Os fãs de FIFA Ultimate Team vão encontrar também algumas novidades, sobretudo na forma do novo Objetivos de Temporada. Trata-se de um modo dentro do próprio FUT que parece ser inspirado pelos sistemas de temporadas de jogos como Fortnite e Apex Legends. Cada temporada (mês?) vai oferecer novos desafios - e recompensas - para o jogador cumprir, mas também vão existir objetivos de longo prazo que se estendem ao longo das temporadas. Com Squad Battles de FIFA 19, vários tipos de ligas e torneios, e uma série de desafios para o jogador cumprir, FUT está mais completo que nunca, oferecendo muito conteúdo e variedade. Naturalmente que FUT inclui também os pacotes de jogadores, que são essencialmente loot boxes, algo que parece cada vez mais desfasado do panorama atual dos videojogos, mas pelo menos existem muitas formas dos jogadores ganharem moedas para comprarem pacotes.

Além do modo carreira e de FIFA Ultimate Team, pode contar com os habituais modos Torneio, Liga dos Campeões, Skill Games (existem vários treinos novos), Temporadas, e Pontapé de Saída, que inclui uma série de variantes com regras próprias. Muito conteúdo e muita variedade, tudo embrulhado nos elevados níveis de produção a que FIFA já nos habituou.

E depois temos Volta, a grande novidade de FIFA 20.

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Depois do fim da jornada de Alex Hunter em Journey, a EA Sports virou atenções para um modo virado para o futebol de rua, e até certo ponto, para o futsal. Volta inclui o seu próprio modo história, mas também modos online.

Não se trata de uma versão de FIFA Street, já que tem uma abordagem ligeiramente mais realista, mas é uma experiência de jogo bastante diferente da experiência base de FIFA. É possível participar em vários tipos de partidas, desde encontros de três para três sem guarda-redes e com ressaltos nas paredes, a jogos de futsal de cinco para cinco e com as regras oficiais.

O modo história em si é divertido, ainda que seja bastante previsível e cliché. Seja como for, é divertido acompanhar o progresso e evolução da nossa personagem - e por falar nisso, o sistema de edição do nosso jogador (e treinador no modo carreira) é soberbo, recheado de opções visuais. Depois, ao longo da campanha, pode desbloquear uma série de camisas, calções, ténis, e outros itens cosméticos, além de habilidades para melhorar as capacidades do jogador.

A nível de jogabilidade, os controlos são semelhantes aos do jogo base, mas existem diferenças. O ritmo é muito mais elevado e os toques em habilidade são mais fáceis de executar, resultando em partidas intensas e frequentemente espetaculares. Para sermos perfeitamente honestos, os nossos melhores momentos com FIFA 20 foram passados em Volta, não no jogo base.

Volta pode também ser bastante interessante para quem aprecia futsal, já que permite jogar partidas de futsal com a maioria das regras da modalidade. Como fãs de futsal, adorávamos ver esse lado de Volta ser expandido nos próximos anos, talvez até com licenças oficiais e mais pavilhões.

Muito mudou em FIFA 20. Volta é uma excelente nova forma de apreciar futebol, os modos tradicionais de Carreira e FUT incluem novidades, e o pacote geral de FIFA 20 é estupendo. A qualidade e quantidade de modos de jogo, as licenças, as bandas sonoras (são duas, uma para o jogo base, outra para Volta), o grafismo... enfim, FIFA 20 é um jogo de topo a nível de conteúdo e valor, mas tropeçou no mais importante. A jogabilidade não é terrível, longe disso, permite alguns momentos de futebol soberbos, mas sentimos que deu alguns passos atrás que o tornaram mais frustrante e menos equilibrado que FIFA 19.

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08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Volta é uma excelente adição. Está a rebentar com conteúdo. Níveis de produção elevadíssimos.
-
Alterações à jogabilidade tornaram o jogo mais frustrante e menos divertido. Alguma atrapalhação nas animações. No panorama atual é mais difícil aceitar as loot boxes de FUT.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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