Sony
"A Sony ganhou a E3!", exaltou a internet praticamente em uníssono na passada madrugada de terça-feira. E não foi para menos. Com The Last Guardian, Final Fantasy VII Remake e Shenmue III, a Sony foi direita aos corações de muitos jogadores, mas... olhando friamente para o que se passou, será que foi tudo um mar de rosas para a Sony? Não. Começando pelos três títulos em causa, é preciso recordar que apenas The Last Guardian tem lançamento planeado para 2016 (a ver vamos se cumpre), enquanto que FFVII Remake e Shenmue III estão ainda a vários anos do lançamento. Mais, é provável que ambos sejam eventualmente lançados para outras consolas.
O caso de Shenmue III é particularmente curioso, porque tudo o que a Sony fez, foi dar o palco ao lendário Yu Suzuki e anunciar o URL de Kickstarter para o projeto. Ou seja, houve muito pouco de concreto em relação a FFVII e Shenmue III, e caso se tratassem de dois jogos originais, ninguém teria passado cartão. Mas não são dois jogos quaisquer, são sim dois dos jogos mais pedidos pela comunidade, e é por isso que o seu anúncio - ainda que tenha sido pouco mais que isso - foi uma jogada de marketing genial por parte da Sony. Houve outros pontos de interesse na conferência, como a espetacular - mas esperada - demonstração de Uncharted 4: A Thief's End, a presença do exclusivo Street Fighter V e alguns projetos novos muito interessantes, na forma de Horizon: Zero Dawn e Dreams.
O grande problema é que nenhum dos jogos exclusivos em montra está previsto para 2015, o que significa que, como em 2014, a PS4 prepara-se para um Natal muito despido nesse respeito (o ano passado tivemos Driveclub e LittleBigPlanet 3, mas nenhum deles conseguiu causar o impacto desejado). Também foi algo desapontante - mas esperado - perceber que a Sony abandonou de vez a PS Vita, que terá de se fiar nos jogos de outras editoras e resignar-se a uma plataforma para títulos Indie. Uma pequena nota de curiosidade para o facto da Activision ter trocado Microsoft pela Sony, optado por mostrar Call of Duty: Black Ops III na conferência da última, ao contrário do que foi habitual nos últimos anos. Um sinal dos tempos e das mudanças de paradigma de uma geração para a outra?
Microsoft
A Microsoft continua claramente a correr atrás do prejuízo causado pela conferência de 2013, mas verdade seja dita - e aqui é preciso elogiar o dedo de Phil Spencer -, estão a conseguir virar a maré. 2014 foi um bom ano no departamento de exclusivos, e 2015 não lhe vai ficar atrás. Com Halo 5: Guardians, Forza 6 Motorsport e Rise of the Tomb Raider, a Xbox One tem com larga vantagem o line-up mais apetecível para o final de 2015. E 2016 já tem algumas propostas interessantes, como Gears of War 4, Quantum Break e Crackdown 3. Recore, do lendário Keiji Inafune, é outro projeto que despertou a curiosidade dos jogadores, à semelhança de Sea of Thieves. Conclusão, a Xbox One está a armar-se de um catálogo de jogos exclusivos impressionante.
Apesar de todos os jogos que desfilaram pela conferência da Microsoft, a grande surpresa não surgiu na forma de um videojogo, mas da introdução de retro-compatibilidade para a Xbox One. Até ao final do ano, a Xbox One vai começar a suportar vários jogos de Xbox 360, tenham eles sido comprados em formato físico ou digital. Uma excelente notícia para quem já arrumou a consola passada e gostaria de continuar a aceder à sua coleção da geração anterior. Ou seja, a Microsoft fez pouco de errado na sua conferência e tem um plano muito sólido para o futuro (além de Windows 10 e do HoloLens). Se existe algo que se pode apontar, é talvez a falta de apostas numa grande produção criada de raiz. Algo como Horizon: Zero Dawn, por exemplo, ou Quantum Break da própria Microsoft. Resta perceber se Recore pode encaixar nessa categoria, ou se será um projeto de ambições menores.
Nintendo
Nem os mais confiantes fãs da Nintendo poderiam esperar uma demonstração de força tão impressionante como a de 2014. Foi um ano fantástico, tanto para Wii U, como para 3DS, recheado de grandes exclusivos. Daí o choque deste Nintendo Direct desapontante de 2015, ao ponto de Satoru Iwata já ter garantindo aos fãs que vão trabalhar para "ir ao encontro das suas expetativas" no futuro. Apesar de tudo, ninguém pode acusar a Nintendo de falta de jogos, sobretudo para Nintendo 3DS. Ao contrário da Sony, que praticamente enterrou a PS Vita, a Nintendo mostrou que a sua portátil respira saúde e criatividade. À semelhança dos últimos anos, a 3DS vai receber um catálogo impressionante e variado, garantido ainda mais vitalidade para uma portátil que vai continuar a reinar sem oposição.
O mesmo não pode ser dito da Wii U.
A consola atual da Nintendo teve uma presença muito aquém do esperado e do exigível nesta Nintendo Direct. Star Fox esteve presente, mas não impressionou. Mario Tennis: Ultra Smash será certamente divertido, mas dificilmente venderá consolas. Por seu lado, Xenoblade Chronicles X continua a impressionar, mas está longe de ser uma novidade. A ausência total de Zelda para a Wii U foi um pecado capital, mas não maior que a traição de Samus. Enquanto todos pediam um novo Prime para Wii U, a Nintendo anunciou uma aventura alternativa de Metroid para 3DS, causando a fúria de muitos fãs da saga. Muito pouco para uma consola que parece cada vez mais condenada, sobretudo considerando que o misterioso "Nintendo NX" vai começar a ser promovido no próximo ano. Uma pequena nota para a parceria entre Nintendo e Activision, que permitirá utilizar dois Amiibos especiais na versão Nintendo de kylanders SuperChargers. Um anúncio inesperado, que sem ser bombástico, pode trazer novidades interessantes no futuro.
Conclusão
Pelo impacto dos anúncios de FFVII e Shenmue III, parece que a Sony ganhou claramente a E3 2015, mas uma análise a frio permite verificar que a Microsoft teve tanto - ou mais - mérito naquilo que mostrou. Isto é no entanto uma discussão e uma atribuição secundária, que serve sobretudo para gerar conversa entre os 'fanboys' (não somos todos?). Muito mais importante que isso, as duas conferências mostraram que estamos finalmente a entrar verdadeiramente na nova geração de consolas, deixando definitivamente para trás a PS3 e a Xbox 360. E só assim (e com ideias inovadoras) podemos ter a esperança de continuar a evoluir a maior indústria de entretenimento.