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Análises Digimon Story: Cyber Sleuth - Hacker's Memory

Digimon Story: Cyber Sleuth - Hacker's Memory

É mais uma expansão que uma sequela.
Anders Baad Mai 31 Janeiro 2018

A saga de Digimon sempre viveu um pouco à sombra do rival Pokémon. Alguns fãs de animação japonesa rapidamente o classificaram como um clone, mas outros elogiaram a sua animação mais elaborada comparando com a simplicidade de Pokémon. Os valores de produção de Digimon eram elevados, e a estória acabou por se tornar intrigante, mesmo que a introdução indicasse algo de pior qualidade.

Pela parte que nos toca, gostamos de Digimon tanto quanto gostamos de Pokémon, e por isso ficámos satisfeitos quando a Bandai Namco ressuscitou a série com Digimon Story: Cyber Sleuth. Tratou-se de um jogo de qualidade, bem recebido por fãs e críticas de forma global, e oferecia uma boa base para ser evoluída com novas edições. Esperávamos que este Hacker's Memory fizesse isso, mas não o fez. Não é um mau jogo, longe disso, mas não aproveita os alicerces de Cyber Sleuth como desejávamos, e por isso desapontou-nos.

A narrativa de Hacker's Memory decorre em paralelo com os eventos de Cyber Sleuth. É uma abordagem que permite mostrar a estória através de novas perspetivas, e revelar algumas surpresas, mas também pode ser perigoso. Enquanto os fãs do primeiro jogo podem apreciar o regresso de caras e tópicos familiares, jogadores novatos podem facilmente sentir-se perdidos. Hacker's Memory foi claramente desenhado para quem jogou o primeiro jogo, e como tal é algo que devem desde logo considera antes de apostarem nesta sequela.

Isto torna-se evidente logo a partir das horas iniciais, já que o jogo tem dificuldades em introduzir uma série de elementos. Existem algumas dicas, partilhadas através de caixas de texto, mas como grande parte das mecânicas foram recuperadas de Cyber Sleuth, a Media Vision não deve ter sentido a necessidade de ensinar todo de novo aos jogadores. Isto também significa que o combate por turnos do primeiro jogo, juntamente com o sistema de progresso dos Digimon, estão intactos - com a adição de 100 novas criaturas. Evoluir os Digimons até se tornarem criaturas poderosas continua a ser uma experiência bastante satisfatória, e esse elemento acaba por ter um apelo mais forte que a própria narrativa.

Em parte isso também se deve ao facto da estória não ter grande interesse. Vão assumir o papel de Keisuke, uma personagem que não teria protagonismo noutros jogos, mas que neste caso acaba precisamente por ser o herói da estória. Supomos que a Media Vision queria oferecer ao jogador uma espécie de tela em branco, como forma de desculpa para re-introduzir alguns elementos do mundo de Digimon, mas é difícil perceber qual é realmente o propósito deste Keisuke. Ele é referido como sendo um Hacker, mas nem sabe o que são Digimons. É também um rapaz popular, mas tudo o que o faz na estória é fazer perguntas e agir de forma surpreendida. Já vimos este tipo de abordagem noutros jogos, e de forma muito positiva, onde o guião e o elenco secundário acaba por compensar, como em Persona 5. Não é o caso aqui.

O maior problema de Hacker's Memory é que se parece mais com uma expansão do que uma sequela. Se jogaram e gostam de Cyber Sleuth, aqui vão encontrar mais do mesmo, o que pode ser suficiente para vos satisfazer. Contudo, novatos devem começar pelo jogo anterior. A única novidade que merece ser mencionada é Dominion Battles, que acrescenta um elemento estilo xadrez ao jogo. Ao enfrentarem um grupo de Hackers inimigos, vão fazê-lo numa área em que podem mover as personagens aos dois blocos de cada vez. Depois de pisarem um bloco, torna-se vosso até que um inimigo o ocupe, e se entrarem no campo de inimigo, começa a batalha. É uma adição engraçada, mas sabe a pouco.

Supomos que a verdadeira sequela será um eventual Cyber Sleuth 2, e até lá teremos de nos contentar com esta mega-expansão. Agora que a fundação foi reforçada com dois jogos, esperamos que a Media Vision acabe por finalmente construir um jogo que faça frente a Pokémon, porque Hacker's Memory não faz nada para conquistar novos fãs.

6
Médio em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Sistema de combate agradável. 100 novos monstros.
Contras Pode ser duro para novatos. Keisuke nãp é o melhor protagonista. Podia ter mais novidades.
Nota da rede Média de 5 edições da Gamereactor
6,0
Gamereactor 6
Gamereactor España 6
Gamereactor Italia 6
Gamereactor Nederland 6
Gamereactor Portugal 6
Perfil completo 7 artigos publicados
6
Médio Nota da rede em 5 edições
Dados do jogo
Produtora Media Vision
Editora Bandai Namco
Data de lançamento 18 Janeiro 2018
Género RPG
Plataformas
PS4 PS Vita
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.