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Destiny: The Taken King

Um ano depois do lançamento oficial, Destiny recebe uma vital injeção de conteúdo.

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Uma fatia considerável dos editores do Gamereactor passaram uma boa parte do seu tempo de jogo no último ano com Destiny. Embora tivesse várias falhas quando foi lançado em setembro de 2014, o jogo da Bungie era já uma lição de design no género de ação na primeira pessoa, pelo menos no que respeita à jogabilidade. Uma das maiores críticas feitas ao jogo acabou por ser a forma desconectada como o enredo era apresentado ao jogador. A Bungie já provou, com Halo, que consegue criar histórias empolgantes, mas Destiny é o maior exemplo de que nem sempre sabem a melhor forma de entregar esse conteúdo ao jogador.

The Taken King é no entanto um melhoramento essencial para Destiny. A narrativa é interessante, revelando-se de forma mais coesa e precisa ao jogador. Vão assistir a sequências cinemáticas entre cada missão de história e encontrar personagens que injetam personalidade no mundo de Destiny. Alguns momentos são genuinamente divertidos, graças a uma prestação impecável do ator Nathan Fillion, mas há também a destacar a introdução de Nolan North enquanto voz do novo Ghost, substituindo o muito criticado Peter Dinklage.

The Taken King é portanto uma experiência mais pessoal e interessante, pelo menos numa perspetiva da narrativa. É o tipo de conteúdo indicado sobretudo para quem quer jogar Destiny, mas não na quantidade inacreditável de horas que alguns jogadores já investiram. A história em si não é longa, e até poderá desiludir pela sua brevidade, mas existe muito conteúdo "endgame" para usufruírem depois disso, e não estamos a falar apenas da repetição de conteúdo vezes sem conta (embora isto seja Destiny, logo existe sempre um certo elemento nessa linha).

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Este conteúdo para os jogadores de nível elevado é facilitado por um sistema de missões muito melhorado. Agora existe um menu dedicado em exclusivo a seguir as atividades do jogador, para que possam perceber com maior facilidade quantos inimigos de um tipo ainda precisam de matar, ou quantas Bounties do Crucible vos faltam completar. É um pormenor, mas que faz uma grande diferença na abordagem ao conteúdo mais repetitivo.

Outra componente que foi simplificada está relacionada com a recolha de recursos. Ainda existe muita diversidade, com vários itens interessantes que podem chegar à posse dos jogadores, mas a maioria das ações dos jogadores acumulam agora numa única moeda, necessária para o equipamento de grande qualidade. As Legendary Marks também podem ser recolhidas de várias formas, novamente de forma simplificada. É um sistema mais transparente, que permite que mais jogadores possam ganhar acesso a equipamento de qualidade. Se é perfeito? Não, mas é um grande passo na direção certa.

Algo que não mudou, e ainda bem, foi a mestria da Bungie no design de armas. Existem muitas soluções novas para os jogadores recolherem nos espólios, abrangendo todos os tipos de armas. Também vale a pena referir que a jogabilidade propriamente dita continua soberba. Aliás, em termos de mecânicas base de ação na primeira pessoa, a Bungie domina em absoluto. Cada disparo transmite algo ao jogador, um feedback que faz toda a diferença nos tiroteios, tornando-os ainda mais satisfatórios.

A isso junta-se uma inteligência artificial muito sólida, que dá brilho ao campo de batalha com uma diversidade bastante decente de inimigos. O seu comportamento por vezes chega a ser impressionante e até as batalhas com os Bosses foram melhoradas, já que a Bungie está claramente a explorar novas situações de jogo. Existem inimigos que se duplicam e outros que se teletransportam, mantendo quase sempre a batalha interessante. Em relação ao aspeto dos inimigos, vão encontrar algumas variantes de modelos que já conhecem, mas é bom vê-los a trabalhar com habilidades novas e dinâmicas.

Continuando no tópico da qualidade e variedade visual, vale a pena referir que Destiny nunca teve um aspeto tão impressionante como em The Taken King. A arte é soberba e a forma como a equipa utiliza a iluminação em alguns destes cenários roça o genial. O mesmo pode ser dito do departamento sonoro, que acrescentou alguns temas memoráveis ao que já era uma das melhores bandas sonoras dos últimos anos. Em termos audiovisuais, The Taken King é um mimo para qualquer jogador de Destiny.

The Taken King acrescenta ainda uma dose considerável de conteúdo, na forma de novos Strikes, uma seleção de missões de história que podem revisitar, além de mais Bounties e objetivos. E depois existe o novo Raid, King's Fall. É o regresso ao estilo de algo como Vault of Glass, com secções de puzzles e plataformas, algumas tão difíceis como o próprio Boss. As equipas de seis bravos jogadores que decidirem enfrentar King's Fall vão precisar de uma boa coordenação para saírem vitoriosos, pelo menos até encontrarem formas de explorarem o sistema. Tudo somado, King's Fall pareceu-nos um Raid bem mais interessante que Crota's End.

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Claro que também existe o conteúdo para o Crucible, com oito mapas novos e alguns destaques entre o lote. Crossroads inclui teletransportação e canhões de energia que catapultam os jogadores de um lado para o outro. Bannerfall é uma clara lembrança da Torre que os jogadores exploraram por tanto tempo. Memento é baseado na espinha de uma rua que atravessa o centro do mapa. É uma boa seleção de mapas, e os jogadores vão encontrar alternativas de todos os tipos e tamanhos. A nossa principal queixa prende-se com a necessidade dos jogadores de PvP continuarem a ter de investir algum tempo no conteúdo PvE para subirem de nível.

A Bungie introduziu alguns pormenores interessantes no PvP, como o Total Domination, que termina as partidas quando uma das equipas está a ser dominada pelo adversário. Também podem encontrar novas propostas de jogo, como o Rift, onde os dois lados têm de levar um objetivo para a base oponente. Funciona bem como modo para equipas. Já Mayhem promove a carnificina total, com recarregamento mais veloz de todas as habilidades e granadas. As três classes jogáveis também receberam alguns truques novos, que intensificam ainda mais os papéis normalmente associados a cada uma.

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The Taken King é uma excelente expansão, que introduz muito conteúdo para os jogadores explorarem, mas será que vale o preço exorbitante? Não, parece-nos exagerado. É verdade que tem muito mais para oferecer aos jogadores do que os DLC anteriores, mas não deveria ser tão caro. Também vale a pena referir o inevitável "Grind", a tarefa de repetir conteúdo para ganharem equipamento novo. Alguns adoram essa componente, outros odeiam, mas nos estamos no primeiro campo. Isso faz parte da essência de Destiny, e se não gostam de Grind, bom, é provável que achem esta nota elevada.

Consideramos Destiny como um dos grandes jogos da nova geração, que foi ganhando esse estatuto ao longo do último ano. The Taken King é mais um passo nessa aventura que está a agarrar milhões de jogadores, uma expansão que constrói em cima do muito de bom que já foi feito, e que melhora Destiny em praticamente todos os aspetos. É caro, sim, mas obrigatório para todos os fãs.

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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Mistura sólida de inimigos já existentes. Novas localizações entusiasmantes. Revisões adequadas a alguns sistemas. Boa dose de conteúdo. Excelente iluminação.
-
Ainda nos parece caro comparando com outros jogos. Alguns jogadores não vão apreciar a repetição.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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