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Descenders

Descenders

Testámos este jogo de Downhill para amantes de bicicletas.

  • Ben KerryBen Kerry

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Descenders é um jogo de bicicletas, dedicado à modalidade de Downhill, e esse ponto específico, está bastante bom. Desde o efeito de velocidade, ao efeito sonoro das correntes da bicicleta enquanto descemos por um desfiladeiro, o jogo consegue envolver bem o jogador no embalo da bicicleta. Uma curva errada, ou um salto fora de tempo, implica o fim da corrida, mas tudo isso é perdoado quando o jogo corre bem, porque a sensação é fantástica. Uma cambalhota aérea, seguida de uma sucessão de curvas apertavas, e um loop que acaba numa volta perfeita, incentiva-nos a continuar, a ver o que vem a seguir.

Para terem uma ideia da jogabilidade de Descenders, pensem em SSX, um jogo de pistas 3D em que começam no topo e acabam no fundo de uma ravina ou algo do género. Agora mudem as pranchas por bicicletas e insiram um sistema de física realista, a lembrar algo como Trials ou MTX. Uma diferença importante é que, nesses jogos, realizar acrobacias pode ser o mais importante, mas em Descenders, o embalo acaba por ser tão ou mais determinante. Existem momentos em que apenas manter a bicicleta em pé é um desafio, sobretudo considerando que as pistas são geradas automaticamente, o que significa que nunca sabem ao certo o que vão encontrar.

Esta geração automática de pistas é, contudo, uma faca de dois gumes. Se, por um lado, é interessante ter pistas imprevisíveis, por outro, o jogo raramente consegue equipar a qualidade de pistas minuciosamente desenhadas. Mesmo com esta geração automática, as pistas nunca se distinguem verdadeiramente, e são apenas os eventos exteriores, como uma tempestade ou um desfiladeiro rochoso que tornam as pistas verdadeiramente interessantes.

O conceito de embalo, de ritmo elevado, é algo que se espalha ao longo de todo o jogo, desde a área central à campanha principal. É um conceito que nos agrada, mas que sofre com tudo o que o rodeia, que precisava de ser mais trabalhado.

O modo carreira tem um sistema de progresso não linear através de quatro áreas, divididas em vários níveis. Isto permite que os jogadores abordem os níveis pela ordem que quiserem, classificados nas categorias de profundidade, curvas, e acrobacias, além de alguns níveis especiais. Os níveis normais são muito semelhantes, mas estes níveis especiais são uma forma de variar a jogabilidade, e até incluem momentos em que é necessário jogar na primeira pessoa.

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A dificuldade também vai aumentado de forma gradual, sobretudo com a introdução dos níveis no desfiladeiro. Grandes quedas, rochedos, e rampas, obrigam a uma atenção redobrada apenas para manter a bicicleta em pé, mas a variedade apresentada nesta área é muito bem vinda, sobretudo porque as áreas de Floresta e Terras Altas são algo limitadas ao nível de variedade. A ligação online acrescenta desafios diários para o jogador cumprir, normalmente introduzindo objetivos extra para cumprirem nessas áreas. O modo carreira é razoável em termos de conteúdo, e como o jogo tem esse elemento roguelike, obrigando a recomeçar depois de perderem algumas vidas, acaba por aumentar em longevidade.

Não nos parece, contudo, que esse sistema roguelike seja o ideal para um jogo deste tipo. Como o número de tentativas é limitado, quando nos aproximamos do limite, temos tendência a jogar pelo seguro. A prioridade passa a ser completar as pistas, não fazer uma boa pontuação, o que é frustrante. Se fizerem acrobacias podem ganhar tentativas mais rápido, mas a nossa perceção é que não justifica o risco. Por outros palavras, a nossa experiência com o jogo acabou por ser limitada pelo sistema roguelike.

Fora do modo campanha e dos desafios diários, não existe muito mais para fazer em Descenders. Podem personalizar a bicicleta e a personagem, mas é um sistema algo limitado comparando com outros jogos do género. Também existe a área central, que é uma ideia engraçada, mas teria beneficiado de mais interações, como a introdução de mini-jogos.

Descenders é uma produção de nível reduzido, e isso nota-se também no grafismo e nos efeitos sonoros. Mesmo na Xbox One X, onde jogámos, Descenders não consegue apresentar uma qualidade gráfica muito definida, e pior ainda, inclui alguns bugs gráficos. O jogo teve algum tempo em acesso antecipado, mas o que vimos aqui mostra-nos que teria beneficiado de mais algum tempo a 'cozinhar', sobretudo ao nível da fluidez de jogo. O único elemento que se destaca é a banda sonora, à base de algumas faixas bem escolhidas do género drum'n'bass.

Por € 24.99, Descenders acaba por ser uma experiência de jogo suficientemente sólida para quem gosta de Downhill ou jogos inspirados em desportos radicais, e é ainda mais aliciante para quem tem o Game Pass, já que o jogo foi acrescentado de imediato ao serviço de Xbox One. Podia ser bem melhor, e esperamos que a sequela consiga chegar a esse patamar, mas mesmo sem deslumbrar, Descenders é uma boa alternativa para o género.

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07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
Níveis têm excelente movimento e ritmo. Controlos fáceis. Banda sonora de qualidade.
-
Desempenho decepcionante. Pouco conteúdo. Falta variedade significativa de design dos cenários.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor