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análises
Days Gone

Days Gone

Não está bem ao nível de outros exclusivos PS4, mas é um jogo de qualidade.

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Quando Days Gone arranca verdadeiramente, passaram-se dois anos desde que o mundo como o conhecíamos desapareceu. O apocalipse aconteceu, milhões transformaram-se em Freakers, e a sociedade ruiu. Alguns sobreviveram, e ainda permanecem a lutar pela sua vida, como é o caso de Deacon St John, o protagonista. Trata-se de um antigo soldado, que depois de cumprir o seu serviço militar, e antes do apocalipse, se juntou a um grupo de motards chamado Mongrels.

Muito da história gira em torno do que aconteceu ao amor da sua vida, já que ambos se separaram durante os primeiros dias do apocalipse. Deacon é uma personagem complexa, com motivações credíveis, um código moral próprio, e alguns problemas de confiança. Ao longo da aventura a sua história vai sendo aprofundada com flashbacks, anteriores ao apocalipse, mas também se vira noutras direções. Os próprios Freakers começam a ter um papel curioso na narrativa, ainda que de forma indirecta. Estas criaturas estão vivas, ao contrário dos zombies, e permanecem muitas questões relacionadas com a sua origem, a sua evolução, e a sua consciência.

Devido às circunstâncias e habilidades que adquiriu ao longo da sua vida, Deacon conseguiu encontrar o seu espaço e propósito neste mundo destruído. É um nómada, que embora interaja com acampamentos de sobreviventes, prefere viver à parte, em conjunto com Boozer, um dos seus melhores amigos e companheiro dos Mongrels. Deacon cumpre tarefas para os acampamentos, funcionando como uma espécie de caçador de recompensas. À medida que vai cumprindo missões e objetivos, vai também conquistando a confiança das pessoas dos acampamentos, desbloqueando novas compras e melhoramentos.

Days Gone funciona como um jogo de ação na terceira pessoa em mundo aberto, passado em Oregon nos Estados Unidos da América. O mundo em si inclui curiosidades, objetivos, e claro, perigos, desde freakers a humanos rivais, passando por cultos de doidos e até animais carnívoros. Serão alvo de armadilhas e emboscadas, desde blocos de estrada tapados com carros, a fios que vão derrubar Deacon da sua mota. Até vão encontrar atiradores escondidos à vossa espera em certos pontos do mapa. Também existem curiosidades, muitos carros e veículos com recursos, e até inocentes para salvarem, além de amontoados de freakers nas estradas e no mato.

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O jogo inclui um sistema simples de evolução da personagem, permitindo melhorar certos atributos de Deacon ou adquirir novas capacidades. Para isso terão de ganhar experiência, eliminando inimigos e cumprindo objetivos. Algo que também podem evoluir é a mota de Deacon, o único meio de transporte no jogo. Podem mudar o seu aspeto, instalar peças novas, e melhorar o seu desempenho, mas também terão de cuidar bem da mota. Tal como Deacon, a mota pode sofrer dano, e para a consertarem vão precisar de sucata, normalmente achada noutros veículos, garagens, e outros locais de interesse. Terão inclusivamente de ter atenção à gasolina, ou correm o risco de ficarem apeados. Depois de terão abandonar a mota e ir à procura de gasolina, embora também a possam levar pela mão, o que demora imenso tempo.

O mundo de Days Gone tem também um sistema de clima (chove imenso em Oregon) e um ciclo noite/dia, com impacto na jogabilidade. Os freakers, por exemplo, são mais fortes durante a noite, mas como estão vivos e também precisam de descansar, normalmente recolhem para os ninhos, o que significa que vão encontrar menos freakers à noite. Deacon não tem de dormir, mas podem fazê-lo para avançar o tempo, se assim o desejarem.

Existem vários ninhos de freakers espalhá-los pelo mapa, e queimá-los está entre os objetivos secundários do jogo, mas também terão motivos práticos para o fazerem. Ao limparem uma área de ninhos, vão reduzir a quantidade de freakers nessa zona, e mais importante que isso, terão a oportunidade para fazerem viagens rápidas para essas áreas. Para queimarem estes ninhos têm de usar cocktails molotov, que podem fabricar com recursos. Vão encontrar vários materiais enquanto jogam, que permitem construir munições especiais, explosivos, kits de saúde, e outros acessórios úteis.

Days Gone não inova em termos de jogabilidade, mas funciona. A ação furtiva é uma componente vital da experiência, permitindo passar por inimigos ou eliminá-los silenciosamente, enquanto que os disparos são também adequados. Nada de magnífico, mas como referimos, é sólido e funcional. Também existe um sistema de cobertura, mas ao contrário de outros jogos do género, a saúde de Deacon não regenera sozinha. Vão precisar de kits médicos para recuperar a sua saúde.

O único factor que acabou por afetar a jogabilidade de forma negativa foi a inteligência artificial, que além de não ser globalmente brilhante, tem alguns bugs estranhos. Observámos inimigos parados, outros que não nos observaram quando o deviam ter feito, e alguns até a correrem na direção errada. Gostámos, contudo, das interações entre as várias entidades do jogo. Animais, freakers, e humanos, são todos distintos, e vão atacar-se uns aos outros. Isto significa que podem atrair freakers para um acampamento humano fazendo barulho, por exemplo. Não chega aos níveis de Far Cry, mas gostámos deste tipo de interações entre a própria IA.

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Em termos de inimigos, os freakers foram o principal destaque. De forma isolada, não representam grande perigo, mas em grupo podem ser extremamente perigosos. As hordas, grupos massivos de freakers, podem ser particularmente desafiantes, proporcionando momentos de tensão enquanto tentamos fugir de dezenas de freakers no nosso encalce. Também vão encontrar vários tipos de freakens, como os Newts (são crianças) que servem de vigia, ou os screamers, que conseguem atordoar o jogador.

O mundo tem muitos elementos diferentes, desde o NERO que é uma organização que está a estudar os freakers, aos Rippers, doidos de cabeça rapada e corpo massacrado, que querem converter ou matar o resto dos humanos. Tudo isto alimenta o contexto do mundo e da história, que nos agarrou até ao fim, apesar de ter problemas. Existem incoerências ao nível de eventos e de timing, que quebraram a nossa ligação ao jogo. Por exemplo, a certo ponto estávamos a falar normalmente com Boozer pelo rádio, mas depois de desligarmos, fomos informados que tinha desaparecido. Em poucos momentos, Boozer passou a estar completamente bêbado e numa localização completamente diferente.

Um dos maiores destaque de Days Gone é a qualidade visual e sonora. O grafismo, alimentado pelo Unreal Engine, é fabuloso. Mesmo tratando-se de um mundo aberto, Days Gone é capaz de apresentar excelente detalhe visual, ao nível de texturas, modelos, e iluminação. O jogo até suporta 4K e HDR, caso tenham uma PS4 Pro com uma televisão a condizer. Days Gone está também totalmente localizado para português, com desempenhos positivos dos atores nacionais.

Alguns problemas de estrutura e também técnicos, impedem Days Gone de chegar ao patamar de outros exclusivos PS4, mas isso não nos impediu de desfrutar das cerca de 40 horas que o jogo oferece. É uma aventura com coração, uma narrativa interessante, e mecânicas muito sólidas de jogabilidade. Se apreciam jogos em mundo acerto, ação na terceira pessoa, e uma temática de apocalipse zombie, Days Gone é uma recomendação fácil.

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08 Gamereactor Portugal
8 / 10
+
Abordagem interessante ao género de "zombies". Jogabilidade funciona bem. Vistas fantásticas.
-
Inteligência artificial tem problemas. Nem sempre é a experiência mais coesa. Loadings enormes.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor