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Cyberpunk 2077

Cyberpunk 2077 - Análise

Custa-nos dizer isto, mas este jogo fenomenal tinha de ter sido adiado mais alguns meses...

Cyberpunk 2077 é um dos jogos mais antecipados do ano, e não é para menos, considerando que é o novo jogo dos produtores de The Witcher 3: Wild Hunt - para muitos um dos melhores jogos da última década. Além disso é também evidente que se trata de um projeto extremamente ambicioso, com potencial para elevar o género RPG, mas essa ambição requer dinheiro, tempo, e talento. Dinheiro e talento, a CD Projekt Red tem de sobra, mas tempo parecer ser mais complicado. É que Cyberpunk 2077 foi adiado em várias ocasiões, e agora que testámos a versão final de PC, parece-nos que devia ter sido adiado mais tempo.

O jogo está recheado de problemas técnicos e bugs, e isto já considerando que instalámos a atualização mais recente. Conversámos sobre isto com a CD Projekt Red, que nos informou que estão a trabalhar em atualizações, mas o facto de não ser claro o que será hipoteticamente resolvido até ao lançamento (que é já na quinta-feira), obriga-nos a avançar com a análise ao jogo que jogámos, que a CD Projekt Red nos enviou precisamente para analisar, e não o que Cyberpunk 2077 pode hipoteticamente ser daqui a algumas semanas ou meses.

Encontrámos armas a flutuar, carros a caírem do céu conforme eram carregados para o mapa, personagens a aparecerem ou a desaparecem à nossa frente, objetos segurados à nossa frente em vez de nas mãos, cidadãos em forma de "T" (posição base), personagens presas a animações que não paravam, bocas que não mexiam ao falar, e muito mais - e ouvimos algumas histórias de 'terror' de colegas que encontraram erros ainda mais graves.

Isto é lamentável, porque Cyberpunk 2077 é, em muitos aspetos, um dos melhores jogos que já jogámos, mas não pode estar neste estado. É impossível desfrutar da experiência de jogo tal como ela merece, com tantos erros a acontecerem de forma tão frequente. Ainda assim, vamos esquecer de momento os problemas, e falar do jogo em si.

Cyberpunk 2077

Se tem prestado atenção aos trailers e às nossas antevisões, então já sabe que ao início terá de escolher um passado para a sua personagem: Nomad, Streetkid, e Corporate. Optámos pelo Streetkid, alguém que cresceu nas ruas de Night City, que conhece os gangues, e que não se importa de fazer alguns trabalhos sujos. Depois disso passámos pelo impressionante editor de personagem, onde pode definir o tamanho dos seus órgãos sexuais, o cabelo, os olhos, as tatuagens, e até os dentes. Por fim, é preciso determinar os atributos do protagonista, que se chama sempre V.

Existem cinco tipos de atributos: corpo, inteligência, reflexos, compostura, e tecnologia. Com o avançar do jogo irá desbloquear mais características e variantes, mas estes são os cinco pilares da sua personagem, e o que determinará o tipo de ações que pode executar e as escolhas de diálogo. Depois de ter escolhido o passado da sua personagem, ter definido o seu aspeto, e moldado as suas características, será finalmente solto em Night City. A escolha do passado, contudo, vai determinar onde irá começar e em que circunstâncias - nómada até começa fora da cidade, por exemplo.

Seja como for, irá atravessar um longo prelúdio de várias horas, até que o jogo irá realmente começar, abrindo as portas da cidade à exploração livre. De repente o seu mapa vai encher-se com indicadores de missões, e de tarefas para fazer, o que pode ser algo esmagador ao início - sobretudo quando ainda está a habituar-se às particularidades do mapa. Mas eventualmente vai entrar no ritmo e perceber como tudo funciona.

A história, ou melhor, histórias, de Cyberpunk 2077 são fenomenais, até melhores do que esperávamos. Os diálogos são soberbos, dotados de uma qualidade de escrita que é rara ver nos videojogos, e o facto da ação se passar na primeira pessoa, dá outra imersão às interações com certas personagens. A história principal é bastante adulta, abordando temas como pós-humanismo, sem nunca se esconder de decisões difíceis e momentos sombrios.

As personagens secundárias, como Jackie, Dex, Judy Alvarez, e claro, Johnny Silverhand de Keanu Reeves, são extremamente fortes, com bom passado, personalidade, e arcos narrativos interessantes. E sim, V, é também uma excelente personagem com muito para contar, embora aqui tenha bastante controlo sobre o que dizer e fazer.

Isso estende-se também à jogabilidade em geral e ao combate, com várias habilidades ativas e passivas para ativar. O jogo inclui vários tipos de armas para experimentar, incluindo clássicos como pistolas, metralhadoras, espingardas, e caçadeiras. Existem também uma grande dose de peças de roupa para equipar, com as suas próprias estatísticas, mas como o aspeto também é importante, pode optar por melhorar repetidamente uma peça em vez de a trocar por outra.

Cinco atributos base, dividido em várias categorias, diversos tipos de armas, peças de roupa, equipamento tecnológico, e implantes cibernéticos. É realmente impressionante o grau de escolha e as possibilidades em termos de construção e progressão de uma personagem, e nunca nos sentimos forçados a escolher um estilo específico de jogabilidade. Grande parte disto pode ser construído pelo jogador com recursos, ganho em recompensas de missões, encontrado, ou desbloqueado como reputação com grupos específicos.

Outra componente da jogabilidade é a condução, disponível com carros e motas. A condução é boa, considerando que estamos a falar de um RPG, e cada veículo é suficientemente distinto para fazer a diferença. O mesmo pode ser dito do combate físico e dos tiroteios - não são os melhores que vimos, comparando com jogos especialistas de cada género, mas são extremamente sólidos e perfeitamente adequados para o tipo de jogo que é Cyberpunk 2077.

Todos estes sistemas de jogabilidade são reforçados por um bom motor de destruição, e por extrema violência gráfica, o que realmente dá ainda mais impacto a cada disparo e ação. Se tem problemas com nudez, desmembramentos, e decapitações, este jogo não é para si. Dito isto, existem formas menos violentas de acabar ou incapacitar os inimigos, caso prefira uma abordagem mais pacifista.

E depois temos Night City, um dos mundos de jogo mais detalhados, vivos, e credíveis que já visitámos. Existe grande variedade de personagens a andar pela cidade, com diferentes tipos de roupa, implementações cibernéticas, e comportamentos. É realmente difícil encontrar personagens iguais em Night City, e isso só é possível num jogo aberto desta magnitude com grande trabalho por parte da produtora. O mundo está também cheio de itens para apanhar com várias descrições (isso é comum a tudo, caso pretenda aprofundar o seu conhecimento deste mundo), segredos, diversões e curiosidades.

Dito tudo isto, não deve esperar uma jogabilidade de mundo aberto ao nível de algo como GTA V, por exemplo. Não existe uma variedade assim tão grande de atividades como nos melhores jogos de mundo aberto, e embora a polícia procure o jogador caso comenta um crime, não é exatamente o melhor sistema de crimes e lei que já vimos, sendo bastante simples nesse aspeto.

Ao contrário do que chegou a ser sugerido a certo ponto pela CD Projekt Red, não é possível adquirir apartamentos em Night City, e não pode modificar os veículos. Dá sempre a sensação de que somos um visitante em Night City, e não um dos seus habitantes. Isto talvez venha a mudar no futuro, com o lançamento de novas funções e expansões, mas para já, existem estas limitações.

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Cyberpunk 2077 é também uma produção do mais alto nível, dispondo de espetacular capacidade gráfica, excelente design, interpretações memoráveis dos atores, e uma banda sonora variada e distinta. Personagens de outras nacionalidades, como russos, por exemplo, falam russo entre si, e isso é só uma amostra do nível de detalhe e de atenção da CD Projekt Red. Mas permita-nos uma palavra especial para a banda sonora, desde as faixas criadas para dar ambiente à história e à ação, às músicas de várias bandas, como Refused (interpretam a banda Samurai no jogo), Run the Jewels, Grimes, e Nina Kraviz. Já agora, se pretende transmitir o jogo no Twitch ou no Youtube, pode desativar todas as músicas licenciadas.

Então como ficamos em relação a Cyberpunk 2077? Bem, estamos a falar de um jogo que é uma potencial obra-maior em termos de experiência RPG e de histórias a solo, elevando o género em termos de grafismo, variedade, possibilidades, e narrativa. Mas está 'partido', quase até inacabado. Tecnicamente é um desastre, com bugs e problemas que prejudicam demasiado a imersão e a experiência de jogo. Isto são questões que podem ser hipoteticamente resolvidas no futuro, com atualizações, mas não estamos a analisar um suponhamos, mas o jogo que recebemos, e que acreditamos ser próximo do que irá encontrar no dia 10 de dezembro.

Cyberpunk 2077 é um jogo do futuro, tanto literalmente, como figurativamente. Em termos de qualidade é tudo o que esperávamos deste novo projeto ambicioso da CD Projekt Red, mas é claro que o jogo precisava - e precisa - de mais trabalho. Muito mais trabalho. Se algum dia será o jogo que merece e pode ser? É possível, mas esse dia não nos parece próximo.

Cyberpunk 2077Cyberpunk 2077
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07 Gamereactor Portugal
7 / 10
+
Produção de topo. Johnny Silverhand é excelente. Night City está cheia de vida. Diálogos e argumento de grande qualidade. Boas mecânicas de tiroteios.
-
Está cheio de problemas técnicos, alguns deles inaceitáveis para um jogo no mercado.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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