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Assassin's Creed Valhalla

Assassin's Creed Valhalla

Provavelmente o melhor jogo que a Ubisoft produziu nos últimos anos.

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Enquanto fãs de Assassin's Creed Origins, ficámos um pouco desiludidos com Odyssey. Pareceu-nos que a odisseia grega se repetiu demasiado, sem nunca apresentar um mundo tão rico e tão equilibrado como aquele que encontrámos no Egito. Isto tem uma explicação lógica, contudo, presa aos estúdios que trabalharam o jogo. É que Origins foi produzido pela Ubisoft Montreal, que é o estúdio principal de Assassin's Creed, enquanto que Odyssey foi maioritariamente desenvolvido pela Ubisoft Quebec. O que isto interessa para Valhalla? Bem, este novo jogo foi produzido pela Ubisoft Montreal, e a diferença volta a notar-se.

Assassin's Creed Valhalla é uma verdadeira saga épica através da era dos Vikings, apresentando um dos mundos mais diversificados de um Assasssin's Creed, recheado de pequenas histórias, segredos, colecionáveis, e momentos memoráveis. Mais importante ainda, é simultaneamente um excelente RPG e um jogo de ação em mundo aberto, apenas prejudicado por algumas falhas gráficas e uma inteligência artificial medíocre. Mas tudo considerando, estamos a falar de um dos melhores - possivelmente o melhor - jogo que a Ubisoft produziu nos últimos anos.

Como já deve saber, Valhalla segue a saga de Eivor (que pode ser masculino, feminino, e alternado a qualquer momento) através da era dos Vikings, mas antes disso, segue também a história de Layla no presente. Se não jogou Odyssey e as expansões até ao fim, dificilmente vai fazer sentido do que está a acontecer - mesmo tendo jogado, é difícil acompanhar tudo o que se passa. Sem revelar demasiado, podemos dizer que a história no presente é bastante importante, recuperando algumas caras conhecidas dos fãs. Felizmente é também espaçada, apenas interrompendo a saga de Eivor de forma ocasional, embora possa abandonar o Animus a qualquer momento. Se tem acompanhado a saga desde início, e realmente dedicado tempo ao presente, vai encontrar muitas referências e acontecimentos interessantes, mas se por acaso decidir começar a sua viagem através de Assassin's Creed com Valhalla, o melhor mesmo passa por ignorar ao máximo o presente e tentar saltar o mais rápido possível para dentro do Animus.

A história de Eivor começa na Noruega, ainda em criança, quando assiste à morte dos pais. Anos depois, Evior continua à procura de vingança, mas isso é apenas o primeiro ato do jogo. Depois de alguns eventos que não vamos detalhar, Eivor, o seu melhor amigo Sigurd, e algumas dezenas de outros habitantes da sua cidade, decidem partir para Inglaterra à procura de um sítio melhor para darem início a uma nova vida. Ao chegar a Inglaterra, o grupo estabelece um acampamento, deixando em Eivor a tarefa de conseguir recursos para o fazer crescer.

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Neste acampamento poderá criar dezenas de estruturas, como lojas, ferreiro, estábulos, padaria, quintas, estaleiro, e muito mais. Cada estrutura dá acesso a um tipo de bónus ou função diferente, como melhorar armas e armaduras, personalizar o barco, evoluir os cavalos, mudar penteados e tatuagens, participar em estranhas visões, e muito mais. Embora não exista muita liberdade no desenvolvimento do acampamento (apenas a ordem pela qual constrói estruturas, e alguns adornos espalhados pela áreas), não esperávamos ver tanta vida e tantas funções ligadas a esta componente do jogo. É que cada habitante do acampamento é uma personagem única, que por vezes partilham histórias com Evior, ou até o convidam para participar em atividades, como caçar ou pescar, por exemplo. Eivor até tem acesso a um quarto com uma cama para descansar e uma caixa de correio antiquada, onde irá receber cartas de personagens que vai conhecendo ao longo do jogo.

Para evoluir o acampamento terá de encontrar baús espalhados pelo mundo, e a melhor forma de os desbloquear passa por atacar e pilhar aldeias e cidades inimigas. Ou seja, terá de ser um verdadeiro Viking, e isso implica invadir e queimar as casas de pessoas inocentes. O jogo vai castigá-lo se matar inocentes, mas ainda assim terá de vê-los em pânico e a gritar. Valhalla apresenta uma versão mais suave dos Vikings, mas só até certo ponto. Não há como fugir ao facto de que estes bárbaros nórdicos invadiam, pilhavam, e matavam quem queriam, e se isso não nos incomodou, sabemos que não será o caso com todos os jogadores.

Houve uma estrutura do acampamento que ainda não referimos - a casa dos Assassinos. Depois de dois jogos em que os Assassinos não existiam realmente, soube bem voltar a lidar com o Credo e a sua luta contra os Templários (ou neste caso, a Ordem Antiga). Eivor irá conhecer bem cedo dois assassinos, que ainda praticam algumas das regras antigas do Credo, como cortar o dedo da lâmina como sinal de devoção. Não vamos detalhar muito a história em torno dos Assassinos, mas podemos referir que eventualmente irá desbloquear o objetivo de eliminar membros importantes da Ordem Antiga, que funciona de forma semelhante ao Culto do Kosmos de Odyssey. Existem vários alvos secretos, cuja identidade é revelada conforme encontra pistas ou elimina alvos já conhecidos. Estes alvos dizem apenas respeito aos Assassinos, não aos Vikings, pelo que terá de os eliminar sozinho, e isto motiva uma jogabilidade mais tradicional de Assassin's Creed, incluindo o regresso de algumas ações antigas como usar monges, bancos, e grupos para passar despercebido. Até pode provocar bêbados, o que irá atrair guardas inimigos.

Praticamente todos os elementos da jogabilidade foram melhorados, desde a exploração à acão furtiva, mas é no combate que se nota uma evolução maior. Eivor pode usar qualquer combinação de duas armas - incluindo escudos - ou empenhar armas pesadas que ocupem as duas mãos, além de ter sempre acesso a um arco e flecha, e à lâmina escondida. Valhalla é também o AC com maior número de tipos diferentes de inimigos, obrigando a diferentes reações e abordagens por parte do jogador. O combate é consideravelmente mais visceral que noutros jogos da saga, permitindo decapitações e desmembramentos, e as próprias habilidades especiais de Eivor, possuem todas uma certa natureza brutal.

No seguimento dessa linha de pensamento, convém também deixar o aviso de que Assassin's Creed Valhalla é o jogo mais violento, sombrio, e até macabro da série. Existem cenas de grande violência, com animais desventrados, membros de humanos compostos como objetos, e até áreas "amaldiçoadas", onde terá de encontrar máscaras possuídas para travar a maldição. Algo que realmente apreciámos em Valhalla foi a composição do mundo, com objetivos secundários muito mais interessantes. Existem artefactos romanos, páginas, tesouros, maldições, e uma série de outros artefactos ou itens de interesse para encontrar, mas a nossa atividade favorita são os Eventos do Mundo.

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Estes eventos não chegam a ser sequer missões, mas antes pequenas histórias em que o jogador pode participar. Encontrámos um tipo com comichão na cabeça (tinha um machado lá enterrado), um padre que não se enfurecia com nada, um lutador capaz de derrotar adversários com um só soco (lembrou-nos uma certa personagem animé), uma senhora que oferecia uma noite da sua companhia a quem encontrasse a sua escova, e até antigos guerreiros de Ragnar Lodbrok (já falecido nesta altura) que esperam por um adversário digno que os envie para Valhalla.

O mundo de AC Valhalla é muito mais rico e diversificado que o de Odyssey, com muitas personagens únicas, documentos que enriquecem o contexto do mundo, segredos, e atividades. Até pode participar em jogos de dados, competições de bebida, duelos de insultos, e puzzles místicos (com a ajuda de cogumelos psicadélicos). Assassin's Creed nunca esteve tão perto de The Witcher 3: Wild Hunt em termos de conteúdo e qualidade. Isto alarga-se também à história, que pode ser moldada (até certo ponto) pelas decisões do jogador, e que inclui uma série de personagens memoráveis - além de algumas reviravoltas interessantes. E acredite, estamos a deixar ainda muito por dizer, porque existem surpresas fantásticas em Valhalla.

Existe também o lado mais "RPG", na forma de espólios e habilidades. Embora inclua peças de equipamento para o jogador encontrar, Valhalla funciona mais à base do melhoramento e aprimoramento das peças que tem, do que necessariamente uma troca constante de equipamento, algo bastante exagerado em Odyssey. A árvore de habilidades é também muito mais extensa, dividindo-se entre combate, ação furtiva, e arco. Depois existe o nível de Eivor, que é determinado pelo número de habilidades que tem, em junção com o equipado. Cada área de jogo tem um nível recomendado, o que significa que pode encontrar inimigos muito mais poderosos se visitar alguma área que não deve.

Então e o lado técnico? Bem, primeiro que tudo convém esclarecer que jogámos a versão Xbox Series X, e que não testámos mais versão nenhuma. Ou seja, não sabemos como corre em PS4 e Xbox One, por exemplo. Quanto a esta versão em específico, Assassin's Creed Valhalla apresenta uma qualidade gráfica muito superior a Odyssey, em termos de detalhe, modelos, texturas, e até design. Na Xbox Series X, Valhalla corre com uma resolução 4K (parece-nos dinâmica, que algumas reduções evidentes de definição) e a 60 frames por segundo, algo que até este jogo só era possível no PC. E que diferença faz. Jogar Assassin's Creed a 60 frames por segundo é fantástico, melhorando imenso a fluidez de jogo, mas existe um preço a pagar.

Mesmo na Xbox Series X, Valhalla apresenta 'pop-ups' óbvios no mundo de jogo, mas pior que isso, são notórios vários 'rasgos' no ecrã (o chamado "screentearing"), particularmente evidentes durante sequências cinemáticas de maior intensidade. É uma falha gráfica que já não víamos há algum tempo num videojogo, e é algo que quebra um pouco a imersão de jogo. Mas pior que isso é o comportamento da inteligência artificial. Durante grandes batalhas são evidentes alguns inimigos que estão essencialmente parados, que só reagem ao jogador quando são atacados. Mais bizarro ainda, continuam a apresentar comportamentos absurdos, como subir e descer da mesma plataforma repetidamente. Este é realmente o ponto mais fraco de Assassin's Creed Valhalla, e é algo que precisa de ser urgentemente melhorado pela Ubisoft para os próximos jogos.

Estas falhas só chamuscam levemente o que é um jogo soberbo a quase todos os níveis. História, personagens, gráficos, jogabilidade, mundo, atividades, combate... Assassin's Creed Valhalla é o expoente máximo da saga, e soube particularmente bem ver como a Ubisoft decidiu abraçar vários aspetos da experiência original de Assassin's Creed. Um dos melhores de 2020, e uma recomendação muito alta para fãs de RPG de ação em mundo aberto, a era dos Vikings, e claro, Assassin's Creed.

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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
A saga de Eivor é épica. Acampamento acrescenta muito à experiência de jogo. Mundo repleto de mistérios, segredos e pequenas histórias. Sistema de combate superior.
-
Mesmo na Xbox Series X, apresenta algumas falhas gráficas. Inteligência artificial tem comportamentos absurdos.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor

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