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Gamereactor Análises Assassin's Creed: Rogue
Análises Assassin's Creed: Rogue

Assassin's Creed: Rogue

O "outro" Assassin's Creed não é assim tão mau como isso, e ainda tem o bónus de incluir Lisboa numa secção de jogo.
Ricardo C. Esteves Testado em PS3 17 Novembro 2014

Considerando tudo o que a Ubisoft nos foi dizendo sobre Assassin's Creed: Rogue ao longo dos últimos meses, não seria descabido presumir que este jogo de PS3 e Xbox 360 (já anunciado para PC) poderia ser uma tentativa fácil da Ubisoft em reaproveitar a estrutura de Assassin's Creed IV: Black Flag. E de certa forma, é isso mesmo que acontece. Existe muita reciclagem em Assassin's Creed: Rogue e em termos de qualidade fica aquém de Black Flag, mas inclui, ainda assim, pontos de interesse para os fãs da série - sobretudo os portugueses.

Um dos pontos que mais distingue Rogue dos outros capítulos da série é o protagonista, Shay Patrick Cormac, que como a Ubisoft nos informou desde cedo, é um assassino que eventualmente se torna num templário. O que não se sabia, contudo, era a importância de Lisboa no rumo desta história. Durante uma curta secção, a sensivelmente um terço do jogo, poderão visitar a capital portuguesa, mas não vamos entrar em grandes detalhes para não estragar a surpresa.

Ao contrário de Assassin's Creed: Unity, em que não existe jogabilidade no presente, Rogue aproveita o mesmo conceito de Black Flag. Vão jogar como um funcionário da Abstergo Entertainment, que está a testar as aventuras de Shay. A certos momentos do jogo poderão abandonar o Animus para observarem alguns segmentos de história. Também podem explorar o cenário para encontrarem mais informações que ligam à história de Desmond. Tudo isto no mesmo espaço que visitaram em Assassin's Creed: Black Flag.

Quanto à história no passado, Shay começa o jogo como assassino, e eventualmente torna-se um templário. Isto foi desenhado para mostrar o confronto entre as duas fações pelo lado dos templários, uma forma de assinalar que toda a questão do "bem e do mal" depende sempre da perspetiva. O problema é que tudo parece muito forçado. Como todos os jogos fazem questão de lembrar, os assassinos pretendem informar o mundo da verdade e "libertar" a humanidade, enquanto que os templários preferem usar isso (os segredos dos precursores) para manterem a ordem e o controlo sobre o mundo.

Neste jogo, contudo, obviamente por uma questão de conveniência, os assassinos têm algumas atitudes bastante idiotas, enquanto que os templários parecem ser o grupo mais honrado e justo dos dois. São tomadas várias decisões que não nos parecem credíveis e o próprio Shay parece trocar de lado com alguma facilidade. Enquanto até é aceitável o motivo que o leva a abandonar a irmandade, é difícil aceitar que deixasse os seus ideais para trás e se junta-se ao inimigo.

Não é uma história horrível, mas é claramente forçada e devem ter isso em conta antes de começarem, até porque em termos do arco geral da saga, Rogue acaba por ser bastante importante. O jogo inclui várias personagens dos capítulos anteriores, e faz a ponte entre AC III, AC: Black Flag e até Assassin's Creed: Unity.

Enquanto o mar era o grande atrativo de Assassin's Creed IV: Black Flag, ocupando uma grande porção do tempo de jogo, a ação em AC: Rogue é mais equilibrada. Ainda existe muito mar para explorarem com o novo navio, ocupando fortes, descobrindo colecionáveis, destruindo navios e cumprindo várias atividades secundárias. Até podem evoluir o navio, como acontecia no anterior.

No entanto, Assassin's Creed: Rogue acaba por ter mais tempo de terra, sobretudo porque Nova Iorque - a maior cidade do jogo - é grande e tem muitas atividades. A maioria é copiada de Black Flag, mas existem algumas novidades. Como Shay, a certo ponto, se torna um templário, não terá missões de assassinato. Em vez disso terá de procurar pombos com mensagens dos assassinos (têm de se esgueirar até ao pombo), descobrir a sua localização e impedi-los de assassinarem o seu alvo.

Outra novidade são os gangues de Nova Iorque, que ocupam determinadas zonas da cidade que terão de eliminar e controlar. Depois podem começar a ajudar na construção ou restauração de edifícios da cidade, o que aumentará o dinheiro ganho. Não é nada verdadeiramente novo, mas antes pequenas variações do que já existia.

No que respeita à jogabilidade, Rogue joga-se de forma muito idêntica a Black Flag. Em termos de movimento e combate, é tudo praticamente igual, com a exceção da introdução de algumas armas novas. Até o combate naval funciona de forma semelhante, como seria de esperar. A principal novidade da jogabilidade surge nos inimigos.

Como agora estão a jogar com um templário, vão enfrentar assassinos em boa parte da aventura, que têm acesso às mesmas técnicas que o jogador. Isto significa que se podem esconder em vários locais, como montes de feno, vegetação ou bancos, de forma a apanharem o jogador de surpresa. Se forem atacados desta maneira, vão perder bastante saúde no processo.

Sempre que está um assassino por perto, começam a ouvir assobios, momento em que devem acionar o sexto sentido de Shay para encontrarem os seus esconderijos e obrigá-los a saírem. É uma inversão engraçada dos papéis, que acrescenta alguma particularidade a um jogo que precisava desesperadamente disso mesmo.

À semelhança do que já tinha acontecido com Assassin's Creed IV: Black Flag, AC: Rogue tem um comportamento bastante digno na PS3 e Xbox 360. Graficamente não é o jogo mais inspirado que já vimos, mas tem bom aspeto e a framerate corresponde normalmente bem. Aliás, Rogue acaba por correr muito melhor nas consolas antigas que Unity nas novas, o que não deixa de ser irónico (e um pouco triste).

Assassin's Creed: Rogue não tem a magia de Black Flag, que aproveitou muito bem a novidade das batalhas navais e explorou o romantismo dos piratas. Sem esses elementos, e com um protagonista consideravelmente menos carismático, Rogue perde força em comparação com o seu antecessor. Com muita reciclagem de conteúdo e sem o encanto de Black Flag, Rogue não é de todo um jogo obrigatório, mas é suficientemente bom para agradar aos fãs mais devotos da saga.

7
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Muitas atividades extra. Conteúdo naval. Abordagem interessante para a história. Experiência optimizada. Primeira aparição de Lisboa no jogo.
Contras Muita reciclagem de conteúdo. Momentos forçados da história. Poucas novidades.
Nota da rede Média de 6 edições da Gamereactor
6,5 amplitude 5–8
Gamereactor 6
Gamereactor Norge 6
Gamereactor Deutschland 8
Gamereactor España 5
Gamereactor Italia 7
Gamereactor Portugal 7
Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 2013 · 7.617 artigos publicados
7
Bom Nota da rede em 6 edições
Dados do jogo
Produtora Ubisoft Sofia
Editora Ubisoft
Data de lançamento 13 Novembro 2014
Testado em PS3
Género Action, Adventure
Plataformas
PS3 Xbox 360 PC PS4 Xbox One Nintendo Switch
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