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Análises Ancestors: The Humankind Odyssey

Ancestors: The Humankind Odyssey

A evolução humana está nas suas mãos, no novo jogo do criador de Assassin's Creed e Prince of Persia: The Sands of Time.
Ingar Takanobu Hauge 28 Agosto 2019

Custou, mas o novo projeto de Patrice Désilets viu finalmente a luz do dia. Patrice Désilets é um dos co-criadores de Assassin's Creed e Prince of Persia: The Sands of Time, mas depois de ter saído da Ubisoft de forma pouco amigável, enfrentou uma série de problemas. Não os vamos enumerar aqui, bastará dizer que Ancestors: The Humankind Odyssey é o resultado do seu trabalho nos últimos anos, em conjunto com a sua equipa na Panache Digital Games.

Com um conceito completamente atípico para um jogo, que tem como temática a evolução da humanidade, Ancestors: The Humankind Odyssey tem o objetivo de recolocar Patrice novamente no mapa da indústria, mas será Ancestors capaz de cumprir com a visão ambiciosa do seu criador? É o que tentaremos descobrir nesta análise.

Em Ancestors: The Humankind Odyssey vai assumir o papel de um dos primeiros descendentes da raça humana, ou do Homo Sapiens, se preferir. Isto significa que a ação passa-se em África, há mais de 10 milhões de anos, e o objetivo do jogador passa por aumentar as hipóteses de sobrevivência e de reprodução da espécie para que continue a evoluir. Se dominar as mecânicas do jogo será capaz de evoluir a um ritmo muito mais veloz que a evolução real, mas se falhar, bem, vai condenar toda a raça humana mesmo antes de ela existir. Sem pressão.

Ao contrário do que Pokémon nos ensina, a evolução das espécies é um processo longo. MUITO longo. Mas, como estamos a falar de um jogo, esse processo funciona de maneira diferente em Ancestors, ainda que tente mostrar ao jogadores como pode ter funcionado, e de forma interessante. Passos importantes, como aprender a usar ferramentas, comunicação mais avançada, e capacidade para caminhar em duas pernas, são alguns dos passos que vai atravessar em Ancestors.

Como é óbvio, os nossos descendentes não tinham uma lista de objetivos a cumprir para evoluírem, e como tal, o jogo também não os oferece ao jogador. Ancestors: The Humankind Odyssey é uma experiência muito deixada à interpretação do jogador, e mesmo quando começar a jogar, será apresentado com a mensagem "Boa sorte, porque não o iremos ajudar". Isto significa que as primeiras horas com o jogo podem ser particularmente frustrantes e confusas, enquanto tenta perceber o que é suposto fazer.

Ancestors não é certamente o primeiro jogo com este tipo de abordagem, com esta recusa de levar o jogador pela mão, mas neste caso pode ter sido levada longe demais. Existe uma linha muito ténue entre preguiça e incapacidade, e um design pedagógico, e em Ancestors a balança cai várias vezes para o lado menos positivo. O simples processo de perceber o que significam as indicações na interface é demoroso e complicado, obrigando a percorrer os menus, e isto no modo em que todos os tutoriais estão ativados.

Na nossa opinião o jogo precisava de explicações mais competentes e uma curva de aprendizagem mais suave, e acreditamos que a maioria dos jogadores sentirá o mesmo. Dito isto, também vão de certeza existir jogadores que ficarão fascinados com a abordagem de Ancestors, mas goste-se ou não da abordagem, parece-nos que é um design mais prejudicial e frustrante que eficaz e interessante.

Eventualmente a frustração começa a dissipar, e é aqui que entra um período quase meditativo de repetição. O jogo entra numa rotina agradável, onde o jogador irá tomar conta deste grupo de primatas. Essa rotina envolve arranjar comida e bebida, dormir, procriar, e ensinar as bases da vida à geração seguinte, não com um primata específico, mas com qualquer um deles - quando morrer irá assumir o controlo de outro membro do grupo.

O jogo inclui um sistema de evolução, que é provavelmente um dos aspetos mais bem conseguidos de toda a experiência. Esse sistema está baseado no fundamento de "macaco vê, macaco faz", o que num sentido prático significa que deve carregar uma das crias consigo para que veja o que está a fazer. Através dos processos de observação, imitação, e repetição, novos neurónios aparecem no cérebro coletivo do clã, e esse neurónios são depois transportados para a geração seguinte. Isto significa que as crias do clã não terão de aprender tudo de novo, ou seja, é uma representação do instinto animal. Como referimos há uns parágrafos, é uma versão simplificada do processo evolucionário, mas funciona.

Ancestors: The Humankind Odyssey é um jogo com ideias muito próprias e um conceito corajoso, interessante até, mas a sua maior falha é não conseguir apresentar tudo isso de forma divertida ao jogador. A verdade é que o ciclo de jogabilidade se torna aborrecido passado algum tempo, e sem uma história ou grande propósito para perseguir, torna-se gradualmente mais difícil continuar a acompanhar o jogo. Existem sempre novas habilidades para descobrir e habitats por explorar, e a mecânica para balançar pelas árvores é fantástica, mas só isso não é motivação que chegue para continuar. Em cima disso existem os inúmeros perigos que vão encontrar, na forma de quedas, comida venenosa, e uma série de predadores que podem matar a vossa personagem num ápice.

O facto de ser um projeto tão ambicioso, feito por um estúdio novo e com um orçamento inferior ao da maioria dos jogos AAA, tem também impacto. A nível de produção tem várias limitações, como um grafismo pouco impressionante e muitas sequências e animações repetidas, que se tornam cansativas depois de algum tempo - sobretudo porque não as podem passar à frente. Primatas bebés são engraçados, mas às tantas começa a ser aborrecido ver sempre a mesma sequência para o nascimento.

Ancestors: The Humankind Odyssey não é um jogo para todos os jogadores. A ausência de tutoriais ou instruções básicas serão demasiado frustrantes para a maioria, que dificilmente terão paciência para ultrapassar essa curva de aprendizagem. Depois, o facto de não existir uma história ou fio condutor que motive os jogadores, será outro factor para que abandonem o jogo. Ficarão os poucos curiosos que procuram algo diferente nos seus jogos, algo em que possam mergulhar e perder-se, jogadores com paciência para aprenderem da forma mais difícil. Se sente que pertence a este grupo, força, pode vir a gostar de Ancestors: The Humankind Odyssey, mas todos os outros devem evitá-lo a menos que tenham curiosidade e o encontrem numa boa promoção.

6
Médio em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Conceito interessante. Sistema peculiar de evolução. Incentiva à exploração do jogador.
Contras Tutoriais não são eficazes e a curva de aprendizagem é longa. Controlos não são intuitivos. Não existem objetivos definidos pelo jogo. O jogador tem de encontrar a sua própria diversão.
Nota da rede Média de 10 edições da Gamereactor
5,7 amplitude 3–6
Gamereactor 6
Gamereactor Norge 6
Gamereactor Deutschland 3
Gamereactor España 6
Gamereactor France 6
Gamereactor Italia 6
Gamereactor Nederland 6
Gamereactor Portugal 6
Gamereactor Polska 6
Gamereactor Asia 6
Perfil completo 17 artigos publicados
6
Médio Nota da rede em 10 edições
Dados do jogo
Produtora Panache Digital Games
Editora Private Division
Data de lançamento 26 Agosto 2019
Género Adventure
Plataformas
PC Xbox One PS4
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.