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análises
Far Cry 5

Far Cry 5

Aleluia irmãos, Far Cry 5 é glorioso!


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Existem três características que ajudam a detectar um culto religioso: um líder autoritário capaz de motivar um seguimento cego; uma mensagem forte e poderosa capaz de justificar todo o tipo de ações; intenção e capacidade para destruir todos os que resistam à mensagem ou objetivos do grupo. Estes três fatores foram determinados por Rick Alan Ross, especialista em seitas que trabalhou de perto com a Ubisoft na concepção de Far Cry 5.

Far Cry vem de uma certa tendência previsível criticada nos últimos jogos. É por isso que este quinto capítulo, apesar de manter uma estrutura identificável com a série (liberdade, veículos, sanidade, loucura), tenta seguir um rasto mais contemporâneo e relevante nos dias que correm, e é algo representado pelo "pai", Joseph Seed, o grande vilão que vão enfrentar em Far Cry 5. O facto do jogo se passar no estado de Montana, nos EUA, também acrescenta a essa autenticidade.

Os vilões de Far Cry tendem a ser figuras completamente insanas e perigosas, como o sádico Vaas e o tirano Pagan Min. O novo antagonista, Joseph, é diferente. É alguém que esconde os seus objetivos e a sua megalomania por trás de um discurso paternal e religioso, alguém capaz de levar a sua avante através de uma convicção inabalável que é suportada por muitas 'verdades'. Isso, e um carisma autoritário, permitem-lhe ter um exército de seguidores capazes de fazerem tudo pelo seu líder.

O jogo começa com a tentativa de prisão de Joseph, enquanto o jogador acompanha o Xerife e um representante de uma força especial, bem no seio da organização do vilão. Não será spoiler dizer que essa tentativa de prisão é um verdadeiro desastre. A partir desse ponto, a missão do jogador passa por formar uma resistência dentro do estado para acabar com a família Seed, o seu culto religioso e seu projeto: as Portas de Éden. O mapa está dividido em três grande áreas, cada uma controlada por um membro da família Seed, e o jogador terá de quebrar esse domínio.

John Seed é um pregador de televisão, equipado com grande autoridade, carisma, e conhecimento legal. A irmã mais nova, Faith, apresenta-se como uma espécie de virgem-maria e salvadora, e é a "voz" do culto. Depois temos Jacob Seed, o irmão mais velho e perito militar, encarregue do recrutamento e da segurança. Todos obedecem a Joseph Seed, o patriarca das Portas de Éden. Esta é a base da estória, e também da estrutura do jogo em termos de divisão de territórios e particularidades das personagens.

Embora apresente um tema mais atual e até sensível, pegando no fanatismo religioso e na paranóia de algumas regiões dos EUA, Far Cry 5 não esqueceu os pilares da série. É um jogo de ação na primeira pessoa em mundo aberto, com muita liberdade e oportunidades infinitas para o caos e um pouco de loucura. Como tentar invadir uma base inimiga de forma furtiva, para de repente aparecer um urso a lançar o pânico na base, ou uma carrinha cheia de inimigos que nos deteta e estraga todos os planos. Ou então pegarem num amigo para o modo cooperativo, subirem para uma carrinha com uma enorme arma estacionária, e entrarem de rompante pela base adentro enquanto buzinam como se fosse as trompetes do juízo final. Depois fomos destruídos por um morteiro que nem sabíamos que existia, mas não deixou de ser hilariante e caótico.

O jogo está recheado de armas e veículos. O arsenal é formado por metralhadoras, arcos, pistolas, espingardas, caçadeiras, lança-mísseis, lança-chamas, dinamites, facas de arremesso, granadas, e explosivos remotos. Em termos de veículos, existem pequenos aviões e embarcações, moto-quatro, carros, e várias variantes dos mesmos. Tudo isto para explorarem um mapa que, embora não seja algo tão massivo quanto AC Origins ou Far Cry 4, é grande o suficiente para que o jogador se perca na sua exploração.

Para ganharem acesso aos líderes de cada território têm primeiro de cumprir uma série de objetivos e missões, como resgatar reféns, ajudar personagens, e recuperar bases (desta vez já não existem torres para trepar, excepto uma na brincadeira). Isto leva-nos ao sistema de progressão. A Ubisoft mudou certos aspectos para que desta vez o desenvolvimento da personagem dependa das conquistas do que vão fazendo ao longo do jogo, dispensando os habituais sistemas de pontos de experiência e níveis.

Outra mudança importante é que desta vez não estão a jogar com uma personagem específica, mas com alguém criado de raiz. Não existem muitas opções de personalização, mas podem criar uma personagem feminina ou masculina, e depois desbloquear várias opções para vestimentas (algo que nunca vêm, já que o jogo é na primeira pessoa, mesmo durante sequências de vídeo). Ao ganharem pontos de habilidade, podem comprar habilidades pela ordem que quiserem, desde a capacidade para usarem o gancho para se pendurarem, à hipótese de terem um urso agressivo como mascote.

O jogo tem também um foco maior na cooperação, seja com amigos, ou com companheiros controlados pela inteligência artificial. Podem ter sempre um companheiro convosco, desde várias personagens, a um amigo. Esse amigo pode jogar convosco todo o jogo, incluindo missões de estórias, mas devem saber que o jogador que se junta não irá gravar o seu progresso em termos de missões ou conquistas, apenas ao nível de armas e progresso da personagem. De referir ainda que o co-op está limitado a dois jogadores.

Outra mudança está no sistema de caça e de criação de itens. Já não conseguem produzir itens com os materiais dos animais, em vez disso podem vendê-los por bom dinheiro. A personagem é um agente da lei, numa cidade americana, logo não faz muito sentido que ande a caçar para construir bolsas feitas de pele. Ah, e também têm acesso a um novo sistema de pesca.

A atmosfera de Far Cry 5 é fantástica, e a recriação da vida rural em Montana transportou-nos completamente para esse mundo. É fácil perdermos-nos nas suas montanhas, florestas e riachos, ainda que a ausência de efeitos climatéricos tenha sido uma desilusão. Enquanto Far Cr 3 e Far Cry 4 eram tecnicamente muito parecidos, em Far Cry 5 nota-se uma melhoria gráfica. Não é um mundo de diferença, mas o novo jogo tem uma melhor qualidade visual, sobretudo se estiverem a jogar com HDR e em 4K. Também ficámos impressionados com a solidez da experiência de jogo. Não é perfeita, mas não encontrámos problemas técnicos graves ou que atrapalhassem a nossa diversão.

Ainda é preciso falar de Far Cry Arcade, um modo de edição e criação de mapas, que além de ser bem mais completo que os dos jogos anteriores, inclui uma série de objetos e materiais de outros jogos da Ubisoft, como Assassin's Creed e Watch Dogs. Neste modo até existem mapas multijogador, embora sejam simples partidas de seis contra seis. Estamos curiosos para ver o que a comunidade irá criar, e o que a própria Ubisoft irá acrescentar ao longo dos próximos meses.

Far Cry 5 retém todas as forças da saga, transportando-as para um mundo e um contexto mais próximos da realidade que conhecemos. É corajoso em termos dos tópicos que aborda, mas nunca se esquece do tipo de jogo que é, onde o caos e as situações aleatórias são o que mais motivam os jogadores. Tudo embrulhado numa jogabilidade fantástica a todos os níveis. Nem tudo na nova estrutura resulta bem, mas adorámos visitar o mundo perverso de Far Cry 5.

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09 Gamereactor Portugal
9 / 10
+
Recriação fantástica do ambiente. Vilão insano, mas credível. União conseguida de várias mecânicas de jogo sólidas. Modo cooperativo. Editor do Far Cry Arcade.
-
A inteligência artificial nem sempre é "inteligente". Alguns aliados tornam o jogo demasiado fácil.
overall score
Esta é a média do GR para este jogo. Qual é a tua nota? A média é obtida através de todas as pontuações diferentes (repetidas não contam) da rede Gamereactor