Skip to main content
Gamereactor Especiais
Especiais

A Bethesda como Cavalo de Troia da Microsoft?

Pode ser uma forma de incentivar a Sony a colocar o Game Pass na PlayStation.
Ricardo C. Esteves Editor-in-Chief Portugal 21 Março 2021

A aquisição da Zenimax - e consequentemente da Bethesda - por parte da Microsoft foi um dos negócios mais incríveis dos últimos anos na indústria de videojogos. De uma assentada a Microsoft garantiu todas as licenças, estúdios, e tecnologias da Bethesda, reforçando consideravelmente o portfólio do universo Xbox. Estamos a falar de jogos como Doom, The Elder Scrolls, Wolfenstein, Fallout, Starfield, Prey, The Evil Within, e Dishonored, produzidos por estúdios onde se incluem Bethesda Softworks, Arkane, id Software, Machine Games, Tango Gameworks, e Zenimax Online.

Se isto garante à Microsoft e aos jogadores de Xbox (e Windows 10) acesso a um grande número de jogos promissores, por outro lado pode vir a privar os jogadores de PlayStation e de Nintendo desses mesmos jogos. A Microsoft tem circulado o tópico da exclusividade dos títulos Bethesda com pezinhos de veludo, mas no evento de apresentação da Bethesda há uma semana, Phil Spencer deixou algo muito claro: "a aquisição da Bethesda é para entregar excelentes exclusivos onde existe o Game Pass".

Não deixa de ser curiosa a forma como o líder da Xbox se expressou em relação a este assunto, porque optou por mencionar o Game Pass em vez da consola ou do Windows 10. "Onde existe o Game Pass". Neste momento, isso implica Xbox One, Xbox Series X|S, Windows 10, e Xbox Cloud Gaming (disponível para Android e em breve no PC e dispositivos iOS).

Mas e se a vontade da Microsoft passar por colocar o Game Pass noutros sistemas, como as consolas PlayStation e Nintendo? Será que os jogos da Bethesda seriam suficientes para convencerem Nintendo - mas sobretudo Sony - a ceder? É que parece claro que o grande negócio da divisão Xbox neste momento é o Game Pass, não tanto as consolas em si, e quantos mais jogadores alcançar, melhor.

Durante uma conversa com o Gamereactor em 2020 (que pode ler na íntegra aqui), Phil Spencer mostrou-se aberto à possibilidade de lançar o Game Pass nas consolas PlayStation e Nintendo, embora existam muitas barreiras para quebrar antes que isso possa acontecer. A que nos parece mais relevante é que, pelo que Phil Spencer tem dito até ao momento, o Game Pass não pode ser apenas uma biblioteca de jogos - tem de ser a experiência completa Xbox, que inclui ligação direta ao Xbox Live, aos Achievements, e ao Xbox Cloud Gaming.

Não será fácil quebrar essas e outras barreiras, mas os jogos da Bethesda podem servir como uma espécie de Cavalo de Tróia para a Microsoft, uma forma de entrar nessas plataformas. Para Sony e Nintendo receberem os jogos Bethesda (e potencialmente outros exclusivos Microsoft) teriam de aceitar a implementação do Game Pass nos seus ecossistemas, com tudo o que isso implica.

Doom Eternal, Dishonored 2, e The Elder Scrolls V: Skyrim são alguns dos muitos jogos Bethesda no Game Pass.

Isto aumentaria consideravelmente o número de jogadores a que o Game Pass poderia chegar, mas também podia ser positivo para Sony e Nintendo, e em particular para os seus jogadores. É que neste momento não existe melhor 'negócio' no mercado para os jogadores do que o Game Pass. Por € 9,99 por mês é possível aceder a uma biblioteca estupenda de videojogos, que inclui quase todos os jogos da Bethesda, todos os exclusivos Xbox, e até vários lançamentos recentes. Ainda agora anunciaram a introdução de Outriders, que é um dos grandes lançamentos de abril, logo a partir do dia de lançamento. E por € 14,99 ainda se tem acesso ao Game Pass Ultimate, que dá acesso às vantagens do Xbox Live Gold e ao EA Play da Electronic Arts.

É inquestionável o grande valor do Game Pass, que ofusca por completo a proposta da Sony, o PS Now. Não que o PS Now seja um mau serviço - longe disso -, e se existisse sozinho no universo, seria fantástico. A questão é que não existe sozinho, e comparado com o Game Pass, acaba por ficar muito aquém. Jim Ryan, da Sony, já falou deste tópico em algumas ocasiões, referindo que mudar o PS Now para ser idêntico ao Game Pass não é algo que estejam dispostos a fazer, em particular para passar a incluir exclusivos Sony no dia de lançamento.

Ora, se não é prático transformar o PS Now no Game Pass, porque não abrir as portas à Microsoft e ao Game Pass. Parece-nos que todos ficaríamos a ganhar - Microsoft porque chegaria a mais jogadores, Sony porque resolvia o "problema" do Game Pass e da Bethesda, e os jogadores, que teriam acesso a um excelente serviço e a mais jogos.

Vamos esperar para ver como tudo se irá desenrola, mas estamos mais convencidos que nunca que sistemas e ecossistemas completamente fechados é algo que eventualmente acabará por mudar, e a Bethesda pode vir a desempenhar um papel fundamental nesse futuro.

The Elder Scrolls VI, Starfield, e o novo Indiana Jones são alguns dos jogos que a Bethesda está a desenvolver.

Editor-in-Chief Portugal Ricardo C. Esteves was editor-in-chief of Gamereactor Portugal, writing for the site from 2013. He covered video games across news, previews and reviews, and also wrote on film and television.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 2013 · 7.617 artigos publicados
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.