Uma nova revisão constatou que a descriminalização da cannabis não parece aumentar o uso da droga. No entanto, quando o medicamento é vendido comercialmente, isso leva a um aumento do uso e pode ter efeitos prejudiciais na saúde mental dos usuários.
Segundo o The Guardian, uma equipe internacional tem pesquisado a mudança nas políticas sobre cannabis entre 2000 e 2025. Eles analisaram a quantidade de usuários, a potência da droga e as taxas de psicoses. Nos EUA, Canadá e outros lugares onde a cannabis foi comercializada e também legalizada, a potência da droga aumentou, levando mais pessoas a frequentar hospitais com psicose e outros problemas de saúde mental possibilitados pelo uso da droga.
Em outros territórios, onde a droga foi recentemente descriminalizada, não há muitas evidências de mudança de uso ou de declínio na saúde psiquiátrica. O mesmo vale no Uruguai, onde a droga é descriminalizada por meio de uma forte regulamentação governamental.
Tom Freeman, primeiro autor da revisão e professor de psicologia na Universidade de Bath, disse que os resultados são animadores para países que consideram a descriminalização. No entanto, ele também afirmou que a forma como a comercialização está se desenrolando é semelhante à das indústrias do tabaco e do álcool. "Quando existe uma indústria com fins lucrativos, especialmente para um produto viciante, há um incentivo para vender produtos mais baratos e de alta potência, porque eles sabem que quanto mais venderem, mais dinheiro vão ganhar, e isso pode aumentar o uso", disse ele.
