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Análises UFC 2

UFC 2

E ao segundo round, K.O.
Jonas Mäki 18 Março 2016

Segundo Chuck Liddlell, lenda do UFC, não existem muitas coisas melhores do que aplicar um golpe de nocaute ao adversário. E parece que ver alguém fazer isso também é entusiasmante, considerando a popularidade em crescendo do MMA, sobretudo via a organização UFC. Não é de estranhar que a EA Sports tenha feito um esforço para adquirir a licença, mas depois de uma estreia desapontante, este segundo jogo volta a desiludir.

Recriar os acontecimentos que desenvolvem quando um lutador cai no chão e outro decide agarrá-lo, não é fácil, e a EA mostrou grandes dificuldades para o conseguir fazer no primeiro EA Sport's UFC. A Yuke produtora anterior, também nunca conseguiu recriar muito bem essa realidade do desporto, mas UFC 2 dá um passo positivo nessa e noutras direções.

O primeiro impacto causado pelo jogo é impressionante, sobretudo pela fantástica qualidade gráfica. Quando Jon Jones e Anthony Johnson entraram no octógono para lutarem, mal podíamos acreditar no que estávamos a ver. A forma como se rodearam antes da batalha, tentando mexer com as emoções um do outro, foi algo especial de se ver. O nosso nível de entusiasmo disparou de imediato, na expetativa de que UFC 2 podia ser finalmente o jogo que o desporto merece.

Depois começou o combate e a ilusão dissipou-se. Se os modelos e a iluminação das personagens são fantásticas, as animações deixam muito a desejar. Os golpes não parecem dinâmicos e as interações entre as personagens nunca transmite uma sensação de realismo. Os lutadores movem-se com tal rigidez que parecem robôs, e isso quebra de imediato a sensação de que estamos a ver um combate de UFC. Infelizmente é o tipo de jogo que fica muito melhor em imagem parada do que em vídeo.

A jogabilidade também apresenta problemas, sofrendo com uma ambição desmedida da EA Sports para criar um sistema de combate ultra-realista. O facto de ser possível direcionar os ataques a várias posições do corpo acaba por tornar a jogabilidade desnecessariamente complexa e atrapalha o ritmo do combate. Não existe qualquer fluidez e ligação entre os golpes, e por vezes até parecem pausar ligeiramente, como que se o jogo não soubesse bem o que fazer a seguir.

As repetições sofrem de problemas semelhantes, e a câmara por vezes parece perdida dentro do ringue, sem conseguir captar eficazmente o melhor ângulo. Em cima de tudo isto há ainda que referir a falta de entusiasmo dos comentares, que sofrem também com análises incorretas ao que se passa.

Antes de saltarem para os combates a sério, podem e devem passar por um modo de treino, que vos explicará todas as ações ao vosso dispor. UFC 2 é um jogo com mecânicas peculiares, e por isso não é exatamente fácil de pegar e jogar. Isso afeta naturalmente os combates entre amigos, que podem não saber jogar devidamente, mas isso não tornou os combates mais fáceis. O facto de estarem sempre a andar de um lado para o outro a evitar golpes, causou-nos grandes dificuldades para aplicarmos o nosso jogo, e isso acontece porque UFC 2 só funciona se os dois jogadores jogarem exatamente "como é suposto".

Apesar destes problemas, existem alguns momentos entusiasmantes em UFC 2. Quando o treinador grita do canto, o público vibra, e os comentadores mostram entusiasmo pela ação correta, UFC 2 parece quase perfeito e será capaz de causar grande adrenalina nos fãs do desporto. Infelizmente esse momentos não são comuns. Falta tensão aos combates, dinamismo, e impacto nos ataques.

A componente do jogo que mais gostámos foi a recriação do jiu-jitsu, que transforma as mecânicas habituais em algo que se parece mais com um mini-jogo, onde têm de manter os ataques, agarrar o oponente e estar atento a contra-ataques. Estes combates foram particularmente entusiasmantes, mesmo que a jogabilidade não impressione.

Se conseguirem jogar UFC 2 contra um oponente de qualidade idêntica, podem retirar alguns bons momentos do octógono, mas muitos serão atraídos pelo modo a solo, e nesse campo o destaque é a carreira. Infelizmente, foi construída sem imaginação, baseando-se em fórmulas tradicionais em que o jogador cria um lutador e começa uma carreira a partir do fundo. Falta dinamismo e emoção.

Os jogos mais recentes de Wrestling mudaram um pouco esse prisma, e começaram a incorporar também as carreiras dos lutadores mais famosos. O que a EA Sports fez aqui é o básico de qualquer carreira de desporto, e isso já não chega na nossa opinião. Outra novidade é a introdução de um modo Ultimate Team, que à semelhança de FIFA e outros jogos da EA Sports, propõe a construção de uma equipa, neste caso composta por cinco lutadores. Será curioso perceber como a comunidade vai receber este modo, já que a principal atração vem da possibilidade de enfrentar equipas de outros jogadores.

UFC 2 mostrou que a EA esteve atenta às críticas do jogo anterior, introduzindo mais conteúdo, recriando combates clássicos e alterando a mecânica de confrontos no chão. Mas só isso não chega. Apreciamos a atenção ao detalhe, mas a EA precisa claramente de se concentrar mais nos combates em si, e menos no espetáculo que os rodeia. Para grandes fãs do desporto, UFC 2 será bom o suficiente para os entreter, mas existe muito por onde a EA pode e deve melhorar o seu jogo.

6
Médio em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Excelente recriação dos lutadores. Sistema de combate profundo. Boa seleção de lutadores.
Contras Animações podiam ser melhores. Controlos demasiado complexos. Combates são lentos. Repetições são horríveis.
Nota da rede Média de 6 edições da Gamereactor
6,0
Gamereactor 6
Gamereactor Norge 6
Gamereactor Deutschland 6
Gamereactor España 6
Gamereactor Italia 6
Gamereactor Portugal 6
Editor Sweden Jonas Mäki has written for Gamereactor since 2002, becoming an editor in 2007. He covers the video game industry across news, releases and the business side, with a particular interest in sales figures and where the industry is heading.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 2007 · 9.477 artigos publicados
6
Médio Nota da rede em 6 edições
Dados do jogo
Produtora EA Canada
Editora EA
Data de lançamento 16 Março 2016
Género Sports
Plataformas
PS4 Xbox One
Porquê confiar na Gamereactor
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1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
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