A Ubisoft criou, em conjunto com a Climax Studios, uma trilogia muito peculiar de Assassin's Creed. Esta saga Chronicles arrancou em abril do ano passado, com China, passou por India em janeiro, agora recebeu o terceiro jogo e último capítulo, Russia. Ao contrário da série principal, Chronicles distingue-se pela perspetiva lateral da câmara, a lembrar os jogos clássicos de plataformas, embora empregue muitas mecânicas de combate e ação furtiva que serão familiares aos fãs de Assassin's Creed. Infelizmente os dois capítulos anteriores mostraram alguma falta de inspiração e propósito, uma realidade que se estende também a Russia. Não são maus jogos, longe disso, mas também não impressionaram ou cativaram o interesse.
Quando estão no seu melhor, os três jogos permitem aos jogadores empregarem um vasto arsenal de mecânicas furtivas, seja para passarem completamente despercebido, ou para despacharem inimigos templários silenciosamente. A jogabilidade é sólida e beneficia de algumas ideias inteligentes, que se destacam sobretudo quando o jogador tem um mapa grande ao seu dispor para explorar vários caminhos. O combate propriamente dito não é nada de formidável, embora melhore conforme desbloqueiam novas opções e enfrentam inimigos mais desafiantes. Não é um sistema muito profundo, mas o foco da série sempre esteve (ou deveria estar) na ação furtiva, e não no combate.
Os três jogos incluem algumas características únicas, embora muitas estejam disfarçadas. Por exemplo, em Assassin's Creed Chronicles: Russia podem equipar uma espingarda que permite distrair os guardas ou atingi-los na cabeça. Em termos de mecânica é muito semelhante às facas de China ou os Chakrams de India, apenas com ligeiras diferenças. Uma das maiores diferenças de Russia é o facto do protagonista Orelov começar a aventura muito bem equipado, ao contrário dos seus homólogos. A introdução de uma segunda personagem, Anastasia, também acrescenta um dinamismo interessante, até porque está mais treinada na arte furtiva.
A narrativa utiliza a revolução russa como cenário de fundo, e concentra-se no último trabalho de Orelov enquanto assassino, antes da sua reforma. O jogo resiste à tentação de introduzir um alvo que precise de ser vingado ou resgatado, o que é uma boa variação das histórias anteriores. Quando ao conjunto dos três jogos, sim, existe um fio condutor entre os três, mas cada um pode ser desfrutado de forma individual. Um pouco como a série principal, desde Assassin's Creed IV: Black Flag. O elemento narrativo nunca é imposto ao jogador, que pode ignorar a maior parte da história e dedicar-se à jogabilidade, o que será um alívio para uns e uma desilusão para outros.
Embora tecnicamente sejam muito semelhantes, cada jogo da trilogia apresentou um estilo visual distinto, e o nosso favorito é o de Russia. Por vezes parece que estamos a jogar dentro de um dos antigos posteres dessa era, em particular devido às cores e aos traços. Encontrámos mais problemas técnicos em Russia do que em China ou India, mas num plano geral, ficámos mais impressionados com este último capítulo.
Até agora fomos simpáticos com o jogo, mas se leram as nossas análises a China e India, sabem que vem aí um "mas" a caminho. Os três jogos tentam simular o ritmo da série principal, variando a ação furtiva com perseguições ou fugas contra o tempo. Sequências que têm tendência a surgir com maior frequência conforme avançam na história, seja para fugir de um fogo, apanhar um comboio, ou perseguir um inimigo. Na nossa opinião estas sequências prejudicam o ritmo, não o beneficiam.
Russia também sofre de um problema comum a toda a trilogia, relacionado com animações lentas. Embora sejam perfeitas para as secções de ação furtiva, o facto desta animações serem lentas e presas (têm de esperar que acabem antes de iniciarem outra), significa que o tempo de reação é muito lento para o combate ou sequências de maior intensidade. Esta realidade, ligada a um design com pouca margem de manobra, implica uma estrutura de tentativa e erro a várias sequências. Terão de repetir secções de perseguições repetidamente, enquanto tentam encontrar os caminhos ideais. É um estilo de design muito frustrante, ao contrário das sequências de ação furtiva que até podem ser bastante divertidas. É bem mais satisfatório explorar vários caminhos e possibilidades do que ter de seguir percursos lineares. A verdade é que Russia, como India e China, pode ser um jogo muito frustrante, e não como Dark Souls, por exemplo. Russia é frustrante como consequência de mau design, não propositadamente.

O jogo só funciona realmente quando coloca as ferramentas nas mãos do jogador e lhe oferece espaço e liberdade para as explorar. Infelizmente, a forma mais fácil que encontra para desafiar o jogador passa por limitar as suas ações, forçando-o em perseguições, ou a combater determinado número de inimigos. Dado que é o terceiro capítulo da trilogia, Russia consegue ser ainda mais frustrante que os anteriores.
Russia é o jogo mais interessante dos três, mesmo que a série como um todo tenha pouca capacidade para agarrar o jogador. Será uma opção interessante para fãs de ação furtiva e para adeptos devotos de Assassin's Creed, embora existam opções superiores dentro deste género. Parece-nos que ultrapassar os três jogos será um pouco aborrecido e repetitivo, mas se só quiserem escolher um, Assassin's Creed Chronicles: Russia é a escolha mais acertada.
