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Gamereactor Análises That Dragon, Cancer
Análises That Dragon, Cancer

That Dragon, Cancer

Um triste drama familiar real, partilhado através de um curto, mas poderoso, videojogo.
Fabrizia Malgieri 12 Janeiro 2016

Falar de um temas como a morte e cancro nunca é fácil, independentemente do meio utilizado, mas nos videojogos em particular tem sido um tópico inexistente. É no entanto esse o foco de {That Dragon, Cancer}, que graças a uma narrativa poderosa, explora conceitos que são de certa forma tabu nesta indústria de entretenimento. É raro, para um videojogo, tratar de assuntos tão complexos e dolorosos, pelo menos nesta perspetiva tão pessoal.

Outros jogos já abordaram tópicos difíceis, e partilharam emoções e consequências de perda, mas sempre numa perspetiva ampla, como Valiant Hearts: The Great War ou This War of Mine, dois jogos sobre a guerra que se concentram noutras áreas que não nos confrontos em si. That Dragon, Cancer é diferente. Aqui vão acompanhar uma jornada de luto, através de uma história muito pessoal do criador do jogo, Ryan Green.

That Dragon, Cancer, conta a experiência dramática de um casal, Ryan e Amy Green, que ao longo de alguns meses tiveram de testemunhar algo que nenhum pai devia ter de ultrapassar: a luta do seu filho de cinco anos com o cancro, uma batalha corajosa, lenta e agoniante, mas que acabou com a vida do pequeno Joel. O projeto nasceu quando Joel ainda estava vivo, e seria sobretudo uma forma de Ryan manter vivas as memórias mais intensas do tempo que passou com Joel, mas com a morte do filho, {That Dragon, Cancer} transformou-se numa espécie de terapia para Ryan Green. Em termos objetivos de jogo, trata-se de uma aventura gráfica minimalista com algumas influências de Cubismo, que atravessa várias etapas de um período de luto. Normalizar a dor e torná-la numa parte da rotina diária: esse é o nobre esforço deste profundo trabalho da Numinous Game.

O sentimento partilhado de perda é um dos elementos chave da aventura, causado sobretudo pela decisão de não caracterizar as personagens. De certa forma sugere que, não importa quem é atingido por um drama destes, a dor e o sofrimento experienciados por uma família obrigada a ver o filho morrer lentamente, será semelhante para todos. O que importa nesta história é que That Dragon, Cancer é uma viagem emocionalmente esgotante, que pelo caminho inclui muitas memórias tocantes, mas também momentos dramáticos, embora sempre partilhados de forma elegante.

É uma experiência que ganha vida através de uma estrutura clássica de aventura, com algumas secções curtas, mas incisivas, de plataformas. O seu propósito é, acima de tudo, o de oferecer uma pausa para o turbilhão de emoções que é That Dragon, Cancer. Como já referimos, apreciámos particularmente o estilo artístico do jogo, onde as cores e as formas recriam perfeitamente a atmosfera surreal deste quasi-sonho, enriquecido pela banda sonora sofisticada da autoria de Jon Hillman.

O estilo de jogo que é quase não o merece, mas temos de também olhar para That Dragon, Cancer de forma objetiva, e isso implica referir certas limitações e falhas técnicas do jogo. Não são, contudo, suficientes para beliscar o que é uma experiência maioritariamente feita com grande carinho, capaz de nos aplicar um autêntico murro no estômago com apenas algumas linhas de diálogo. Temos novamente de reforçar que o jogo não faz isso de forma barata, pelo contrário, explora este tópico difícil e emocional com grande elegância e sem nenhuma se aproveitar de nenhuma manipulação barata. A beleza e o drama deste jogo é que consegue captar a esperança e a agonia, a luz e a escuridão, que se abatem sobre uma pessoa que tenha de passar por isto, pela força necessária para resistir a esta dor e prosseguir dia-a-dia.

O resultado é um jogo que nos parece culturalmente relevante, que oferece uma reflexão sobre um tema tão profundo como o ser humano ter de contemplar a morte. Ao mesmo tempo é uma forma de prestar apoio moral a muitas famílias que possam ter passado por esta tragédia pessoal na sua vida. {That Dragon, Cancer} é uma luz brilhante no meio da escuridão, e é também mais um exemplo do grande potencial, e da capacidade emocional dos videojogos.

9
Excecional em 10 · Gamereactor Portugal
Prós História comovente. Estilo artístico que se destaca. Banda sonora encantadora. Uma demonstração de força do meio dos videojogos.
Contras Alguns problemas técnicos.
Nota da rede Média de 6 edições da Gamereactor
9,0
Gamereactor 9
Gamereactor Norge 9
Gamereactor Deutschland 9
Gamereactor España 9
Gamereactor Italia 9
Gamereactor Portugal 9
Perfil completo 1.004 artigos publicados
9
Excecional Nota da rede em 6 edições
Dados do jogo
Produtora Ryan Green, Josh Larsen
Editora Ryan Green, Josh Larsen
Data de lançamento 11 Janeiro 2016
Género Adventure
Plataformas
Ouya PC iOS
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.