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Análises Divinity: Original Sin

Divinity: Original Sin - Enhanced Edition

Um dos melhores RPG de 2014 chegou finalmente à PS4 e à Xbox One, mas terá sido uma transição pacífica?
GR Staff 20 Novembro 2015

É um dia típico na charmosa cidade costeira de Cyseal. O sol está bem alto a esta hora, enquanto percorremos as ruas da cidade à procura de uma forma de resolver um caso de homicídio.

"Ninguém tem mais amigos do que o homem com muitos queijos!", grita um mercador na nossa direção, enquanto passamos pelo mercado a caminho do hospital. Somos Source Hunters a tempo inteiro, instruídos na arte de caçar feiticeiras, mas nas últimas horas fomos recrutados como detetives. Esgueiramos-nos até às traseiras da clínica, vasculhando armários e roupa suja, até que encontrámos o porta-chaves da rapariga suspeita do crime. Pensámos que estávamos finalmente na pista certa, mas o porta-chaves acabou por ser inconclusivo.

"Ninguém tem mais amigos do que o homem com muitos queijos!", gritou novamente o mercador quando voltámos ao mercado, desta vez para investigarmos a loja da rapariga de que suspeitamos. Depois de uma busca rápida, encontrámos uma escotilha secreta para a cave. Nova procura resultou no encontro de uma passagem escondida, onde nos deparámos com uma faca sangrenta e um livro: "Como cometer o crime perfeito". Desta vez é que apanhamos a assassina! "A faca serve para cortar carne e o livro era do meu marido," respondeu-nos a suspeita. O capitão da guarda avisou-nos que estas provas não eram suficientes para a prender.

"Ninguém tem mais amigos do que o homem com muitos queijos!", gritou novamente o irritante mercador, quando nos preparávamos para queimá-lo com os nossos poderes. Felizmente, a nossa companheira impediu-nos de cometer um erro, mas fica o aviso: existe uma bola de fogo com o teu nome se não te calas com essa parvoíce, uma bola de fogo para ti e para Divinity: Original Sin, uma irritante obra-mestra. O jogo da Larian Studios é um jogo fantástico, com um charme muito próprio e uma das experiências de RPG mais profundas que jogámos nos últimos anos, sobretudo dentro do género mais clássico de RPG, mas tem um jeito peculiar para tirar o jogador do sério.

Depois de personalizarem as duas personagens centrais (sim, duas, não uma - podem ser do mesmo sexo ou de sexos diferentes), estarão livres para explorar um mundo criado com excelência de design e uma atmosfera deliciosa. A banda sonora é perfeita para dar o tom certo a cada situação, enquanto que as piadas, as referências obscuras à cultura pop e a opção para falar com animais, proporcionam necessários momentos de descontração.

Divinity: Original Sin utiliza um sistema por turnos, que é sobretudo indicado para os jogadores mais pacientes. É claramente inspirado pelos RPG clássicos, como Baldur's Gate e Icewind Dale, mas completamente modernizado. O combate é surpreendentemente dinâmico, e muito interativo com o cenário. Barris explosivos, poças de água, óleo derramado, e gás venenoso, são alguns dos elementos que podem usar contra os inimigos, ou vice-versa. Uma lista interminável de habilidades, espalhadas entre várias classes de combate, furtivas, ou mágicas, juntamente com um punhado de fórmulas, garantem várias opções para abordarem o combate e outras situações. Quando existe uma tempestade perfeita de todos os elementos, o resultado é uma carnificina que nunca se torna aborrecida.

Divinity: Original Sin tem contudo alguns defeitos, e o jogo falha claramente na hora de guiar o jogador durante os momentos iniciais. Perdemos muito tempo desnecessariamente a lutar com inimigos ou a tentar cumprir missões que não eram para o nosso nível. A Larian Studios optou por um sistema que nega o "grind" de inimigos, ou seja, não podem matar oponentes repetidamente para ganharem pontos de experiência. Se encontrarem um ponto do jogo que parece impossível, não têm outra solução se não recuar. Aliás, é bem provável que tenham de viajar bastante entre vários pontos do mapa à procura de Quests próprias para o vosso nível.

Esta Enhanced Editon inclui muitas novidades e melhoramentos, naturalmente para a versão PC, mas o grande atrativo para a maioria dos jogadores será o lançamento para PS4 e Xbox One. O jogo e o seu sistema de combate foram desenhados originalmente para a PC, um facto evidente apesar do esforço da Larian Studios para adaptar esse esquema às consolas. Para a maior parte, os controlos de consolas funcionam bem, mas Divinity: Original Sin é um jogo que implora o uso de rato e teclado, sobretudo para quem jogou a versão PC. Controlar um grupo de personagens com o direcional é algo aborrecido, e a navegação pelos menus deixa muito a desejar. Divinity: Original Sin não é um jogo de consolas, mas antes um jogo de PC que funciona nas consolas. É preciso deixar clara essa distinção.

A grande vantagem para as consolas será o multijogador local. Divinity: Original Sin é bom quando jogado a solo, mas se juntarem um amigo no sofá ao lado, torna-se numa experiência estupenda. Divinty: Original Sin é um feito tremendo para o género RPG, sobretudo quando consideramos que tudo começou como um projeto no Kickstarter. O diálogo é divertido, a história segue um bom ritmo, e o sistema de combate é genial, mesmo que funcione melhor no PC do que nas consolas. O início pode ser frustrante e até intimidante, mas não se deixem assustar. Continuem a insistir, partam alguns baús, assaltem um ricaço e visitam masmorras. Eventualmente vão encontrar o vosso ritmo nesta aventura fantástica.

8
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós O mundo de Divinity é fantástico. Sistema de habilidades repleto. Exige realmente estratégia. É possível discutir com os companheiros.
Contras Tem demasiados tempos mortos. Faltam ferramentas de comunicações com os jogadores. menus excessivamente complicados. Alguma imprecisão nos controlos.
Nota da rede Média de 5 edições da Gamereactor
8,0
Gamereactor 8
Gamereactor Norge 8
Gamereactor España 8
Gamereactor Italia 8
Gamereactor Portugal 8
Editorial Team Articles published under the Gamereactor byline are the work of the site's editorial team, covering news, releases and the wider industry across Gamereactor's European editions.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 1998 · 716 artigos publicados
8
Bom Nota da rede em 5 edições
Dados do jogo
Produtora Larian Studios
Editora Larian Studios
Data de lançamento 29 Junho 2014
Género RPG
Plataformas
PC Mac PS4 Xbox One
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.