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Análises Battlefield: Hardline

Battlefield: Hardline

Battlefield afastou-se da temática militar e concentrou-se num duelo cinemático entre polícias e ladrões. O resultado agradou-nos.
Tor Erik Dahl 19 Março 2015

A julgar pela amostra em Battlefield: Hardline (e a série CSI), a vida de um polícia honesto em Miami não parece é fácil. É um local apetecível para traficantes de droga, gangues violentas e polícias corruptos, de tal forma que por vezes o maior perigo vem de dentro da esquadra e não de fora. É este mundo - numa forma exagerada e hollywoodesca - que Battlefield: Hardline tenta mostrar-nos, numa clara mudança de direção da série (pelo menos neste capítulo produzido pela Visceral Games).

Em Hardline vão assumir o controlo de Nick Mendoza, um detetive nascido em Cuba, que teve problemas com o pai e que agora procura combater a criminalidade no lado certo da lei. Ao avançar pelo departamento, Nick vai aperceber-se de que a situação é bem mais complicada e que a corrupção é mais norma que exceção, o que o deixa dividido entre um sistema corrupto e os seus princípios.

A campanha a solo de Hardline foi desenhada como se fosse uma série de televisão, e parece evidente que esse é um meio de entretenimento muito apreciado pela Visceral Games (que se não conhecem, foram responsáveis por Dante's Inferno e a saga Dead Space). A produtora fez questão de incluir muitas referências a programas de televisão e filmes populares, algo que encaixa bem com o tom algo descontraído de Hardline. É um jogo construído como uma experiência de ação exagerada, o tipo de aventura explosiva que imploraria por um saco de pipocas se fosse um filme.

A Viseceral Games tentou claramente uma abordagem hollywoodesca, reforçada pela presença de várias caras conhecidas entre o elenco, incluindo atores que trabalharam em True Detective, Justified e House of Cards. Encontrámos alguns problemas com a sincronização entre os ficheiros de áudio e os lábios das personagens, mas o argumento encaixa bem com os propósitos da narrativa e os atores tiveram um desempenho positivo.

Tudo o que têm lido até agora foge muito do que podem ter conhecido de Battlefield no passado, porque este é um capítulo singular na série. A DICE continuará (presumivelmente) a trabalhar em Battlefield 5, por isso foi a Visceral Games que assumiu o comando de Hardline, dispensando a temática militar em favor de uma história de polícias e ladrões.

É um formato que continua a seguir uma estrutura narrativa muito linear, mas que de certa forma oferece maior liberdade na jogabilidade. Os mapas não são um enorme mundo aberto, longe disso, mas existem mais caminhos e abordagens para os objetivos. Em alguns momentos podem optar entre uma abordagem furtiva e silenciosa, ou podem tentar a sorte com uma atitude mais barulhenta e explosiva.

Durante várias entrevistas, Ian Milham da Visceral Games chegou a afirmar que Hardline podia ser completado sem matar ninguém. Podem derrubar inimigos ou até "prendê-los", ou seja, têm várias opções não mortíferas ao vosso dispor. Dito isto, parece-nos difícil acabar o jogo sem eliminar ninguém, porque encontrámos situações em que honestamente, não vimos alternativa à violência, mas é inegável que Hardline oferece mais opções do que é habitual em Battlefield.

Existem duas ferramentas muito úteis para quem quiser explorar rotas alternativas, incluindo um gancho e uma Zipline para deslizarem. Desta forma conseguem explorar os cenários a partir dos telhados, ou escapar rapidamente para o solo. E já agora, uma dica - é boa ideia trazer uma máscara de gás para a maioria das missões.

Vão subir de escalão ao apreenderem criminosos, ou ao encontrarem provas que vos possam ajudar a resolver casos. Os escalões permitem aceder a armas e equipamento superior e acrescentam alguma profundidade (não muita) a uma campanha de Battlefield que por norma costumam ser básicas.

Os sons das armas e o departamento de áudio no geral está ao nível a que nos habituámos com a série, mas graficamente, Hardline deixa algo a desejar. Existem alguns efeitos visuais de qualidade, mas mesmo comparando com Battlefield 4, é difícil ficar impressionado com o grafismo de Hardline. Não é chocante, mas esperávamos melhor.

A campanha de Hardline é possivelmente uma das mais interessantes de Battlefield, mas o prato principal para muitos jogadores continuará a ser o modo online. Ao todo existem nove mapas e sete modos de jogo, cinco dos quais desenhados especificamente para Hardline: Hotwire, Heist, Blood Money, Crossfire e Rescue. Como acontece na campanha, o modo multijogador de Hardline é muito diferente do que é habitual na série.

É uma experiência mais concentrada, com mapas mais pequenos, que obriga os jogadores a estarem mais próximos da ação durante mais tempo. Isto retira algum foco dos veículos, o que obviamente poderá ser visto como um sinal negativo para quem aprecia esse tipo de jogabilidade, além disso todos os veículos foram reformulados para encaixarem no tema de polícias e ladrões. Também não somos fãs das mudanças na condução dos veículos. Pode ser uma questão de hábito, mas Battlefield 4 parecia superior neste aspeto.

De forma geral, o modo online tem grande qualidade, e foi bom ver que a Visceral Games se esforçou por implementar modos de jogo que encaixam no tema, em vez de tentar forçar os que já existiam no passado. À semelhança da campanha, é uma abordagem mais explosiva e imediata do que é normal nos jogos da DICE, o que confirma que este Battlefield: Hardline é mais uma alternativa do que uma sequela.

Na nossa opinião, é uma boa adição à série, embora seja mais um passo para o lado do que um passo em frente. A Visceral Games pegou nas bases criadas pela DICE e conseguiu criar algo que é inegavelmente Battlefield, mas que ao mesmo tempo introduz alguma novidade na série. Se são fãs do género policial, é uma das melhores propostas no mercado, mesmo que não se leve muito a sério.

8
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Campanha a solo com qualidade. Níveis de produção elevadíssimos. Novos modos online funcionam em contexto com o tema de polícias e ladrões.
Contras Grafismo decepcionante. Inteligência artificial mediada. Algumas falhas técnicas ("bugs").
Nota da rede Média de 5 edições da Gamereactor
8,0
Gamereactor Norge 8
Gamereactor Deutschland 8
Gamereactor España 8
Gamereactor Italia 8
Gamereactor Portugal 8
Perfil completo 324 artigos publicados
8
Bom Nota da rede em 5 edições
Dados do jogo
Produtora Visceral Games
Editora EA
Data de lançamento 18 Março 2015
Género Action
Plataformas
PC Xbox 360 Xbox One PS3 PS4
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