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Gamereactor Análises Dying Light
Análises Dying Light

Dying Light

Parkour, sobrevivência e mundo aberto, num dos melhores jogos de zombies dos últimos anos.
Markus Hirsilä 30 Janeiro 2015

Já existem tantas versões de um apocalipse causado por zombies, que o género começa a mostrar sérios sinais de fadiga. Ou pelo menos é o que algumas pessoas pensam, mas a Techland - que também criou Dead Island - ainda acredita no potencial do género. E nós também. Existem muitos jogos de zombies, mas não existem muitos que realmente aproveitem o verdadeiro potencial do tema. Dying Light é, felizmente, um dos bons exemplos.

Dying Light é um jogo que decorre com numa perspetiva na primeira pessoa, mas não é um 'shooter'. O jogo mistura combate físico, sobrevivência, exploração e elementos RPG. Também existem armas de fogo e tiroteios, mas são uma componente menor da experiência. O que realmente distingue Dying Light são os elementos de Parkour, que acrescentam grande mobilidade e verticalidade a um género que não costuma ser rico nesse aspeto.

A ação passa-se em Harran, uma cidade fictícia do Médio-Oriente que sofreu uma infestação zombie causada por um vírus. Vão interpretar o papel de Kyle Crane, um agente de uma companhia chamada GRE. Kyle vai entrar na cidade de para-quedas, com o objetivo de procurar um indivíduo que pode ter a resposta para a cura. Ao longo da história, as emoções, motivações e objetivos de Kyle vão mudando conforme as circunstâncias. O jogador em si não tem qualquer influência no rumo da direção da história, mas é bom ver que Kyle age com alguma complexidade. Dito isto, a história não é particularmente forte em emoções e dificilmente será capaz de surpreender ou mexer emocionalmente com o jogador. As interações com os restantes sobreviventes nunca são fortes ou duradouras o suficiente para que nos realmente importemos com o seu destino. De certa forma, existe uma contradição entre as emoções desligadas do jogador e os sentimentos de Kyle.

O mundo de Dying Light está dividido em duas grandes áreas abertas, bem como algumas zonas mais pequenas. As favelas, onde começa o jogo, é um local desolador, mas eventualmente terão de ultrapassar um labirinto de esgotos para chegar até à Old Town. Nesta área existem edifícios e plataformas mais altas que nas favelas, e isso vai abrir mais possibilidades mas também dificuldades de movimento. Em termos de história, vão precisar de algo entre 15 a 20 horas para terminar, mas vão gastar muito mais que isso se decidirem fazer todo o conteúdo secundário.

Os movimentos de Dying Light estão a meio caminho entre os de Far Cry e Assassin's Creed. Ao início existe um período de adaptação, mas os controlos, as animações e a deteção de colisão entre personagem e cenário são muito positivas. Correr, saltar, agarrar e trepar pelo ambiente urbano de Dying Light é um mimo para quem gosta deste tipo de jogabilidade. A certo ponto da história vão desbloquear um gancho com corda, que ainda abre mais possibilidades de movimento.

O mundo de Dying Light está carregado de zombies, e não convém que os tentem derrotar a todos (até porque reaparecem passado algum tempo). A solução passa normalmente por evitar contacto com os mortos-vivos, mas quando optarem ou tiverem de lutar, vão fazê-lo normalmente com armas brancas. Existem também armas de fogo, mas vão evitar usá-las, não só porque as munições são escassas, mas também porque o barulho pode atrair problemas maiores.

Também existe um sistema de criação de itens no jogo, que motiva a vasculhar as casas e os veículos. Não é nada tão excêntrico ou variado como Dead Rising, mas cumpre bem o papel para a abordagem mais realista. Podem melhorar as armas, criar objetos como bombinhas (que fazem barulho e atraem zombies), cocktails molotov, kits médicos e outros objetos úteis.

Como Dead Island, Dying Light inclui um sistema de progressão bastante robusto. Existem três árvores que podem evoluir - sobrevivência, movimento e combate. Para ganharem pontos para gastar nessa árvores, terão de realizar as ações correspondentes. Se treparem bastante, ou forem bons a evitar zombies ou a aproveitar o cenário, vão ganhar pontos de movimento. Se matarem zombies com as armas, vão receber pontos de combate. A sobrevivência está mais ligada às missões.

Existe um ciclo de dia e noite no jogo, que tem um grande impacto na jogabilidade. A visibilidade é praticamente nula, e embora tenham acesso a uma lanterna ilimitada... não vão querer atrair atenções. À noite saem um tipo de mega-zombies especial, que são extremamente rápidos, resistentes e perigosos. Ao contrário dos outros zombies, estes irão procurar por vocês. O jogo à noite transforma-se quase num jogo de ação furtiva, enquanto tentam evitar a atenção destes super-zombies. Se quiserem, podem saltar para o dia ao dormirem numa das zonas seguras da cidade (que terão de desbloquear), mas existem incentivos para jogar durante a noite. Como referimos em cima, ganham experiência realizando atividades, mas se as realizarem à noite, a experiência triplica. A condição noturna abre um curioso sistema de risco e recompensa, sobretudo porque a morte tem algumas penalizações em Dying Light. Não é nenhum Dark Souls, obviamente, mas vão perder pontos cada vez que morrem. Ainda assim, a noite será um aliciante extra para os jogadores mais corajosos.

A campanha a solo é o elemento principal de Dying Light, mas também existe uma componente multijogador, com vertente competitiva e cooperativa (apenas online). Até quatro jogadores podem juntar-se para enfrentarem juntos os perigos da cidade, partilhando experiência e espólios. Quanto ao modo competitivo, decorre durante a noite, enquanto quatro jogadores tentam eliminar ninhos de zombies. Aqui, um outro jogador poderá assumir o papel dos 'super-sombies' com uma jogabilidade bastante ágil e agressiva. Como zombies também terão acesso a uma árvore de habilidades específica.

Tecnicamente, Dying Light é um bom jogo. O alcance de visão é impressionante e o detalhe na cidade é normalmente de nível alto. Dito isto, não tem os modelos, texturas ou efeitos de luz mais avançados que já vimos, embora não sejam maus. A sonoplastia segue um registo semelhante, com boas interpretações e bons efeitos sonoros, mas nada que realmente mereça ser destacado. Nas secções nocturnas, contudo, a música consegue transmitir uma maior sensação de tensão.

Dying Light inventa muito pouco, verdade, mas é um bom jogo de zombies e sobrevivência. Ao contrário de outros produtos da Techland, Dying Light é também uma experiência relativamente polida e bem estruturada, onde os zombies funcionam como devem ser - fáceis, até que o jogador se descuide. Os movimentos de Parkour muito bem conseguidos são o ponto mais forte, de um jogo que deve ser considerado por todos os fãs do género.

8
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Áreas que formam o mundo de jogo são grandes. Movimento fluido e eficaz. Grafismo de qualidade. Desenvolvimento da personagem variado.
Contras Mundo de jogo não está todo ligado. Alguns modelos das personagens parecem datados. Dificilmente serão emocionados pela história.
Nota da rede Média de 7 edições da Gamereactor
7,4 amplitude 7–9
Gamereactor 7
Gamereactor Norge 7
Gamereactor Deutschland 8
Gamereactor España 7
Gamereactor France 7
Gamereactor Italia 7
Gamereactor Portugal 9
Perfil completo 781 artigos publicados
8
Bom Nota da rede em 7 edições
Dados do jogo
Produtora Techland
Editora Warner Bros. Interactive Entertainment
Data de lançamento 27 Janeiro 2015
Género Action
Plataformas
PC PS4 Xbox One PS5 Xbox Series X
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1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
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