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Análises Bravely Default II

Bravely Default II

Não chega bem ao nível do antecessor, mas é RPG válido para veteranos e principiantes.
Ingar Takanobu Hauge 25 Fevereiro 2021

Bravely Default é considerado pela maioria como um dos melhores RPG da Nintendo 3DS, combinado uma história surpreendente com personagens memoráveis, um estilo de arte encantador, e um sistema de combate profundo. Depois veio a sequela direta, Bravely Second: End Layer, e uma espécie de sucessor espiritual, na forma de Octopath Traveler, mas agora é finalmente a vez de Bravely Default II.

Como referimos em cima, End Layer foi a sequela do primeiro Bravely Default, o que significa que o que vai encontrar aqui é algo diferente. É semelhante a Final Fantasy, no sentido em todos os jogos têm algumas características em comum, mas em que cada capítulo é o seu próprio jogo e história. Isto significa que estará perfeitamente à vontade para começar a jogar Bravely Default II mesmo que nunca tenha jogado os antecessores.

A história arranca quando o marinheiro Seth dá à costa do reino de Halcyonia, depois de uma terrível tempestade. Seth é resgatado por Gloria, a princesa exilada de Musa, e o seu guarda-costas, Sloan. Pouco tempo depois, Seth descobre a existência de quatro cristais elementais que mantêm o equilíbrio na natureza, três dos quais (terra, água, e fogo) foram roubados da de Mysa pela fação inimiga de Holograd. Conclusão, ou os cristais são recuperados, ou uma terrível calamidade irá devastar o mundo. Seth e Gloria encontram também a mercenária Adelle, que procura a sua irmã, e Elvis, um estudioso de pedras misteriosas conhecidas como Asterisks.

Não é uma história particularmente original, e o elenco principal de quatro personagens também não é muito interessante. Essa desinspiração ao nível das personagens estende-se ao resto do jogo, incluindo os vilões, que não têm grandes motivações válidas para serem "maus". Dito isto, existem alguns momentos narrativos memoráveis, onde a história apresenta algumas surpresas e complexidades, intercalando temas sombrios com pontos de humor. No fim das contas podemos dizer que apreciámos a história de Bravely Default II, mesmo que nunca chegue a um estatuto de clássico.

A história é felizmente suportada por um excelente sistema de combate, novamente alimentado pela estrutura Brave e Default dos jogos anteriores. O combate em Bravely Default II funciona como um típico jogo por turnos, em que Bravely é o termo dos pontos ganhos para realizar ações, enquanto que Default é o termo para defesa, o que permite arrecadar pontos para usar depois. Pode ainda executar mais ações do que os pontos Bravely à partida permitem, embora isso implique ficar inoperável durante os próximos turnos. Existe portanto uma estratégia acrescida ao combate de Bravely Default, no sentido em que tem de perceber quando é melhor jogar pelo seguro e defender, ou atacar com tudo para tentar garantir a vitória o mais rápido possível.

Ao derrotar um boss será presenteado com um Asterisk, que por sua vez desbloqueia um novo Job, que é o equivalente a classes em Bravely Default II. Quando o jogo arranca só terá à sua disposição arquétipos básicos, mas à medida que avançar pela aventura irá desbloquear algumas classes muito interessantes. As personagens, além de ganharem pontos de experiência regulares, ganham também pontos específicos para a sua classe (que pode ser alterada), garantido acesso a diferentes habilidades. Ainda existe um sistema de sub-classes, que aumenta ainda mais o número de oportunidades para o jogador.

Com quatro personagens, várias classes, e a habilidade de juntar habilidades passivas e sub-classes, Bravely Default II torna-se num jogo altamente variado e profundo no que diz respeito ao combate. E vai precisar de experimentar com diferentes configurações, porque o jogo não se importa de apresentar alguns desafios sérios ao jogador. Não é uma questão de entrar a melhor combinação ou tática, mas antes uma de adaptação ao que está à sua frente.

Grande parte do jogo envolve exploração, e irá visitar masmorras e localizações exóticas, combinadas por um mapa-mundo. As localizações são fantásticas, mas o mapa em si é terrível, sobretudo porque a câmara é péssima durante esse momento específico. Pelo menos agora é possível ver os monstros no mapa... quando a câmara deixa. Felizmente a exploração funciona muito melhor quanto está nas cidades e noutras localizações, e existem várias curiosidades para encontrar, incluindo um mini-jogo de cartas chamado B 'n' D, onde gastámos mais horas do que gostaríamos de admitir.

O estilo visual é semelhante ao do original, ou seja, bastante encantador na sua simplicidade. Não será para todos os gostos, mas é para o nosso, e notam-se claras melhorias técnicas, possíveis pelo hardware superior da Switch em relação à 3DS. Mas não é perfeito. Notámos algumas quebras de fludez, e por vezes as texturas demoraram algum tempo a carregar, mas nada disto foi suficiente para interferir realmente com a experiência de jogo. Se a componente visual é boa, a banda sonora ainda é melhor, apresentando uma série de músicas novas que ocasionalmente incluem algumas chamadas aos temas do jogo original.

Bravely Default II é uma boa mistura de uma estrutura clássica com alguns toques modernos, que tal como o original, lembra os Final Fantasy de outrora. Tem problemas, e não consegue causar o mesmo impacto que o primeiro Bravely Default, mas não deixa de ser uma proposta de grande qualidade para quem aprecia o género JRPG.

8
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Sistema de combate com grande profundidade. O estilo da arte é fantástico. Alguns momentos da história são memoráveis.
Contras Mapa-mundo é péssimo. Câmara deixa muito a desejar. Desenvolvimento irregular das personagens.
Nota da rede Média de 9 edições da Gamereactor
8,0
Gamereactor 8
Gamereactor Norge 8
Gamereactor Deutschland 8
Gamereactor España 8
Gamereactor France 8
Gamereactor Italia 8
Gamereactor Portugal 8
Gamereactor Polska 8
Gamereactor Asia 8
Perfil completo 17 artigos publicados
8
Bom Nota da rede em 9 edições
Dados do jogo
Produtora Team Asano, Claytechworks
Editora Square Enix
Data de lançamento 25 Fevereiro 2021
Género RPG
Plataformas
Nintendo Switch PC
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.