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Análises Valiant Hearts: The Great War

Valiant Hearts: The Great War

É um jogo sobre guerra, mas não é um jogo de guerra.
Gillen McAllister Testado em Multi 26 Junho 2014

O termo "inspirado parcialmente" é o tipo de abordagem liberal que permite liberdade criativa na recriação de eventos históricos. E é com uma frase deste espírito que começa Valiant Hearts, uma aventura baseada na primeira Guerra Mundial que só está disponível digitalmente e que se concentra em puzzles e história.

A questão é que, entre as recriações de batalhas cruciais e várias referências dessa era, também existe um vilão fictício, que gosta de segurar o punho no ar ameaçadoramente e que parece escapar sempre no seu Zeppelin. Isto enquanto procuram por um cientista que pode ser a chave para travar os planos do exército invasor. É um pouco de fantasia hollywoodesca, sobre um tópico sério.

Honestamente, podia ter sido o tipo de decisão que poderia ter estragado a história, mas felizmente, não é o caso. Estes excertos exageradamente teatrais que servem como o ato intermédio da história acabam por não prejudicar o que é uma abordagem bastante estóica à Primeira Grande Guerra. O jogo está dividido entre quatro (cinco, na verdade) capítulos diferentes, mas interligados.

Cada personagem tem a sua própria história e habilidade. No entanto, disparar é uma ação rara. Como já referimos, este é um jogo sobre a guerra e não um jogo de guera. Isso significa que a jogabilidade está mais próxima da estrutura de uma aventura point and click. É uma abordagem mais indireta ao conflito, e embora estejam bastante tempo em perigo, vão estar mais concentrados em puxar alavancas, resolver puzzles, reanimar camaradas abatidos e invadir territórios inimigos sorrateiramente.

As mecânicas básicas são introduzidas rapidamente e permanecem no centro da jogabilidade durante as cerca de oito horas que dura a aventura (uma duração que pode ser reduzida drasticamente se fizerem tudo a correr e ignorarem alguns textos - algo que não aconselhamos).

O jogo apresenta uma boa variedade de puzzles, mas o acréscimo de complexidade é bastante lento. É antes o cenário e o contexto da situação que proporciona a ilusão de urgência nas ações do jogadores. A maioria baseia-se em puxar uma série de alavancas pela ordem correta, fazer trocas com várias personagens, encontrar peças e outros objetos necessários. Não vão encontrar grande desafio nestes puzzles.

Existem, contudo, alguns desafios que requerem um bom timing. Ações como evitar a artilharia e os disparos ou acertar no tempo que demora a queimar o pavio da dinamite. Os mais difíceis serão os mini-jogos com a enfermeira belga Anna, enquanto correspondem botões ao ritmo do contexto durante cirurgias. Se falharem um que seja, terão de recomeçar toda a sequência. Em resumo, é possível que achem Valiant Hearts um pouco fácil, mas também, este não é bem um jogo sobre jogabilidade e desafio, é sobretudo sobre a história e a experiência.

Trata-se de uma história com grande impacto emocional. A narrativa salta frequentemente entre localizações e as aventuras de cada personagem decorrem (na maioria) em paralelo. Sempre que existe uma mudança de personagem, o mapa mostra-nos os seus caminhos e quando chegam a um lugar novo, ganham acesso a documentos históricos e informações extra. Até os itens colecionáveis são objetos que foram utilizados nesse período, enriquecidos com dados e factos históricos - vale a pena, nem que seja para aprender algo.

O jogo utiliza a tecnologia da UbiArt, mais conhecida pela saga recente de Rayman e Child of Light, mas não deixem que o aspeto cartoonesco vos engane, Valiant Heart é um jogo pesado. O detalhe nem por isso, já que não existe muito sangue, mas algumas sessões são impressionantes. É uma experiência genuinamente emocionante, que não tem medo de recriar o horror da guerra, mas é algo que serve uma experiência enriquecedora, não é forçado nem existe apenas para impressionar o jogador.

Como jogo, Valiant Hearts é sólido, tem bom ritmo e uma estrutura confiante. Mas serve sobretudo como um monumento, uma lembrança aos eventos que aconteceram durante a Primeira Grande Guerra e as muitas vidas perdidas em vão. É uma afirmação importante, uma que é enriquecida por acontecer na forma de um videojogo.

Melhor ainda, é o tipo de jogo que vos pode levar a olhar para os shooters militares de outra forma, sobretudo os que glorificam a guerra. Mas é, acima de tudo, uma experiência que merece ser vivida com uma mensagem que vale a pena ouvir.

8
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós História bem construída. Aventura emocionante. Entrega uma mensagem poderosa.
Contras A complexidade dos puzzles é sempre a mesma. O incentivo para procurar colecionáveis não bate certo com a urgência da história.
Nota da rede Média de 6 edições da Gamereactor
8,3 amplitude 8–10
Gamereactor 8
Gamereactor Norge 8
Gamereactor Deutschland 10
Gamereactor España 8
Gamereactor Italia 8
Gamereactor Portugal 8
Perfil completo 281 artigos publicados
8
Bom Nota da rede em 6 edições
Dados do jogo
Produtora Ubisoft Montpellier
Editora Ubisoft
Data de lançamento 24 Junho 2014
Testado em Multi
Género Puzzle, Adventure
Plataformas
PC PS3 PS4 Xbox 360 Xbox One iOS Nintendo Switch
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.