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Análises Travis Strikes Again: No More Heroes

Travis Strikes Again: No More Heroes

A nova criação de Suda51 não nos deslumbrou, mas destaca-se como tributo aos videojogos.
Sergio Figueroa 16 Janeiro 2019

Travis esteve ausente durante nove anos, mas torna-se evidente bem depressa que não perdeu nenhuma da sua irreverência e excentricidade. Com Travis Strikes Again: No More Heroes, Suda51 e a Grasshopper Manufacture apresentam uma aventura alternativa do herói, exclusiva para Nintendo Switch. É um jogo estranho, mesmo considerando de quem vem, por vezes estranho demais para o seu próprio bem, sobretudo tendo em conta o orçamento reduzido a que o estúdio teve acesso.

Mesmo depois de várias entrevistas e trailers, existiam muitas dúvidas sobre como ria exatamente Travis Strikes Again funcionar, contudo, agora que o terminámos, sentimos-nos capazes de fazer um pequeno resumo. O conceito principal concentra-se numa nova consola de videojogos, a Death Drive MK II, que rapta Travis e o coloca num mundo virtual, tornando-o protagonista de outros jogos. A partir daqui vão participar numa série de níveis que servem como tributo a diferentes géneros e jogos, o que sugere uma boa variedade na jogabilidade - mas não é isso o que acontece.

No fundo, Travis Strikes Again funciona como um jogo de ação típico, mas com vários estilos visuais. Vão visitar três mundos diferentes, incluindo o mundo 'real' de Travis, e é aqui que vão lutar com Bad Man, que vão ver a caravana, e onde serão apresentados à malvada consola. É também a área central do jogo, permitindo mudar de camisas, selecionar missões, e saltar para as realidades alternativas.

No centro de tudo isto está uma história de conspiração, já que a Death Drive MK II não é um produto à venda no mercado, mas uma experiência que correu mal. Infelizmente a história não desenvolve muito, e o jogo está muito mais preocupado nas personagens individuais do que em desenvolver o enredo ou o mundo à sua volta. A história é apresentada parcialmente através de diálogos entre Travis e os vários bosses do jogo, mas também via novela gráfica.

Quando um nível termina, devem saltar para a mota de Travis e explorar o mundo à procura de Death Balls, que são essencialmente cartuchos para a consola. Uma vez ativados, dão início a conversas num estilo muito retro, com imagens pixelizadas, e apenas as cores verde e preto. Estes diálogos são curtos, rudes, e em várias ocasiões ridículos. Não é melhor forma de apresentar uma história, mas têm os seus momentos divertidos.

Pena que a jogabilidade não chegue a ser divertida, porque num fundo, funciona como um jogo de ação bastante básico. Vão atravessar níveis despidos de qualquer interesse, derrubando vagas de inimigos idênticos, onde muda apenas a temática e a posição da câmara, por vezes posicionada atrás por cima de Travis, outras vezes de lado. Pelo meio existem alguns mini-jogos, incluindo um jogo de naves estilo arcade e corridas com motas, mas duram pouco tempo.

O sistema de combate, embora funcional, não tem qualquer profundidade. Existem dois botões de ataque, uma combinação possível, e se mantiverem o dedo no botão de ataque ligeiro, Travis continua a atacar sem parar. Podem ainda saltar, desviar ataques inimigos, e usar habilidades especiais, que só podem ser usadas de forma espaçada. O design dos oponentes também não é particularmente interessante ou variado, e embora os efeitos sonoros sejam positivos, não existem inimigos memoráveis. Tudo isto significa que o combate de Travis Strikes Again, que forma o grosso da experiência de jogo, não é muito satisfatório ou interessante, é meramente funcional.

O conceito de Travis Strikes Again é muito interessante, mas a execução é de tal forma simples e básica que tudo nos parece uma oportunidade perdida. A ideia de criar jogos dentro de um jogo poderia ter resultado numa experiência de jogo altamente criativa, variada, e engraçada, mas o que vão encontrar é antes algo que se limita a ser monótono, descartável, e sem interesse, salvo alguns momentos de maior destaque. Pelo menos está bem optmizado, e o jogo tende a correr de forma fluída.

Além da história divertida, e da excelente banda sonora e efeitos sonoros, Travis Strikes Again destaca-se pelas muitas referências à cultura pop. Desde posters a itens, passando pelas t-shirts de Travis, e até a dicas de como podem jogar melhor, existem muitas referências à evolução dos jogos ao longo dos anos, e a uma série de marcas associadas à indústria. A presença de tantos nomes e licenças diz bem da forma como Suda51 é encarado pelo resto da indústria, mas deixaremos que sejam vocês mesmos a descobrirem que referências são estas.

Travis Strikes Again: No More Heroes é um jogo divertido, com boas ideias, variedade, referências, e excentricidade. Infelizmente é também um jogo cuja base da jogabilidade é básica e repetitiva. O conceito merecia mais e melhor, e depois de tantos anos ausente, Travis também. Felizmente existe outra referência no fim do jogo, que confirma o que os fãs há tantos anos querem: No More Heroes 3.

7
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Banda sonora eletrizante. História louca, mas engraçada. Bom desenvolvimento das personagens, Muitas referências um tributo aos videojogos.
Contras O design dos níveis impede que o combate brilhe como merece. Situações repetitivas.
Nota da rede Média de 9 edições da Gamereactor
6,8 amplitude 5–7
Gamereactor 7
Gamereactor Norge 5
Gamereactor Deutschland 7
Gamereactor España 7
Gamereactor France 7
Gamereactor Italia 7
Gamereactor Nederland 7
Gamereactor Portugal 7
Gamereactor Asia 7
Perfil completo 530 artigos publicados
7
Bom Nota da rede em 9 edições
Dados do jogo
Produtora Grasshopper Manufacture
Editora Marvelous
Data de lançamento 17 Janeiro 2019
Género Action
Plataformas
Nintendo Switch PC PS4
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
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