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Gamereactor Análises Call of Cthulhu
Análises Call of Cthulhu

Call of Cthulhu

Como o nome indica, Lovecraft é a grande inspiração deste jogo de terror.
Bengt Lemne 2 Novembro 2018

Call of Cthulhu foi originalmente lançado como um jogo 'pen and paper', na década de 80, e é precisamente esse jogo que serviu de inspiração a este videojogo, agora disponível para PC, PS4, e Xbox One. Nesta aventura vão acompanhar Edward Pierce, um veterano da Primeira Guerra Mundial que entretanto começou a trabalhar como detetive privado. A vida, contudo, não lhe corre de feição, agastado com memórias da guerra, dificuldades na profissão, e uma vida consumida por álcool e medicamentos.

Sob a pressão de começar a resolver alguns casos, Pierce decide investigar a morte da família Hawkins, numa ilha chamada Darkwater. Sarah Hawkins era uma artista famosa, e é o seu pai, milionário, que contrata Pierce para investigar o caso. Não existem muitas pistas para seguir, com exceção de uma pintura misteriosa, e um recibo, que sugere que a pintura foi enviada por parte de um armazém em Darkwater. Sarah, o seu marido Charles, e o seu filho, morreram durante um incêndio, reportado como sendo acidental pela polícia, mas o relatório tem vários buracos, e ainda refere o facto de Sarah ter sido diagnosticada com perturbações mentais.

Darkwater é um sítio deprimente, construída em torno da indústria de pesca de baleias, algo que nos últimos anos decaiu severamente devido à escassez de baleias na região. Isto significa que o local é pobre, e muitos dos pescadores locais passam mais tempo a beber do que nos barcos. O caso arranca de forma convencional, mas com o avançar da aventura vão entrar numa viagem até ao oculto, onde terão dificuldades em distinguir o que é real ou imaginação, quem é amigo ou inimigo.

A nível de jogabilidade, Call of Cthylhu também evoluiu ao longo da aventura. O jogo arranca como uma aventura lenta, onde resolvem alguns puzzles e exploram alguns diálogos, mas eventualmente começa a introduzir sequências furtivas e ate algumas secções de ação. As consequências das decisões do jogador também começam a ser mais evidentes, e em algumas situações terão de investigar cenas de um crime, até recriando eventos conforme as pistas que descobrem. Existe ainda algumas habilidades que podem desbloquear e evoluir, que envolvem as várias ações que terão de fazer durante a aventura, desde a capacidade furtiva aos diálogos. Nada disto tem, contudo, um papel decisivo na aventura.

Call of Cthulhu não é um jogo espetacular em termos de mecânicas, mas funciona que baste, sobretudo para um jogo que vive sobretudo de narrativa e ambiente. Não gostámos muito de algumas secções onde o design decorre demasiado a uma abordagem de tentativa e erro por parte do jogador, sobretudo em ocasiões onde o objetivo nos pareceu demasiado obtuso, causando alguns momentos de frustração. Existem momentos onde um jogo deve deixar a mão do jogador, mas isso nem sempre é algo positivo.

O jogo destaca-se particularmente a nível de atmosfera e de ambiente, e vive também bastante através de um elenco extremamente sólido de personagens. Dada a qualidade dessas personagens, torna-se ainda mais impactante o facto de terem de tomar algumas decisões que vão afetar a sua vida.

E depois, claro, existe o terror, que em Call of Cthulhu surge na sua forma mais psicológica. O jogo inclui uma série de efeitos para simular várias condições, inclusivamente ataques de pânico, diminuindo a visão do jogador e a sua percepção. Ao longo do jogo vão também assistir a imagens perturbadoras, e a alguns efeitos sonoros que vos podem causar pesadelos. Existem ainda alguns truques inteligentes, como quadros que são substituídos ou deturpados, entre outros pormenores. E sim, também existem alguns sustos valentes.

A nível de localizações, podem contar com um desfile de zonas típicas do género: uma mansão abandonada, um hospital em declínio, uma esquadra, e caves misteriosas, para referir apenas alguns. Tecnicamente, Call of Cthulhu é algo modesto, com modelos, texturas, e animações medianas, e em muitos aspetos parece um jogo da geração passada, mas o jogo compensa isso com uma excelente atmosfera, e com uma experiência maioritariamente polida.

Não demorámos mais que uma dúzia de horas para ultrapassar os 14 capítulos que formam Call of Cthulhu, mas existe um certo incentivo para repetir a aventura, sobretudo para quem quiser reparar em pormenores que possa ter deixado escapar, e verificar o impacto de escolhas diferentes.

Embora pareça algo desatualizado em termos gráficos, e até ao nível de mecânicas de jogo, Call of Cthulhu consegue ainda assim proporcionar uma experiência experiência de terror e mistério, uma experiência que será particularmente interessante para quem aprecia o estilo de Lovecraft e ideias semelhantes. Pessoalmente, gostámos do nosso tempo com Call of Cthulhu.

7
Bom em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Usa bem a licença. Excelente atmosfera. História intrigante e bom elenco. Algumas cenas de terror impressionantes. Muitos segredos para desvendarem.
Contras Secções furtivas e de ação são básicas. Jogo é tecnicamente banal. Podia ter mais escolhas e ramificações. Algumas sequências funcionam demasiado em torno de tentativa e error.
Nota da rede Média de 9 edições da Gamereactor
6,9 amplitude 6–7
Gamereactor 7
Gamereactor Deutschland 7
Gamereactor España 7
Gamereactor France 7
Gamereactor Italia 6
Gamereactor Nederland 7
Gamereactor Portugal 7
Gamereactor Polska 7
Gamereactor Asia 7
Perfil completo 1.915 artigos publicados
7
Bom Nota da rede em 9 edições
Dados do jogo
Produtora Cyanide Studio
Editora Focus Home Interactive
Data de lançamento 29 Outubro 2018
Género Adventure
Plataformas
Xbox One PS4 PC Nintendo Switch
Porquê confiar na Gamereactor
23 Edições Cada uma com a sua redação e as suas notas.
1998 A publicar desde De propriedade independente desde o início.
100% Jogado por nós Escrito a partir do tempo passado com o jogo, nunca de material de imprensa.
1–10 Nota da rede A nota de cada edição, com média feita e à vista.