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Análises Call of Duty: Black Ops 4

Call of Duty: Black Ops 4

Possivelmente o CoD mais importante desde Modern Warfare.
Eirik Hyldbakk Furu Atualizado 14 Outubro 2018

A Infinity Ward definiu um marco na série de Call of Duty com o lançamento do lendário Call of Duty 4: Modern Warfare em 2007. Foi uma autêntica revolução na série e no género, mas deste então a saga conheceu vários altos e baixos, com muitas mudanças de direção. Os mapas tornaram-se excessivamente complexos, a jogabilidade inclui alterações que favoreceram flexibilidade em vez de pensamento tático e coordenação, e o tema passeou por todo o lado, desde a Segunda Guerra Mundial a Marte. Apesar de todas estas diferenças, CoD manteve a mesma estrutura que conhecemos desde Modern Warfare, salvo a introdução dos zombies. É por isso que Black Ops 4 é tão importante. De fora ficaram as habilidades para correr pelas paredes, tecnologia futurista, e pela primeira vez na saga - a campanha de história. O que encontrámos foi um jogo que nos agarrou como há muito Call of Duty não nos agarrava.

O 'bichinho' do multijogador instalou-se apenas com alguns minutos da nossa primeira partida online. Militia é um mapa completamente novo, mas há algo no seu design que é imediatamente familiar. Depressa descobrimos os locais onde os atiradores podiam estar acampados, e que áreas poderiam favorecer encontros casuais ou batalhas com vários jogadores. Isto é possível porque a filosofia por trás do design do mapa é a mesma que foi usada em alguns dos mapas mais populares da saga, como Crash, Estate, Favela, Nuke Town Terminal, e Overgrown. A maioria dos mapas em Black Ops 4 tem grande fluidez e propósito, com um design pensado para cada estilo de jogo, mas sem ser demasiado complexo ou confuso. É relativamente fácil perceber como funciona cada mapa em apenas algumas partidas, e isso é essencial para agarrar o interesse do jogador. Em cima disto, Black Ops 4 inclui quatro mapas remasterizados do Black Ops original, e ainda uma nova versão de Nuketown, que será lançada em novembro. Considerando tudo isto, Black Ops 4 terá um dos melhores line-ups de mapas que a série já viu.

Modos favoritos, como Team Deathmatch, Kill Confirmed, e Domination, estão também de volta, enquanto que novidades como Control e Heist injetam vida nova na rotação. Control é essencialmente uma evolução de Domination, onde as equipas alternam entre defender e atacar duas áreas. A grande diferença é que em Control, cada equipa tem um máximo total de 25 vidas, o que alterna por completo a abordagem dos jogadores. É preciso um pensamento mais tático, e é aqui que os Especialistas têm hipótese de brilhar. Ter especialistas defensivos como Torque e Recon, será essencial para segurarem o terreno enquanto estão a defender, enquanto que opções ofensivas como Firebreak e Battery vão facilitar imenso a devastação dos inimigos. Gostámos imenso de Control, e parece-nos ter tudo para se tornar num modo popular.

Heist é uma novidade para Call of Duty, mas será familiar para quem jogou Counter-Strike ou Payday. Duas equipas devem tentar chegar a um saco de dinheiro, para depois o extraírem. Uma das particularidades de Heist é que aqui não vão começar com classes ou armas escolhidas, mas antes com uma pistola e 500 dólares para comprarem equipamento. O equipamento superior custa mais dinheiro, o que significa que têm de escolher entre gastar dinheiro entre as rondas, ou poupá-lo para rondas futuras. A equipa que conseguir extrair o saco de dinheiro, vai ter mais dólares para gastar na ronda seguinte, mas se tiverem uma abordagem descuidada, podem perder toda a armadura pelo qual pagaram uma fortuna. É mais uma adição muito interessante à listagem, que acrescenta um estilo de jogo mais tenso, lento, e tático, do que os modos mais típicos do online de Call of Duty.

Quanto aos especialistas, vão encontrar uma dose considerável de opções, e certamente que existe algo para o vosso estilo de jogo. Não será algo ao nível dos heróis de Overwatch, por exemplo, mas parece-nos óbvio que a Treyarch foi inspirada por esse tipo de jogos à base de "heróis" e "campeões". Cada especialista tem habilidades e equipamento único, encaixando em categorias de suporte, ataque, e defesa. A nossa única dúvida em relação a este sistema é que algumas classes são inúteis em certos modos. Por exemplo, a capacidade de Torque, para criar cobertura instantânea e arame farpado, é praticamente inútil num modo como Team Deathmatch, mas em algo como Control, é extremamente útil. Não é realmente um problema, mas fica essa nota em relação aos especialistas.

Para se familiarizarem com os especialistas, vão encontrar o modo Specialists HQ, que além de funcionar como um tutorial para cada especialista (e é jogável a solo), oferece também algum contexto a nível de história. A Treyarch tentou realmente oferecer grande personalidade a cada especialista, e até existem vídeos de grande qualidade para cada um. Mais uma vez, Overwatch parece ter sido uma grande inspiração neste campo específico. Nota ainda para o regresso do sistema Pick 10, que permite personalizar um saldo com armas, acessórios, equipamento, habilidades, e outras opões semelhantes.

É também preciso destacar a qualidade da jogabilidade, sobretudo ao nível das armas. A fluidez elevada do jogo, em conjunto com uma sensação fantástica para cada arma, tornam a jogabilidade de Black Ops 4 altamente satisfatória. Call of Duty sempre apresentou grande qualidade nesse campo, e este novo jogo só reforçar essa posição.

O único problema em relação ao armamento, é que algumas opções nos pareceram desequilibradas, com particular vantagem para os atiradores de longo alcance. Ser morto com um único tiro por parte de um atirador que mal levantou a mira, é extremamente frustrante, mas existem outros problemas de equilíbrio. Contudo, quando jogámos, a atualização do dia de lançamento ainda não estava disponível, o que significa que o jogo pode estar mais equilibrado quando o jogarem. E se não for o caso, podem tornar-se mais equilibrado com atualizações futuras.

E depois temos a cura manual, uma das principais mudanças à forma como funciona a jogabilidade de Call of Duty. A regeneração automática de saúde desapareceu, e agora, para se curarem, precisam de perder perto de um segundo para usarem uma seringa. Recuperar saúde num ápice é fantástico, mas usar a seringa durante o combate significa sacrificar tempo valioso. Pode parecer uma mudança sem grande importância, mas como já não existe recuperação automática, os jogadores já não recuam ou se escondem para recuperar, o que aumentou significativamente a fluidez do combate.

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O multijogador de Call of Duty: Black Ops 4 é fantástico, mas é apenas uma das três peças que forma a experiência geral: Zombies e Blackout são as outras duas.

No modo zombies vão encontrar três cenários à partida, ou quatro, se comprarem o passe de expansões. Um cenário é inspirado no Titanic, outro é uma versão remasterizada de Mob of the Dead, e o terceiro é uma arena de gladiadores - três experiências muito distintas. O mais curioso é que o modo zombies apresenta uma história cheia de mistério, com muitos segredos para o jogador descobrir, e algumas personagens fascinantes. Trucidar zombies na Roma antiga, enquanto ouvimos personagens a gozarem umas com as outras, e a atirarem piadas conscientes de toda a absurdidade do que se está a passar, é extremamente divertido, e uma excelente alternativa ao modo multijogador.

Vão encontrar objetos que permitem invocar inimigos especiais, armas e equipamento incríveis, e áreas secretas, entre vários objetivos e desafios. Um dos nossos pontos altos com o modo zombies aconteceu quando abrimos uma caixa mistério, que tinha lá dentro um ser chamado Homunculus. Ele acabou por substituiu as nossas granadas, mas valeu bem a pena. Quando o atiramos, normalmente grita alto ridículo e engraçado, e depois começa aos saltos e a cortar a cabeça dos zombies. Aparentemente existem muitas áreas secretas e muitos objetos secretos deste tipo para os jogadores descobrirem, já que depois de 32 rondas, ainda não tínhamos visto tudo.

Apreciámos, não só a qualidade do design dos três níveis, mas também a sua diversidade, algo que também se estendeu às opções de personalização. Conforme utilizam uma arma, vão recebendo mais modificações para acrescentarem, mas também podem desbloquear vantagens nas máquinas de venda e nos altares, e podem encontrar e comprar elixires e talismãs, por exemplo. Também podem escolher participar no modo Clássico ou no modo Rush, que é mais arcade e onde vão competir por pontuação com os vosso amigos. Em cima disto, a Treyarch promete lançar desafios diários, semanais, e mensais para os jogadores tentarem ultrapassar. E sim, o modo zombies suporta ecrã dividido para jogabilidade cooperativa local.

Zombies, tal como o modo multijogador, é fantástico, mas e Blackout, a grande novidade de Black Ops 4? Como já devem saber, Blackout é a resposta da Activision ao género Battle Royale, popularizado por PUBG e Fortnite, e é precisamente o que queríamos de um modo deste género num jogo como Call of Duty. Tudo se passa num enorme mapa, a que vão chegar deixados por um helicóptero, com o objetivo de tentarem sobreviver até serem o grande vencedor. Devem tentar encontrar equipamento para melhorarem as vossas hipóteses, sempre dentro da área de jogo, que vai diminuindo com o tempo. A jogabilidade é excelente e polida, o que é impressionante, considerando que o mapa é enorme. O design foi calculado ao pormenor, e além de incluir muitas referências a outros jogos da série, apresenta grande variedade.

É também um design que incentiva ao risco, já que o melhor equipamento é encontrado em áreas de maior dificuldade. Será que vale a pena ir até à ilha de Nuketown tentar encontrar uma armadura de nível 3, ou é melhor não arriscar e ficarmos com o que encontrarmos pelo caminho? Os mais corajosos até podem tentar a sua sorte no asilo, que está recheado de zombies, mas também de armas e equipamento de grande qualidade. Se conseguirem sair com vida, vão ter mais hipóteses de sucesso, mas esse é um grande "se". Também existem carros e até helicópteros, se preferirem essa abordagem, e tudo com excelentes controlos.

Call of Duty: Black Ops 4 é um sucesso para a Treyarch. O regresso a uma jogabilidade mais terra-a-terra e a um design mais simples dos mapas, aliado ao novo sistema de cura manual, e a um leque de classes mais diverso, criaram uma experiência multijogador de grande qualidade. Já o modo zombies surge mais robusto e diversificado que nunca, com muitas opções de personalização, segredos, e conteúdo prometido. Uma fantástica opção para partilhar com amigos em modo cooperativo. E por fim, Blackout, a maior novidade, um modo que mistura elementos do multijogador e dos zombies numa das experiências Battle Royale mais polidas do mercado. As três componentes que formam Call of Duty: Black Ops 4 têm todas grande qualidade, e em conjunto elevam a experiência de CoD para um patamar a que a série não chegava há algum tempo. E sim, falta a habitual campanha de história, mas honestamente, nem sentimos a sua ausência com tudo o resto que está no jogo.

9
Excecional em 10 · Gamereactor Portugal
Prós Jogabilidade soberba. Novo sistema de saúde no multijogador. Muitos segredos e diversão no modo Zombies. Blackout é uma grande mais valia.
Contras Algum desequilíbrio nas armas, Certos especialistas parecem inúteis em alguns modos.
Nota da rede Média de 10 edições da Gamereactor
9,0
Gamereactor 9
Gamereactor Norge 9
Gamereactor Deutschland 9
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Gamereactor Asia 9
Editor-in-Chief Norway Eirik Hyldbakk Furu wrote for Gamereactor from around 2015 to 2026, first as news editor and from 2022 as editor-in-chief of the Norwegian edition. He covered video games across news, previews and reviews for both the Norwegian and international sites.
Perfil completo Autor da Gamereactor desde 2015 · 2.796 artigos publicados
9
Excecional Nota da rede em 10 edições
Dados do jogo
Produtora Treyarch
Editora Activision
Data de lançamento 11 Outubro 2018
Género Action
Plataformas
PC PS4 Xbox One
Porquê confiar na Gamereactor
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